Os pacientes pediátricos frequentemente experimentam dor, medo e ansiedade durante procedimentos hospitalares, principalmente durante a punção venosa (PV). Esta é uma intervenção comum, mas bastante estressante. Crianças pequenas, particularmente entre 4 e 6 anos, podem ter dificuldade para entender a hospitalização e expressar sofrimento. Dessa forma, estratégias não farmacológicas adequadas à faixa etária são imprescindíveis para melhorar o enfrentamento do procedimento.
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Técnicas de distração têm demonstrado benefícios no manejo da dor em pediatria. Todavia, as evidências ainda são limitadas em pacientes na idade pré-escolar submetidos à PV em emergências. Um ensaio clínico randomizado (ECR) conduzido na Turquia avaliou se dois métodos de distração, o dispositivo Buzzy e apresentações com fantoches de dedo, poderiam reduzir a dor, o medo e a ansiedade durante a PV em comparação com o cuidado padrão. Os resultados foram publicados no jornal Medicine (Baltimore).
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Como o estudo avaliou Buzzy e fantoches de dedo
Trata-se de um ECR que incluiu 102 crianças de 4 a 6 anos submetidas à PV para exames laboratoriais em um serviço de emergência pediátrica de nível terciário. Além dos pacientes que se recusaram a utilizar o dispositivo Buzzy, foram excluídos os pacientes com: doenças crônicas; dificuldades verbais decorrentes de atraso no neurodesenvolvimento, deficiências auditivas ou visuais; histórico de analgesia ou sedação nas 24 horas anteriores; histórico de síncope; inconsciência; distúrbios de coagulação; infecções, erupções cutâneas ou lesões na pele do braço onde o dispositivo seria aplicado; e doenças associadas à sensibilidade ao frio.
Os participantes foram alocados aleatoriamente em três grupos:
- Grupo Dispositivo Buzzy (GDB): n = 34;
- Grupo Distração com Fantoche de Dedo (GDFD): n = 34;
- Grupo controle (GC): n = 34.
A dor, o medo e a ansiedade foram avaliados, respectivamente, por meio da Escala de Avaliação de Dor Wong-Baker FACES, da Children’s Fear Scale (Escala de Medo Infantil) e do Children’s Anxiety Meter-State (Medidor de Estado de Ansiedade Infantil), antes e depois do procedimento.
O que foi observado após o procedimento
Foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos quanto à distribuição por sexo (X² = 8,828; P = 0,012): a proporção de pacientes do sexo masculino foi de 52,9% no GDB, 23,5% no GDFD e 55,9% no GC. A idade média das crianças foi semelhante entre os grupos (GDB: 5,71 ± 1,19; GDFD: 5,88 ± 1,12; GC: 5,62 ± 1,21), sem diferença estatisticamente significativa (F = 0,448; P = 0,640).
Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre os grupos nas pontuações pré-procedimento (P > 0,05). No entanto, as pontuações pós-procedimento diferiram significativamente (P < 0,001), com o GC apresentando níveis mais elevados de dor, medo e ansiedade em comparação com o GDB e o GDFD.
Com relação às análises intragrupo, houve reduções significativas em todos os desfechos nos grupos GDB e GDFD (P < 0,001), mas não foi observada nenhuma alteração significativa no GC. Os tamanhos de efeito foram grandes para ambas as intervenções e maiores no GDB (medo: η² = 0,756; ansiedade: η² = 0,825; dor: η² = 0,659) do que no GDFD (medo: η² = 0,657; ansiedade: η² = 0,690; dor: η² = 0,512).
Desequilíbrios iniciais exigem interpretação cautelosa
Os pesquisadores enfatizaram no artigo que foram encontrados alguns desequilíbrios iniciais, particularmente na distribuição por sexo e no número de filhos na família. Dessa forma, eles destacaram que os achados deste estudo precisam ser interpretados com cautela, pois essas diferenças podem ter influenciado os desfechos e devem ser consideradas na interpretação.
Mensagem prática para a emergência pediátrica
O estudo mostrou que as duas intervenções, Buzzy e fantoches de dedo, reduziram efetivamente a dor, o medo e a ansiedade, mas o Buzzy apresentou maior eficácia. Portanto, os achados corroboram a aplicação de técnicas de distração simples e de baixo custo em emergência pediátrica.
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Autoria

Roberta Castro
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Valença, com residência em pediatria e medicina intensiva pediátrica. Mestrado (UFF). Doutorado (UERJ). Além da atuação na Afya, atua como professora de pediatria (UERJ), rotina da enfermaria de pediatria (UERJ) e consultório particular.
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