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Oncologia29 maio 2026

ASCO 2026: Updates importantes no câncer de pulmão metastático - parte 1

O primeiro dia do congresso da American Society of Clinical Oncology deste ano (ASCO 2026) trouxe novos tratamentos mirando EGFR, ALK e RET.
Por Thiago Branco

O primeiro dia da ASCO começou particularmente interessante para a Oncologia Torácica. Com novas informações de sobrevida aos TKIs já incorporados à prática clínica e novos medicamentos demonstrando resultados promissores em estudos de fase 2, tivemos discussões que prometem impactar a prática clínica no curto prazo. 

Vamos abordar os principais estudos divulgados! 

EGFRmutado com metástases

Sunvozertinibe, novo TKI com benefício no EGFR com inserção no éxon 20 

O primeiro e um dos mais aguardados estudos do dia foi o WU-KONG 28, lançado em concomitância na New England Journal of Medicine  

Trata-se de um estudo fase 3 que avaliou o papel do sunvozertinibe como tratamento de primeira linha para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) avançado, portadores de mutações de inserção no éxon 20 do EGFR.   

O estudo randomizou pacientes para receber sunvozertinibe ou quimioterapia baseada em platina (carboplatina associada a pemetrexede por até seis ciclos, seguida de manutenção). Pacientes do braço de quimioterapia podiam realizar crossover para sunvozertinibe após progressão da doença.  

As características basais foram globalmente equilibradas entre os grupos, embora o braço do sunvozertinibe apresentasse menor proporção de pacientes tabagistas. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP). Os resultados demonstraram benefício estatisticamente significativo para o sunvozertinibe, com mediana de SLP de 10,3 meses versus 7,5 meses no braço controle (HR 0,65; IC95% 0,50–0,85; p=0,0008).   

A taxa de resposta objetiva também foi superior com o inibidor alvo (58,9% versus 31,1%), assim como a taxa de controle da doença (94,5% versus 86,7%). Um dado particularmente interessante foi a melhora da sobrevida após progressão, de 21,7 meses versus 15,5 meses, apesar de aproximadamente 90% dos pacientes do braço da quimioterapia terem recebido sunvozertinibe posteriormente por meio do crossover. Esse resultado sugere que o uso precoce da droga pode ser mais vantajoso do que sua introdução em linhas subsequentes.   

Os dados de sobrevida global ainda permanecem imaturos e, em relação à segurança, os eventos mais frequentes incluíram elevação de creatinofosfoquinase (CPK), diarreia, rash cutâneo e paroníquia. Cerca de 40% dos pacientes necessitaram redução de dose, mas apenas 7% interromperam definitivamente o tratamento. 

Comentários 

Atualmente, nesse cenário, o uso de amivantamabe associado à quimioterapia é opção de primeira linha. Embora não haja comparação head to head entre ambas as possibilidades, a introdução de um medicamento oral isolado e com efeitos colaterais manejáveis é pertinente em adesão e qualidade de vida.  Vamos aguardar os dados de Sobrevida Global para confirmar a possibilidade de incorporação de sunvozertinibe à prática clínica, conforme aprovação regulatória. 

Atualizações de amivantambe com lazertinibe em mutações atípicas do EGFR

Houve atualizações do estudo CHRYSALIS-2, especificamente a coorte C, a qual aborda pacientes portadores exclusivamente de mutações atípicas em EGFR e que abordamos recentemente em nosso Portal AfyaNa análise previamente reportada, com seguimento mediano de 16 meses, a combinação já havia demonstrado taxa de resposta objetiva de 57% e mediana de SLP de 19,5 meses. 

Agora com um seguimento mediano de 31,3 meses, a mediana de sobrevida global atingiu 41 meses (IC95% 27,7 meses até não estimável).  O resultado reforça o potencial da combinação amivantamabe-lazertinibe como uma estratégia para essa população. 

Comentários 

Conforme discutido recentemente em nossa página, esse estudo já possuía potencial de superar a atual primeira linha, afatinibe, pela qualidade do dado em uma população rara e de difícil recrutamento. O ganho de Sobrevida Global comprovado reforça essa informação. É importante ressaltar que, embora tenha havido passos importantes recentemente, o tratamento desses pacientes segue desafiador.  

ALKmutado com metástases 

Atualização de 7 anos do estudo Crown, lorlatinibe versus crizotinibe em primeira linha para CPNPC ALK positivo

O estudo Crown foi um importante determinante para incorporação dos TKIs de terceira geração (especificamente lorlatinibe) a primeira linha do ALK metastático, com ganho já demonstrado de Sobrevida Global. A atualização atual afirma pontos importantes.  

Após aproximadamente sete anos de seguimento, a mediana de sobrevida livre de progressão (SLP) permaneceu não atingida com lorlatinibe, enquanto foi de 9,1 meses com crizotinibe. O hazard ratio para progressão ou morte foi de 0,19 (IC95% 0,13–0,26), demonstrando benefício sustentado ao longo do tempo.  

A curva de SLP impressiona pela manutenção do benefício após anos de acompanhamento. Aos dois anos, aproximadamente 70% dos pacientes permaneciam livres de progressão; aos cinco anos, cerca de 60%; e aos sete anos, cerca de 55%. Não ocorreram novos eventos de progressão intracraniana após os primeiros 30 meses de tratamento com lorlatinibe e o perfil de segurança manteve-se o mesmo 

Comentários 

Lorlatinibe de fato sacramentou a possibilidade de tornar o câncer de pulmão metastático uma doença crônica para uma parcela significativa de pacientes. Chama a atenção a ausência de recidiva em sistema nervoso central, permitindo uma flexibilização na rotina de imagens neurológicas no acompanhamento. Os desafios residem nos pacientes que progridem à medicação, alvo de estudos atuais, além do manejo dos eventos adversos, especialmente a trigliceridemia e o edema. 

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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