As crianças são expostas a vários procedimentos feitos com agulha, seja para imunização de rotina, coletas de sangue ou inserção de acessos venosos durante a visita ao departamento de emergência ou durante a internação hospitalar. Entretanto, a dor relacionada a estes procedimentos pode variar de leve a grave, gerando altos níveis de ansiedade e podendo ocasionar consequências fisiológicas e emocionais, incluindo fobia.
A fobia a agulhas, geralmente, se desenvolve entre as idades de 5 e 10 anos após experiências desagradáveis com o objeto, promovendo a ocorrência de sintomas fisiológicos durante procedimentos relacionados à agulha, como hipoxemia, reações vasovagais, taquicardia e alteração nos níveis hormonais. Crianças com fobia relacionada a agulha também correm risco de apresentar medo e evitar os profissionais de saúde, bem como apresentar níveis mais elevados de dor e sofrimento durante os procedimentos subsequentes.
Estudos e análises que avaliam os efeitos de intervenções não farmacológicas e farmacológicas em procedimentos efetuados com agulha aumentaram consideravelmente na última década. Apesar da eficácia relatada de algumas intervenções, como sacarose, distração, hipnose e anestésicos tópicos, o uso destas medidas permanece restrito na prática clínica. Isso pode ser devido a limitações de tempo e recursos. Como tal, eles requerem tempo e treinamento prévio pelos profissionais de saúde, podendo ser percebidos como demorados e/ou dispendiosos para implementar na prática clínica diária.
O dispositivo Buzzy® (MMJ Labs, Atlanta, GA, Estados Unidos) tem sido proposto como uma intervenção rápida, não invasiva, barata, fácil de usar e reutilizável para a dor relacionada a procedimentos com agulha. Pode ser uma alternativa interessante, especialmente em ambientes de tratamento agudo, onde o tempo de preparação para procedimentos relacionados à agulha é limitado. O Buzzy® é um dispositivo em formato de abelha consistindo em um motor vibratório operado por bateria ligado a asas de gelo removíveis para criar uma sensação de frio.
Já o EMLA® é uma mistura eutética de 2,5% de lidocaína e 2,5% de prilocaína em creme e é aplicado na pele e depois coberto com um curativo oclusivo por 60 a 90 minutos, proporcionando anestesia local por, no mínimo, duas horas após a remoção. É utilizado para reduzir a dor antes de procedimentos percutâneos, como punções venosas e arteriais.
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Buzzy x EMLA®
Dessa forma, com o objetivo de avaliar as diferenças de comportamento relacionados à dor em crianças durante a inserção de acessos venosos utilizando um dispositivo que combina frio e vibração (Buzzy®) e o tratamento padrão (patch de EMLA®), Bourdier e colaboradores (2019) conduziram o estudo randomizado Cold Vibration (Buzzy) Versus Anesthetic Patch (EMLA) for Pain Prevention During Cannulation in Children5.
Os pesquisadores compararam escores de dor durante a punção venosa e colocação de acesso venoso entre crianças randomizadas para o tratamento com um patch de EMLA® ou para o uso do dispositivo Buzzy®. Cerca de 300 crianças com idades entre 18 meses e 6 anos foram inscritas em cada grupo em um departamento de emergência pediátrica canadense. A dor foi medida usando a Escala de Dor do Hospital of Eastern Ontario [a pontuação varia de 4 (sem dor) a 13]. Uma pontuação > 8 foi considerada dor suficientemente grave para necessitar de analgesia.
Conclusões do estudo
Mais crianças no grupo EMLA® do que no grupo Buzzy® tiveram um escore de dor ≤8 (62% versus 37%). Os escores médios de dor foram 7,2 no grupo EMLA® versus 8,5 no grupo Buzzy®. Os pais preferiram o EMLA ao Buzzy®; 94% queriam usar o tratamento novamente (versus 81%). O sucesso no procedimento foi semelhante entre os grupos.
Nesse estudo, os autores concluíram que o alívio da dor por uma combinação de frio e vibração durante a inserção de acesso venoso não foi tão eficaz quanto o método de tratamento padrão do hospital onde o estudo foi realizado (EMLA®) em crianças de 18 meses a 6 anos de idade.
Embora o dispositivo Buzzy® pareça menos eficaz do que um patch de EMLA® para controle da dor durante a inserção de acesso venoso em crianças, o dispositivo ainda pode ter lugar importante no setor de emergência. É rápido, fácil, rentável e não requer nenhum pedido de preparo do paciente ou da farmácia para fornecer pelo menos algum controle da dor e alguma distração, especialmente porque esperar até uma hora para que o efeito do EMLA® é fora da realidade para a maioria dos procedimentos de inserção de acesso venoso em emergências infantis. Para informações sobre o Buzzy® no Brasil, basta acessar www.buzzy.com.br.
Autoria

Roberta Castro
Editora médica na Afya. Formada em medicina pela Faculdade de Medicina de Valença, com residência em pediatria e medicina intensiva pediátrica. Mestrado (UFF). Doutorado (UERJ). Além da atuação na Afya, atua como professora de pediatria (UERJ), rotina da enfermaria de pediatria (UERJ) e consultório particular.
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