Logotipo Afya
Anúncio
Ortopedia4 novembro 2026

Corticosteroide melhora função na capsulite adesiva

Metanálise sobre capsulite adesiva compara fisioterapia isolada e tratamento combinado, com resultados para mobilidade, dor e função.
Por Rafael Erthal

A capsulite adesiva, também conhecida como ombro congelado, provoca dor e redução progressiva da mobilidade, além de comprometer as atividades cotidianas. Embora a fisioterapia seja uma das principais estratégias conservadoras, a recuperação pode ser lenta, especialmente quando há rigidez articular importante.

Nesse contexto, uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2026 no European Journal of Orthopaedic Surgery & Traumatology avaliou se a associação de infiltração de Corticosteroide à fisioterapia oferece benefícios adicionais em pacientes com capsulite adesiva.

Os pesquisadores analisaram ensaios clínicos randomizados que compararam as duas estratégias, considerando função, intensidade da dor e amplitude de movimento. Os resultados apontaram vantagens do tratamento combinado em determinados desfechos, mas não demonstraram superioridade uniforme em todas as medidas avaliadas.

Cirurgia ou imobilização após o primeiro episódio de luxação do ombro?

Recuperação funcional melhora com tratamento combinado

A associação de Corticosteroide e fisioterapia apresentou melhora funcional superior à fisioterapia isolada, medida pelo Shoulder Pain and Disability Index (SPADI).

Três ensaios, com 138 participantes, contribuíram para essa análise. A redução do escore SPADI foi maior no grupo combinado, com diferença média de 17,52 pontos (IC95% 5,08–29,95; p = 0,006).

O SPADI reúne medidas relacionadas à dor e à incapacidade funcional do ombro. Portanto, sua redução indica melhora percebida pelos pacientes nas limitações associadas à condição.

O resultado sugere benefício funcional adicional da infiltração de Corticosteroide durante o acompanhamento de curto prazo. Entretanto, a melhora nesse índice não significa que todas as medidas específicas de dor apresentaram diferenças significativas.

Como a fisioterapia do ombro foi comparada?

A revisão sistemática pesquisou PubMed, Scopus, Embase e Google Scholar até 24 de abril de 2026. Foram elegíveis ensaios clínicos randomizados envolvendo adultos com capsulite adesiva, comparando fisioterapia isolada com tratamento associado à infiltração de Corticosteroide.

Foram incluídos cinco estudos publicados entre 2003 e 2024, totalizando 198 participantes. Desses, 97 integraram os grupos com Corticosteroide e 101 receberam fisioterapia isolada. O acompanhamento variou de seis a 24 semanas.

Os estudos utilizaram diferentes formulações, doses e técnicas de infiltração, incluindo procedimentos guiados por imagem e por referências anatômicas. Os protocolos fisioterapêuticos também variaram quanto aos exercícios, às mobilizações articulares e à frequência das sessões.

A qualidade metodológica foi avaliada pela ferramenta Cochrane RoB 2. Quatro ensaios apresentaram baixo risco global de viés, enquanto um recebeu classificação de algumas preocupações. Nenhum foi considerado de alto risco.

 

Saiba mais: Corticoide após a cirurgia ou capsulotomia no manguito rotador com rigidez?

A amplitude de movimento apresenta ganhos específicos

O tratamento combinado também apresentou resultados favoráveis para três movimentos do ombro.

Na flexão, três estudos com 138 participantes demonstraram diferença média de 12,99° a favor da associação (IC95% 5,92–20,05; p = 0,0003).

Para a abdução, quatro estudos, com 158 participantes, identificaram diferença média de 10,68° (IC95% 0,53–20,84; p = 0,04).

A rotação externa foi avaliada nos cinco ensaios, envolvendo os 198 pacientes. O ganho adicional foi de 10,35° (IC95% 6,13–14,57; p < 0,0001).

Esses resultados indicam melhora estatisticamente significativa da mobilidade com a adição de Corticosteroide. A análise da rotação externa reuniu todos os estudos incluídos e também apresentou resultado favorável.

Os autores destacaram que os participantes apresentavam, em geral, sintomas com duração de aproximadamente três a seis meses. Assim, os achados representam principalmente pacientes em fases iniciais ou intermediárias da doença.

Houve diferença na escala visual analógica?

Apesar dos benefícios funcionais, a análise da dor pela escala visual analógica (EVA) não demonstrou diferença estatisticamente significativa entre os tratamentos (p = 0,41).

Esse desfecho foi avaliado em apenas dois estudos, com 92 participantes. Os ensaios utilizaram definições e momentos de avaliação diferentes, o que limita a precisão da comparação.

A rotação interna também não apresentou diferença estatisticamente significativa (p = 0,46). Nesse caso, somente dois estudos, com 59 participantes, forneceram dados para a análise combinada.

Portanto, os resultados não sustentam a afirmação de que a infiltração associada à fisioterapia melhora todas as dimensões da dor ou todos os movimentos do ombro.

A ausência de significância estatística nesses desfechos também deve ser interpretada considerando o número reduzido de estudos e participantes.

Considere as limitações da infiltração de Corticosteroide

Embora a metanálise tenha reunido exclusivamente ensaios randomizados, a amostra total foi pequena. Também houve diferenças entre formulações, doses, técnicas de aplicação, programas fisioterapêuticos e períodos de acompanhamento.

A duração relativamente curta do seguimento impede estabelecer se os benefícios funcionais persistem em longo prazo. A revisão também não definiu qual dose, técnica de infiltração ou protocolo de reabilitação oferece os melhores resultados.

Os autores discutem possíveis efeitos adversos dos Corticosteroides, mas a análise quantitativa não estabelece uma comparação robusta de segurança entre as estratégias.

Na prática clínica, os resultados favorecem considerar a infiltração de Corticosteroide associada à fisioterapia para pacientes com capsulite adesiva, especialmente quando o objetivo é melhorar a função e recuperar a mobilidade durante as fases iniciais ou intermediárias.

Entretanto, a decisão deve considerar as características individuais e as limitações da evidência. A metanálise sustenta benefícios de curto prazo para função, flexão, abdução e rotação externa, sem comprovar superioridade para todos os desfechos ou estabelecer resultados duradouros.

 

Saiba mais: Adesiólise artroscópica é uma boa opção para pacientes idosos com ombro congelado?

 

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.

Autoria

Foto de Rafael Erthal

Rafael Erthal

Conteúdista médico na Afya. Médico formado na Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ), especialista em Ortopedia e Cirugia do Joelho pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO-RJ), membro do grupo de cirurgia do joelho do INTO, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ). Mestrado em ciências do Sistema Musculoesquelético pelo INTO. Delegado da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) no Rio de Janeiro 2023-2024. Referência no atendimento à atletas profissionais de futebol do Rio de Janeiro, com atuação em clube da Série A desde 2021 como cirurgião de joelho. Responsável pelo retorno seguro ao esporte de atletas após lesões complexas de joelho.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Ortopedia