O fim do ano chegou e junto dele suas comemorações e momentos de celebração. Por ser um momento em que ocorrem as maiores festas, como o Réveillon, com música alta e fogos de artifício, os cuidados com a exposição sonora intensa também são importantes e devem ser orientados aos pacientes. Isso porque, podem levar a danos auditivos intermitentes e permanentes.
Quais os riscos da exposição sonora?
A recomendação atual da Organização Mundial de Saúde é de exposição máxima de oito horas por dia a sons de 85dB, e a cada aumento de 3dB na intensidade sonora deve-se reduzir o tempo de exposição pela metade (88dB por 4 horas, 91dB por duas horas, e assim por diante).
Dispositivos como caixas de sons e ruídos de fogos de artifício podem facilmente ultrapassar os 100dB, o que significa que a exposição prolongada ou repetida a esse tipo de fonte sonora pode causar danos permanentes às células ciliadas do ouvido interno (mais especificamente da cóclea). Traumas acústicos, principalmente aqueles de alta intensidade e curta duração (como nos fogos de artifício), podem causar danos severos às células ciliadas da cóclea ocasionando trauma acústico agudo.
Nesse sentido, após a exposição a fontes sonoras intensas, podem surgir os seguintes sinais, aos quais o profissional de saúde deve se atentar:
- zumbido persistente
- sensação de ouvido abafado ou hipoacusia
- hiperacusia
Na presença desses sintomas deve-se investigar Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), um tipo de perda auditiva irreversível ocasionada por exposição a sons intensos.
No caso de suspeita de PAIR, o exame a ser realizado para investigação é a audiometria para avaliar objetivamente se houve perda. No exame, é visto um entalhe na curva audiométrica com perda em gota mais frequentemente em 4000Hz; já que as frequências sonoras mais altas são as mais susceptíveis a perda induzida por ruído.
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Quais cuidados orientar ao paciente?
Medidas simples podem ser tomadas a fim de evitar danos permanentes ou reversíveis para a audição. As principais e mais simples são se distanciar das fontes sonoras e limitar o tempo de exposição.
Aumentar a distância das fontes sonoras, ficando mais longe da caixa de som em uma festa por exemplo, pode reduzir significativamente a intensidade sonora. Para além disso, limitar o tempo de exposição a determinado som diminui o risco de lesão das células ciliadas da cóclea, visto que perdas auditivas permanentes estão associadas a maiores tempos de exposição sonora.
Nas festas em casa, há possibilidade de reduzir o volume dos dispositivos sonoros (televisão, caixas de som, e até mesmo os fones de ouvidos), utilizando até 50% da capacidade máxima do dispositivo para garantir maior segurança em relação à exposição sonora.
E quando nenhuma dessas medidas é possível (ou suficiente), o uso de protetores auriculares também deve ser recomendado, já que são capazes de reduzir a intensidade sonora, minimizando o risco para a audição.
Mensagem prática
Os prejuízos causados pela exposição excessiva a fontes sonoras intensas podem ser irreversíveis, acarretando piora da qualidade de vida tanto no âmbito profissional quanto social por longo prazo.
Medidas que visam reduzir a intensidade da fonte sonora e o tempo de exposição a ela podem ser simples e evitar danos à audição, por isso devem ser levadas em consideração. Portanto, devemos sempre orientar os pacientes quanto aos cuidados para evitar traumas acústicos, principalmente em época de festividades, e ter muita atenção para identificar os sintomas e conduzir com investigação e diagnóstico adequados.
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