Durante a mesa-redonda “Doenças Pépticas e Hemorragia Digestiva Alta”, realizada no dia 4 de junho, durante o 20º Congresso Brasileiro de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica, a Dra. Adriana Aguiar discutiu os principais aspectos da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) na população pediátrica. A discussão reforçou pontos centrais sobre DRGE na pediatria, especialmente a diferenciação entre refluxo fisiológico, sintomas por faixa etária e necessidade de investigação em situações selecionadas.
Segundo a palestrante, o diagnóstico da DRGE é essencialmente clínico e pode ser desafiador, já que os sintomas variam conforme a idade e não existe um método diagnóstico considerado padrão-ouro para todas as apresentações da doença.

Como diferenciar RGE fisiológico e doença do refluxo gastroesofágico
A especialista destacou que o refluxo gastroesofágico (RGE) é um fenômeno fisiológico comum, especialmente em lactentes, podendo ocorrer várias vezes ao dia sem representar doença. A DRGE, por sua vez, é caracterizada quando o refluxo provoca sintomas ou complicações capazes de comprometer a qualidade de vida da criança.
Contudo, a diferenciação entre RGE fisiológico e DRGE nem sempre é simples, principalmente nos primeiros anos de vida. Além disso, a elevada frequência de regurgitações em lactentes costuma gerar preocupação entre os pais, embora a maioria dos casos não esteja relacionada à doença.
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Quando sinais de alerta na DRGE indicam investigação adicional?
Os sintomas também diferem entre as faixas etárias: nos lactentes predominam manifestações inespecíficas, como irritabilidade, choro e recusa alimentar, enquanto crianças maiores e adolescentes costumam apresentar azia, pirose e epigastralgia. A palestrante chamou atenção para sinais de alerta, como perda de peso, disfagia, irritabilidade intensa e recusa alimentar, que podem indicar a necessidade de investigação adicional. Além disso, destacou que são considerados grupos de risco para evolução mais desfavorável os pacientes com atresia de esôfago, hérnia hiatal ou diafragmática, obesidade, doenças neurológicas, pneumopatias, prematuridade, síndromes genéticas e quimioterapia.
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Condutas iniciais no manejo conservador da DRGE
Quanto ao tratamento, a palestrante enfatizou que a abordagem inicial deve priorizar medidas conservadoras. Em lactentes, recomenda-se evitar superalimentação, ajustar o volume e a frequência das mamadas e considerar o uso de fórmulas espessadas. Na ausência de resposta, pode ser realizado teste terapêutico para alergia à proteína do leite de vaca por duas a quatro semanas. Já em crianças maiores e adolescentes, medidas como controle do peso, redução de alimentos gordurosos e refeições volumosas, além de orientações posturais, constituem a primeira linha de manejo. A terapia com inibidores de bomba de prótons deve ser reservada para casos persistentes e selecionados.
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Mensagem prática
Nem toda regurgitação significa doença. O reconhecimento dos sinais de alerta e a adoção de medidas conservadoras antes da introdução de medicamentos são fundamentais para o manejo adequado da DRGE na infância.
Autoria

Amanda Neves
Editora médica assistente da Afya ⦁ Residência de Pediatria pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ⦁ Graduação em Medicina pela UFPE
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