Logotipo Afya
Anúncio
Pediatria1 abril 2026

Congressos Pediátricos - Lesões por eletrocussão na pediatria: manejo

Lesões elétricas em pediatria: fisiopatologia, riscos, manifestações clínicas e manejo na emergência, com foco em complicações e monitorização.
Por Amanda Neves

No dia 28 de março, durante o 1º Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas, foi discutido um tema de grande relevância na prática clínica: o atendimento de crianças vítimas de lesões externas, com destaque para lesões por eletrocussão.

Fisiopatologia das lesões elétricas

As lesões por eletrocussão resultam da passagem de corrente elétrica pelo corpo. Seus efeitos dependem de fatores como:

  • Intensidade da corrente
  • Tipo de corrente (alternada ou contínua)
  • Tempo de exposição
  • Trajeto percorrido no organismo

Corrente alternada vs. corrente contínua

  • Corrente alternada (doméstica): mais comum, provoca contrações musculares tetânicas que impedem a vítima de se afastar da fonte
  • Corrente contínua (baterias/raios): causa espasmo único, podendo lançar a vítima à distância

Essas características influenciam diretamente a extensão do dano tecidual e o risco sistêmico.

Baixa vs. alta voltagem

Baixa voltagem (<600 V)

  • Mais comum em crianças
  • Geralmente ocorre em ambiente doméstico
  • Associada a:
    • Fios desencapados
    • Introdução de objetos em tomadas
  • Costuma causar lesões superficiais e menor morbidade

Alta voltagem (>1000 V)

  • Mais frequente em ambientes externos
  • Relacionada a redes de alta tensão
  • Associada a:
    • Lesões profundas e extensas
    • Maior risco de complicações sistêmicas
    • Rabdomiólise

Manifestações clínicas

As lesões elétricas são potencialmente multissistêmicas.

Sistema cardiovascular

  • Fibrilação ventricular e atrial
  • Assistolia
  • Taquicardias
  • Distúrbios de condução
  • Lesão miocárdica

Sistema nervoso

  • Alterações transitórias
  • Convulsões
  • Neuropatias tardias

Outros sistemas

  • Musculoesquelético
  • Renal (incluindo rabdomiólise)
  • Vascular
  • Cutâneo (queimaduras profundas)

Pode haver ainda síndrome compartimental.

Fatores de risco para complicações

A presença dos fatores abaixo indica maior risco e necessidade de monitorização prolongada:

  • Trajeto transtorácico da corrente
  • Perda de consciência
  • Contrações musculares tetânicas
  • Pele úmida no momento do choque
  • Dor torácica na admissão
  • Lesões térmicas associadas
  • Acidentes com alta voltagem

Manejo na emergência pediátrica

Abordagem inicial

Deve seguir os princípios do suporte básico e avançado de vida:

  • Garantir segurança da cena
  • Interromper a fonte elétrica
  • Iniciar ressuscitação imediatamente, se necessário

Monitorização

  • Monitorização cardíaca obrigatória
  • Pode ser prolongada em pacientes de maior risco
  • Atenção para arritmias tardias

Tratamento das queimaduras

  • Ressuscitação volêmica adequada (frequentemente com volumes maiores)
  • Avaliação cirúrgica quando indicada

Mensagem prática

O trauma elétrico em pediatria é uma condição potencialmente grave e sistêmica.

A abordagem deve ser rápida, estruturada e baseada em protocolos, com atenção especial ao risco de arritmias e lesões ocultas. Mesmo em casos aparentemente leves, a avaliação criteriosa e a estratificação de risco são essenciais para definir a necessidade de monitorização e prevenir complicações tardias.

Acompanhe a cobertura do 1º Congresso Mundial, em conjunto com o 5º Congresso Brasileiro e o 5º Congresso Paulista de Urgências e Emergências Pediátricas

Autoria

Foto de Amanda Neves

Amanda Neves

Editora médica assistente da Afya ⦁ Residência de Pediatria pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ⦁ Graduação em Medicina pela UFPE

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Pediatria