A cefaleia é uma queixa comum na infância e adolescência, sendo a maioria dos casos relacionada a condições benignas e primárias, como a cefaleia tensional e a enxaqueca. Apesar disso, o principal desafio na emergência é identificar precocemente os quadros secundários potencialmente graves, que exigem investigação e manejo mais urgentes.
Nesse contexto, durante o 1º Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado em 28 de março de 2026, o Dr. Javier Gonzalez destacou a importância de uma abordagem estruturada, com foco no reconhecimento de sinais de alarme.
Bandeiras vermelhas na cefaleia pediátrica
Enfatizou a necessidade de atenção às chamadas “bandeiras vermelhas”, tanto na história clínica quanto no exame físico. Cefaleias de início súbito e intensidade extrema, descritas como a “pior dor da vida”, podem indicar hemorragia intracraniana. Dor que desperta a criança durante o sono ou que predomina pela manhã levanta suspeita de tumor cerebral. Já a cefaleia associada a vômitos matinais, piora progressiva do padrão, imunossupressão, histórico de neoplasia ou desencadeamento por manobras de Valsalva também exige investigação cuidadosa.
Sinais de alerta no exame físico
No exame físico, alterações como rebaixamento do nível de consciência, déficits neurológicos focais, ataxia, papiledema, sinais meníngeos e alterações oculares são particularmente preocupantes e podem indicar condições graves como infecções do sistema nervoso central, hemorragias ou tumores.
Bandeiras verdes e sinais de benignidade
Por outro lado, cefaleias recorrentes, sem mudança de padrão, com exame neurológico normal e associadas a fatores desencadeantes conhecidos, como desidratação, estresse e privação do sono, são consideradas “bandeiras verdes” e sugerem etiologia benigna.
Indicações de exames complementares
Com base nessa avaliação clínica, o palestrante destacou as indicações de exames complementares. Relatou que a neuroimagem deve ser considerada em casos de exame neurológico anormal, início súbito e intenso da dor, mudança significativa no padrão da cefaleia, progressão dos sintomas ou presença de sinais neurológicos associados.
Outras indicações incluem cefaleia que desperta a criança à noite, associação com crises convulsivas, ocorrência após trauma craniano, refratariedade ao tratamento e presença de doenças sistêmicas com risco de acometimento intracraniano.
Métodos de imagem e investigação
Em relação aos métodos de imagem, citou que a tomografia computadorizada (TC) é uma ferramenta rápida e útil na identificação de hemorragias agudas. Já a ressonância magnética (RNM) oferece maior sensibilidade para detecção de massas intracranianas e lesões da fossa posterior. A punção lombar, por sua vez, está indicada na suspeita de meningite, pseudotumor cerebral ou hemorragia subaracnoide com TC normal.
Mensagem prática
Na abordagem da cefaleia na emergência pediátrica, o raciocínio clínico deve ser sistematizado e orientado pela estratificação de risco. Embora a maioria dos casos tenha etiologia benigna e permita condução conservadora, a identificação de sinais de alarme impõe investigação diagnóstica imediata e direcionada. Nesse contexto, a adequada indicação de exames complementares é mais relevante do que sua solicitação indiscriminada. Assim, o reconhecimento precoce das bandeiras vermelhas, aliado a uma anamnese criteriosa e a um exame neurológico minucioso, constitui a base para uma condução clínica segura, eficiente e baseada em evidências.
Live Afya
Acompanhe no dia 30/03, às 19h, a live com os destaques do 1º Congresso Mundial, em conjunto com o 5º Congresso Brasileiro e o 5º Congresso Paulista de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado entre 25 e 28 de março em São Paulo/SP.
Link para se inscrever na live: https://io.pedpapers.com.br/blog-cong-mundial-ped-2026
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Autoria

Amanda Neves
Editora médica assistente da Afya ⦁ Residência de Pediatria pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ⦁ Graduação em Medicina pela UFPE
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