OrtopediaJAN 2024

Displasia de desenvolvimento do quadril

Estudo propõe entender se a distância pubofemoral pode ser um parâmetro ultrassonográfico confiável para o rastreio

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Por Giovanni Vilardo Cerqueira Guedes
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 O rastreio da Displasia de Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é tradicionalmente realizado com o cálculo do ângulo alfa, proposto por Graf em 1983 em avaliação ultrassonográfica. Posteriormente foi descrito o parâmetro conhecido como Cobertura da Cabeça Femoral (Femoral Head Coverage – FHC), definido como a porcentagem de cartilagem da cabeça femoral coberta pelo teto ósseo acetabular, enquanto o quadril está em repouso e enquanto se aplica estresse lateral.  

 Leia também: Consenso para tratamento e screening de displasia do desenvolvimento do quadril  

Em 2013 foi definido o Parâmetro Distância Pubofemoral (PFD), como a distância mínima entre a epífise medial da cabeça femoral e a parte mais lateral do osso púbico ossificado, enquanto há aplicação de estresse lateralizante na articulação do quadril. Esse teste tem sido considerado mais sensível que o método de Graf no diagnóstico precoce de DDQ embora não tenham sido realizados estudos comparativos. 

 O estudo  

Diante disso, foi publicado esse mês na revista Bone and Joint Open um estudo com o objetivo de avaliar a correlação do PFD aos ângulos α e instabilidade do quadril, conforme medido pelo FHC em repouso e durante estresse lateralizante, em recém-nascidos submetidos à triagem ultrassonográfica para DDQ.  

Foram incluídos retrospectivamente todos os recém-nascidos encaminhados para triagem ultrassonográfica em um hospital dinamarquês com base na triagem de fatores de risco primários, clínica e ângulos α, PFD e FHC. 

Para o estudo, foram considerados 2.735 recém-nascidos, dos quais 754 receberam ultrassonografia de quadril de acompanhamento dentro de seis semanas de idade. Após a exclusão, 1.500 quadris foram incluídos para análise. A distribuição por sexo foi de 372 homens e 380 mulheres, e a idade média ao exame foi de 36,6 dias (4 a 87).  

Foi encontrada uma correlação linear negativa da PFD com ângulos α (p < 0,001), FHC (p < 0,001) e FHC durante o estresse (p < 0,001) com um aumento de 1 mm no PFD correspondente a -2,1° (intervalo de confiança (IC) de 95% -2,3 a -1,9) alteração no ângulo α e -3,4% (IC 95% -3,7 a -3,0) alteração no FHC e -6,0% (-6,6 a -5,5) mudança em FHC durante o estresse. O PFD foi significativamente maior com o aumento dos estágios de Graf e em quadris deslocáveis (p < 0,001). 

 Conclusão  

A PFD está fortemente correlacionada com os ângulos α e com a deslocabilidade do quadril, conforme medido por FHC e FHC durante estresse, na ultrassonografia dos quadris do recém-nascido. O PFD aumenta à medida que os quadris ficam mais displásicos e/ou deslocáveis. 

 Leia ainda: Características e risco para fraturas periprotéticas ao redor do quadril  

 O rastreio da Displasia de Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é tradicionalmente realizado com o cálculo do ângulo alfa, proposto por Graf em 1983 em avaliação ultrassonográfica. Posteriormente foi descrito o parâmetro conhecido como Cobertura da Cabeça Femoral (Femoral Head Coverage – FHC), definido como a porcentagem de cartilagem da cabeça femoral coberta pelo teto ósseo acetabular, enquanto o quadril está em repouso e enquanto se aplica estresse lateral.  

 Leia também: Consenso para tratamento e screening de displasia do desenvolvimento do quadril  

Em 2013 foi definido o Parâmetro Distância Pubofemoral (PFD), como a distância mínima entre a epífise medial da cabeça femoral e a parte mais lateral do osso púbico ossificado, enquanto há aplicação de estresse lateralizante na articulação do quadril. Esse teste tem sido considerado mais sensível que o método de Graf no diagnóstico precoce de DDQ embora não tenham sido realizados estudos comparativos. 

 O estudo  

Diante disso, foi publicado esse mês na revista Bone and Joint Open um estudo com o objetivo de avaliar a correlação do PFD aos ângulos α e instabilidade do quadril, conforme medido pelo FHC em repouso e durante estresse lateralizante, em recém-nascidos submetidos à triagem ultrassonográfica para DDQ.  

Foram incluídos retrospectivamente todos os recém-nascidos encaminhados para triagem ultrassonográfica em um hospital dinamarquês com base na triagem de fatores de risco primários, clínica e ângulos α, PFD e FHC. 

Para o estudo, foram considerados 2.735 recém-nascidos, dos quais 754 receberam ultrassonografia de quadril de acompanhamento dentro de seis semanas de idade. Após a exclusão, 1.500 quadris foram incluídos para análise. A distribuição por sexo foi de 372 homens e 380 mulheres, e a idade média ao exame foi de 36,6 dias (4 a 87).  

Foi encontrada uma correlação linear negativa da PFD com ângulos α (p < 0,001), FHC (p < 0,001) e FHC durante o estresse (p < 0,001) com um aumento de 1 mm no PFD correspondente a -2,1° (intervalo de confiança (IC) de 95% -2,3 a -1,9) alteração no ângulo α e -3,4% (IC 95% -3,7 a -3,0) alteração no FHC e -6,0% (-6,6 a -5,5) mudança em FHC durante o estresse. O PFD foi significativamente maior com o aumento dos estágios de Graf e em quadris deslocáveis (p < 0,001). 

 Conclusão  

A PFD está fortemente correlacionada com os ângulos α e com a deslocabilidade do quadril, conforme medido por FHC e FHC durante estresse, na ultrassonografia dos quadris do recém-nascido. O PFD aumenta à medida que os quadris ficam mais displásicos e/ou deslocáveis. 

 Leia ainda: Características e risco para fraturas periprotéticas ao redor do quadril  

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Referências bibliográficas

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Giovanni Vilardo Cerqueira GuedesGiovanni Vilardo Cerqueira Guedes
Editor Médico de Ortopedia da Afya ⦁  Mestre em Ciências Aplicadas ao Sistema Musculoesquelético (INTO) ⦁  Ortopedista, Cirurgião da Mão e Microcirurgião formado pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad - INTO ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Fellowship em Cirurgia da Mão e Artroscopia de Punho pela International Bone Research Association - IBRA (Clínica Teknon, Barcelona, Espanha, 2022)