Lesões meniscais degenerativas são comuns em adultos, entretanto, o manejo ideal destas lesões permanece controverso. A eficácia da artroscopia com a realização de meniscectomia parcial artroscópica (MPA) em comparação ao tratamento conservador com terapia física em pacientes de meia-idade ainda é incerto. Uma recente revisão sistemática foi elaborada com o objetivo de investigar a eficácia da MPA nesse contexto. Foram incluídos neste estudo ensaios clínicos randomizados controlados que compararam a MPA isolada ou combinada com terapia física com a terapia física isolada ou com artroscopias simuladas (artroscopia diagnóstica sem abordagem da lesão meniscal).
Métodos
Trata-se de uma revisão sistemática seguindo as diretrizes do PRISMA de 2020 incluindo todos os ensaios clínicos randomizados de nível I que investigaram a eficácia da MPA. Foram excluídos os estudos que incluíram idosos com osteoartrite grave, assim como aqueles em que a MPA foi combinada com outras intervenções cirúrgicas ou em pacientes com instabilidade ou insuficiência ligamentar. O risco de viés foi avaliado utilizando o software Review Manager 5.3 (The Nordic Cochrane Collaboration, Copenhagen) e a metodologia Grading of Recommendations, Assessment, Development, and Evaluation (GRADE) foi empregada para avaliar a qualidade das evidências dos desfechos coletados.
Resultados
Os dados de 17 estudos (2.037 pacientes) foram coletados. Desses, 48,5% pacientes (988 de 2.037) eram mulheres. A idade média dos pacientes foi de 52,7 ± 3,9 anos e o IMC médio de 27,0 ± 1,3 kg/m². As evidências atuais sugerem que não há diferença nos resultados funcionais (qualidade das evidências: alta), resultados clínicos (qualidade das evidências: alta), dor (qualidade das evidências: alta), qualidade de vida (qualidade das evidências: alta), medidas de desempenho físico (qualidade das evidências: moderada) e progressão da osteoartrite (qualidade das evidências: moderada).
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Conclusão
Este estudo sugere que os benefícios da MPA em adultos com sintomas meniscais degenerativos e não obstrutivos são limitados. As evidências atuais indicam resultados semelhantes entre a MPA e a terapia física.
Mensagem prática
São necessários mais ensaios clínicos randomizados de longo prazo para investigar se a MPA e a TF produzem resultados comparáveis utilizando medidas de desfecho validadas e confiáveis. Além disso, futuros ensaios clínicos randomizados devem explorar a existência de pacientes que se beneficiariam da MPA, esclarecendo as indicações apropriadas e os resultados esperados.
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