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Pediatria27 março 2026

Congresso Pediátrico - Crise asmática pediátrica: manejo prático na emergência

No sobre congresso urgências e emergências pediátricas, a sessão “Tiro certeiro: crise asmática”, abordou aspectos fundamentais na sua condução terapêutica.

O 1º Congresso Mundial de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado em São Paulo/SP, de 25 a 28 de março, reúne especialistas que visam compartilhar práticas de manejo seguro e fundamentadas em evidências científicas frente a situações críticas envolvendo crianças e adolescentes.

Durante a sessão “Tiro certeiro: crise asmática”, foram abordados aspectos fundamentais na sua condução terapêutica.

Broncodilatadores e terapia inalatória

O Dr. Javier Benito (Espanha) ressaltou que os beta-agonistas de curta duração (SABA) constituem a terapia de primeira linha em todas as crises asmáticas, enquanto o brometo de ipratrópio deve ser considerado como adjuvante em episódios de moderada a grave intensidade. Ressaltou que a administração preferencial dos broncodilatadores de curta duração deve ocorrer via inalador dosimetrado associado a espaçador, otimizando a deposição pulmonar e minimizando efeitos adversos sistêmicos.

Cabe destacar que a nebulização com ipratrópio apresenta efeito broncodilatador sinérgico com os β2-adrenérgicos, embora menos potente e de ação mais lenta, atuando por inibição de receptores muscarínicos e redução do tônus vagal brônquico. Revisões sistemáticas e meta-análises de ensaios clínicos randomizados demonstraram que a adição de ipratrópio à terapia padrão reduz a gravidade da crise e a taxa de hospitalização em crianças, reforçando seu papel como terapia adjuvante.

O especialista enfatizou também a importância de escalas validadas para a classificação da gravidade da crise, permitindo estratificação objetiva do paciente na admissão e monitoramento contínuo da resposta terapêutica, com ajustes baseados em critérios clínicos claros.

Corticoterapia sistêmica e fisiopatologia

O Dr. Carles Luaces (Espanha) abordou a corticoterapia sistêmica, contextualizando a fisiopatologia da exacerbação asmática. Ressaltou que, além do broncoespasmo, a asma envolve edema de mucosa e hipersecreção resultantes da inflamação das vias aéreas, o que aumenta a resistência ao fluxo respiratório e pode reduzir a eficácia dos broncodilatadores em crises graves.

Nesse contexto, os corticoides sistêmicos atuam diminuindo os mediadores inflamatórios e o edema, potencializando a resposta aos beta-agonistas e contribuindo para a reversão da obstrução das vias aéreas.

Indicações e via de administração dos corticoides

As principais indicações para corticoterapia sistêmica incluem crises moderadas a graves, necessidade frequente de SABA, resposta inadequada às intervenções iniciais ou histórico de exacerbações que exigiram internação ou uso prévio de corticoides sistêmicos.

Considerando o início de ação retardado dos corticoides, sua administração deve ser precoce, idealmente dentro da primeira hora de atendimento, para maximizar o controle da crise. A escolha da via de administração (oral ou intravenosa) deve levar em conta a tolerância do paciente, reservando a via endovenosa para casos de insuficiência respiratória ou impossibilidade de ingestão oral.

Corticoides inalados e evidências recentes

O Dr. Luaces também destacou o papel dos corticosteroides inalados, apontando a budesonida como a opção preferencial. Ele citou o estudo de Li e Liu (2021), intitulado “Effect of budesonide on hospitalization rates among children with acute asthma attending paediatric emergency department: a systematic review and meta-analysis”, que evidenciou que a nebulização com budesonida reduziu em 43% o risco de hospitalização e em 66% a necessidade de corticoterapia sistêmica em crianças com crises moderadas a graves, quando comparada ao placebo, sem aumento significativo de eventos adversos.

Terapias adjuvantes em casos graves

Em casos de exacerbações graves refratárias ao tratamento inicial, o Dr. David Schnadower (Estados Unidos) destacou o sulfato de magnésio intravenoso como terapia adjuvante.

Síntese do manejo na emergência

Em síntese, os especialistas reforçaram que o manejo eficaz da asma aguda na emergência pediátrica exige uma abordagem integrada: administração adequada de broncodilatadores, uso precoce de corticoides sistêmicos quando indicados, monitoramento contínuo por escalas validadas, utilização criteriosa de corticosteroides inalados e consideração de terapias adjuvantes, como o sulfato de magnésio.

Essa abordagem baseada em evidências visa reduzir complicações, hospitalizações e a necessidade de intervenções mais invasivas, como intubação orotraqueal, garantindo um tratamento seguro e eficaz para crianças com exacerbação asmática.

Acompanhe a cobertura do 1º Congresso Mundial, em conjunto com o 5º Congresso Brasileiro e o 5º Congresso Paulista de Urgências e Emergências Pediátricas

Congresso Emergências Pediátricas

Live Afya

Acompanhe no dia 30/03, às 19h, a live com os destaques do 1º Congresso Mundial, em conjunto com o 5º Congresso Brasileiro e o 5º Congresso Paulista de Urgências e Emergências Pediátricas, realizado entre 25 e 28 de março em São Paulo/SP.

Link para se inscrever na live: https://io.pedpapers.com.br/blog-cong-mundial-ped-2026 
Participe!

Autoria

Foto de Roberta Esteves Vieira de Castro

Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora adjunta de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação ⦁ Instagram: @draroberta_pediatra

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