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Oncologia6 janeiro 2026

Quais pacientes apresentam maior benefício clínico nos tratamentos com nivolumabe?

Análise do estudo CheckMate 649 explorou biomarcadores moleculares que predizem benefício da imunoterapia no câncer gastroesofágico avançado.
Por Thiago Branco

A incorporação da imunoterapia ao tratamento de primeira linha do câncer gastroesofágico avançado representou um avanço relevante em um cenário historicamente associado a sobrevida global (SG) inferior a um ano. O estudo CheckMate 649 (CM-649) demonstrou benefício significativo de SG e sobrevida livre de progressão com nivolumabe associado à quimioterapia em pacientes com PD-L1 CPS ≥ 5, estabelecendo esse regime como padrão terapêutico. Em contraste, nivolumabe + ipilimumabe não atingiu significância estatística em SG. Diante disso, em 2025 foi publicada, na Nature, uma análise exploratória da população CM-649 com o objetivo de identificar biomarcadores preditivos capazes de discriminar subgrupos com maior benefício clínico para cada estratégia imunoterápica. 

Desenho metodológico 

O estudo é análise exploratória pós-hoc baseada nas análises genômicas por whole-exome sequencing (WES) e RNA sequencing (RNA-seq) das amostras tumorais da população que recebeu quimioterapia + nivolumabe, nivolumabe + ipilimumabe e quimioterapia isolada, correspondendo a um total de 2394 pacientes analisados. As populações eram razoavelmente homogêneas e o tempo de seguimento mínimo foi de 3 anos. Os tumores foram classificados em subtipos moleculares (CIN, GS, hipermutado/MSI-H e EBV-positivo), presença de tumor mutational burden (TMB)alterações genéticas em KRAS e assinaturas de expressão gênica relacionadas a inflamação, estroma, angiogênese, hipóxia, proliferação e células T reguladoras.  

Resultados  

Os resultados demonstraram heterogeneidade substancial de benefício conforme o perfil molecular: 

  • Tumores hipermutados/MSI-H apresentaram o maior benefício de SG com terapias baseadas em nivolumabe, tanto com quimioterapia quanto com ipilimumabe, com hazard ratios consistentemente mais favoráveis em relação à quimioterapia isolada. 
  • EBV-positivo e tumores genomicamente estáveis mostraram tendência a maior benefício com nivolumabe + quimioterapia, enquanto tumores CIN derivaram benefício mais modesto. 
  • Alterações em KRAS estiveram associadas a maior benefício de SG exclusivamente com nivolumabe + quimioterapia, não sendo observado o mesmo padrão com imunoterapia isolada. 
  • Para nivolumabe + ipilimumabe, o benefício foi mais evidente em tumores com altas assinaturas inflamatórias e de células T reguladoras (Treg), independentemente do status de PD-L1, sem evidência de prejuízo precoce de sobrevida. 

Veja também: CHECKMATE 7FL: associação de nivolumabe e quimio no câncer de mama

Para refletir 

– Insuficiência do CPS: A heterogeneidade sugerida entre as populações que derivam mais ou menos benefício de imunoterapia, considerando que todas possuíam o biomarcador aprovado para a indicação (CPS ≥ 5), sugere mais uma vez a dificuldade em se selecionar com robustez os pacientes-alvo dessas medicações, mesmo na oncologia atual, molecularmente mais avançada. Ainda há lacunas de conhecimento significativas sobre os diferentes mecanismos carcinogênicos que levam à doença invasiva, que culminam nas diferentes respostas terapêuticas apresentadas. 

– O alcance da análise pos-hoc: Devemos considerar que uma análise retrospectiva e exploratória possui limitações estatísticas significativas. As sugestões levantadas devem ser consideradas encorajadoras para ensaios prospectivos que, de fato, levantem maior nível de evidência. 

O que considerar para a prática clínica 

Nivolumabe + quimioterapia permanece o padrão em pacientes com CPS ≥ 5. Mas, os resultados apoiam a hipótese de que subgrupos com assinaturas inflamatórias específicas podem se beneficiar da individualização do regime terapêutico com base na subtipagem molecular, mesmo neste subgrupo. É provável vermos em breve análises prospectivas de biomarcadores que estimulem com mais robustez esta discussão. 

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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