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Pediatria16 fevereiro 2017

Anafilaxia pediátrica: epinefrina segundo a AAP

Entenda quando usar adrenalina na anafilaxia em crianças, segundo a AAP, e por que anti-histamínicos não substituem epinefrina.
Por Vanessa Thees

A American Academy of Pediatrics (AAP) publicou, em 2017, uma atualização das recomendações sobre o uso de epinefrina, também chamada de adrenalina, no tratamento da anafilaxia.

O documento traz orientações para ajudar médicos a identificar pacientes em risco, além de informações sobre adrenalina e auto-injetores.

A anafilaxia é uma reação alérgica ou de hipersensibilidade generalizada, grave, de início rápido e potencialmente fatal. Nesse contexto, a administração precoce de epinefrina pode fazer diferença importante no desfecho clínico.

Epinefrina na anafilaxia pediátrica: principais recomendações

O guideline da AAP, uma atualização do documento de 2007, recomenda que pacientes em risco de anafilaxia recebam prescrição de epinefrina auto-injetável.

Apesar dos esforços da Sociedade Brasileira de Pediatria para liberação, o item ainda não é comercializado no Brasil, mas pode ser importado para uso.

Pacientes em risco de anafilaxia

Indivíduos em risco incluem aqueles com:

  • episódio anafilático anterior;
  • anafilaxia idiopática;
  • sensibilidade alimentar conhecida.

A aplicação deve ser feita prontamente após a exposição a um alérgeno, mesmo quando ainda não está claro se os sintomas evoluirão.

Epinefrina como primeira linha no tratamento da anafilaxia

A epinefrina é recomendada como tratamento de primeira linha para anafilaxia.

Os anti-histamínicos podem ser úteis para prevenir e aliviar coceira e urticária, mas não tratam os riscos respiratórios, a hipotensão ou o choque.

Por isso, não devem substituir a epinefrina no manejo da anafilaxia.

Dose de adrenalina na anafilaxia pediátrica

Para administração de primeiros socorros da anafilaxia em ambiente hospitalar, a dose indicada de adrenalina é de 0,01 mg/kg.

A dose máxima é de:

  • 0,3 mg em crianças pré-púberes;
  • 0,5 mg em adolescentes.

Repetição da dose e riscos do atraso

Se a resposta à primeira injeção for inadequada, a dose pode ser repetida uma ou duas vezes, em intervalos de 5 a 15 minutos.

Os autores reforçam que a administração tardia de epinefrina na anafilaxia está associada a maior risco de hospitalização e desfechos graves, incluindo encefalopatia hipóxico-isquêmica e morte.

Conclusão

A recomendação central da AAP é que a epinefrina seja administrada precocemente na anafilaxia pediátrica, especialmente em pacientes com risco identificado.

O uso de anti-histamínicos pode ajudar no controle de sintomas cutâneos, mas não substitui a adrenalina nos quadros graves. Por isso, reconhecer pacientes em risco, orientar sobre auto-injetores e administrar a medicação sem atraso são pontos fundamentais no manejo da anafilaxia.

Referências:

  • Epinephrine for First-aid Management of Anaphylaxis. Scott H. Sicherer, F. Estelle R. Simons, SECTION ON ALLERGY AND IMMUNOLOGY. Pediatrics Feb 2017, e20164006; DOI: 10.1542/peds.2016-4006

 

*Este conteúdo foi atualizado em: 15/05/2026 pela equipe editorial do Portal Afya.

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Vanessa Thees

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