No dia 4 de junho, no 20º Congresso Brasileiro de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica, o 6º Congresso Brasileiro de Nutrologia Pediátrica e o 1º Congresso Brasileiro de Suporte Nutricional, o Dr. Mario Vieira (PR) abordou a ingestão de baterias tipo botão por crianças e destacou que o dano ocorre rapidamente, exigindo reconhecimento e intervenção precoces.
Baterias tipo botão podem causar lesão rapidamente
Neste cenário, cabe destacar que a gravidade do quadro está relacionada ao mecanismo de lesão provocado pelas baterias de lítio. Quando ficam impactadas no esôfago, elas desencadeiam uma reação eletroquímica com os tecidos locais, levando à formação de íons hidróxido no polo negativo. Como consequência, ocorre rápida elevação do pH e desenvolvimento de necrose por liquefação, capaz de destruir progressivamente as estruturas adjacentes.
Segundo o especialista, um aspecto frequentemente subestimado é que baterias aparentemente descarregadas também representam risco significativo. Embora não possuam energia suficiente para alimentar dispositivos eletrônicos, mantêm carga residual capaz de provocar lesões graves. Por isso, toda bateria ingerida deve ser considerada potencialmente ativa.
Evolução da lesão após impactação esofágica
O dano tecidual começa precocemente após a impactação esofágica. As lesões da mucosa podem surgir já na primeira hora de contato. Entre duas e quatro horas, o comprometimento pode atingir as camadas musculares, enquanto, após oito a doze horas, aumenta significativamente o risco de perfuração.
Localização do corpo estranho orienta a urgência da conduta
A localização do corpo estranho é um dos principais fatores que determinam a estratégia terapêutica. Nos casos de impactação esofágica, a remoção endoscópica deve ser realizada com urgência, idealmente em menos de duas horas.
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A anestesia geral associada à intubação orotraqueal, para garantir a segurança do procedimento e a proteção das vias aéreas, é necessária. Ademais, nos casos em que o diagnóstico ou a remoção ocorre após mais de 12 horas da ingestão, recomenda-se a realização de tomografia computadorizada antes da retirada endoscópica para descartar complicações vasculares, especialmente fístulas. Segundo o especialista, a remoção sem avaliação prévia em pacientes com necrose avançada pode precipitar hemorragias catastróficas.
Além da retirada do corpo estranho, o especialista destacou que a endoscopia digestiva alta permite avaliar a extensão da lesão e o grau de comprometimento tecidual. Após a remoção, na ausência de perfuração, pontuou que pode ser realizada irrigação local com ácido acético estéril a 0,25%, com o objetivo de neutralizar resíduos alcalinos e reduzir a progressão do dano.
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Estratégias antes da remoção endoscópica
O Dr. Mario também abordou estratégias destinadas a reduzir a profundidade da lesão enquanto o paciente aguarda a remoção da bateria.
O uso de mel e/ou sucralfato pode ser considerado em crianças com idade igual ou superior a 12 meses, quando a ingestão ocorreu há menos de 12 horas, em paciente com capacidade de deglutição e sem sinais de perfuração.
A administração deve ser iniciada o mais precocemente possível, sem retardar a realização da endoscopia. A dose aconselhada para ambos é de 10 mL a cada 10 minutos, com um máximo de 6 doses de mel e 3 doses de sucralfato.
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Acompanhamento após a retirada da bateria
Outro ponto enfatizado pelo especialista foi que a remoção do corpo estranho não encerra o processo de lesão. A necrose tecidual pode continuar evoluindo por dias ou semanas, favorecendo o aparecimento de complicações tardias, incluindo fístulas traqueoesofágicas e aortoesofágicas, hemorragias e estenoses esofágicas.
Por esse motivo, o acompanhamento pós-procedimento é considerado parte essencial do tratamento. Entre as recomendações apresentadas estão jejum por pelo menos 24 horas antes da reintrodução da dieta, monitorização clínica durante as quatro semanas subsequentes e orientação detalhada aos pais ou responsáveis quanto aos sinais de alerta que exigem reavaliação médica imediata.
Mensagem prática
Ao final da palestra, o Dr. Mario Vieira reforçou que a ingestão de baterias tipo botão deve ser tratada como uma emergência. Como lesões irreversíveis podem surgir em poucas horas, o sucesso do tratamento depende da rápida identificação do evento, da localização precoce da bateria e da remoção endoscópica sem demora.
Além disso, prevenir a ingestão continua sendo a estratégia mais eficaz para evitar desfechos potencialmente devastadores.
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Autoria

Amanda Neves
Editora médica assistente da Afya ⦁ Residência de Pediatria pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ⦁ Graduação em Medicina pela UFPE
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