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Pediatria13 julho 2026

Buzzy na punção venosa pediátrica: efeito sobre dor e ansiedade

Estudo avalia Buzzy e fantoches em crianças de 4 a 6 anos submetidas à punção venosa em emergência pediátrica.
Por Roberta Castro

Os pacientes pediátricos frequentemente experimentam dor, medo e ansiedade durante procedimentos hospitalares, principalmente durante a punção venosa (PV). Esta é uma intervenção comum, mas bastante estressante. Crianças pequenas, particularmente entre 4 e 6 anos, podem ter dificuldade para entender a hospitalização e expressar sofrimento. Dessa forma, estratégias não farmacológicas adequadas à faixa etária são imprescindíveis para melhorar o enfrentamento do procedimento. 

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Técnicas de distração têm demonstrado benefícios no manejo da dor em pediatria. Todavia, as evidências ainda são limitadas em pacientes na idade pré-escolar submetidos à PV em emergências. Um ensaio clínico randomizado (ECR) conduzido na Turquia avaliou se dois métodos de distração, o dispositivo Buzzy e apresentações com fantoches de dedo, poderiam reduzir a dor, o medo e a ansiedade durante a PV em comparação com o cuidado padrão. Os resultados foram publicados no jornal Medicine (Baltimore). 

Saiba mais: Buzzy® x EMLA® para prevenção da dor na punção venosa em crianças 

Como o estudo avaliou Buzzy e fantoches de dedo 

Trata-se de um ECR que incluiu 102 crianças de 4 a 6 anos submetidas à PV para exames laboratoriais em um serviço de emergência pediátrica de nível terciário. Além dos pacientes que se recusaram a utilizar o dispositivo Buzzy, foram excluídos os pacientes com: doenças crônicas; dificuldades verbais decorrentes de atraso no neurodesenvolvimento, deficiências auditivas ou visuais; histórico de analgesia ou sedação nas 24 horas anteriores; histórico de síncope; inconsciência; distúrbios de coagulação; infecções, erupções cutâneas ou lesões na pele do braço onde o dispositivo seria aplicado; e doenças associadas à sensibilidade ao frio. 

Os participantes foram alocados aleatoriamente em três grupos: 

  • Grupo Dispositivo Buzzy (GDB): n = 34; 
  • Grupo Distração com Fantoche de Dedo (GDFD): n = 34; 
  • Grupo controle (GC): n = 34. 

A dor, o medo e a ansiedade foram avaliados, respectivamente, por meio da Escala de Avaliação de Dor Wong-Baker FACES, da Children’s Fear Scale (Escala de Medo Infantil) e do Children’s Anxiety Meter-State (Medidor de Estado de Ansiedade Infantil), antes e depois do procedimento. 

O que foi observado após o procedimento 

Foi encontrada uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos quanto à distribuição por sexo (X² = 8,828; P = 0,012): a proporção de pacientes do sexo masculino foi de 52,9% no GDB, 23,5% no GDFD e 55,9% no GC. A idade média das crianças foi semelhante entre os grupos (GDB: 5,71 ± 1,19; GDFD: 5,88 ± 1,12; GC: 5,62 ± 1,21), sem diferença estatisticamente significativa (F = 0,448; P = 0,640). 

Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre os grupos nas pontuações pré-procedimento (P > 0,05). No entanto, as pontuações pós-procedimento diferiram significativamente (P < 0,001), com o GC apresentando níveis mais elevados de dor, medo e ansiedade em comparação com o GDB e o GDFD. 

Com relação às análises intragrupo, houve reduções significativas em todos os desfechos nos grupos GDB e GDFD (P < 0,001), mas não foi observada nenhuma alteração significativa no GC. Os tamanhos de efeito foram grandes para ambas as intervenções e maiores no GDB (medo: η² = 0,756; ansiedade: η² = 0,825; dor: η² = 0,659) do que no GDFD (medo: η² = 0,657; ansiedade: η² = 0,690; dor: η² = 0,512). 

Desequilíbrios iniciais exigem interpretação cautelosa 

Os pesquisadores enfatizaram no artigo que foram encontrados alguns desequilíbrios iniciais, particularmente na distribuição por sexo e no número de filhos na família. Dessa forma, eles destacaram que os achados deste estudo precisam ser interpretados com cautela, pois essas diferenças podem ter influenciado os desfechos e devem ser consideradas na interpretação. 

Mensagem prática para a emergência pediátrica 

O estudo mostrou que as duas intervenções, Buzzy e fantoches de dedo, reduziram efetivamente a dor, o medo e a ansiedade, mas o Buzzy apresentou maior eficácia. Portanto, os achados corroboram a aplicação de técnicas de distração simples e de baixo custo em emergência pediátrica. 

Saiba mais: Atualizações no tratamento da dor em crianças durante procedimentos com agulhas 

Autoria

Foto de Roberta Castro

Roberta Castro

Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Valença, com residência em pediatria e medicina intensiva pediátrica. Mestrado (UFF). Doutorado (UERJ). Além da atuação na Afya, atua como professora de pediatria (UERJ), rotina da enfermaria de pediatria (UERJ) e consultório particular.

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