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Oncologia31 maio 2026

ASCO 2026: Novo tratamento oral com benefício no lipossarcoma

Segundo estudo da plenária demonstra ganho de sobrevida significativo de abemaciclibe em raro sarcoma de partes moles
Por Thiago Branco

Abemaciclibe no lipossarcoma desdiferenciado avançado: resultados do estudo fase III SARC041 

O SARC041 foi um estudo fase III, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido pela Sarcoma Alliance for Research through Collaboration (SARC) exclusivamente nos EUA. Foram incluídos pacientes com idade igual ou superior a 18 anos, ECOG 0-1, portadores de lipossarcoma desdiferenciado recorrente ou metastático, com progressão documentada segundo RECIST 1.1 nos seis meses anteriores à inclusão. Pacientes com lipossarcoma exclusivamente bem diferenciado foram excluídos. Não havia restrição quanto ao número de linhas prévias de tratamento, incluindo pacientes sem tratamento sistêmico prévio. Pacientes com doença extensa que necessitasse de tratamento imediato também foram excluídos. 

Os participantes foram randomizados na proporção de 1:1 para receber abemaciclibe 200 mg por via oral duas vezes ao dia ou placebo. O protocolo permitia crossover para abemaciclibe após progressão no braço placebo. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP), enquanto os desfechos secundários incluíram taxa de resposta objetiva, sobrevida global, SLP após crossover e segurança 

Foram randomizados 108 pacientes, com 54 participantes em cada braço. As características basais encontravam-se equilibradas entre os grupos, incluindo distribuição por sexo, localização tumoral, idade e número de linhas prévias de tratamento. Aproximadamente metade dos pacientes em cada braço não havia recebido terapia sistêmica prévia. 

mediana de SLP foi de 9,7 meses no grupo tratado com abemaciclibe, em comparação com apenas 1,5 mês no grupo placebo, correspondendo a uma redução de 62% no risco de progressão ou morte (HR 0,38; IC90% 0,25–0,59; p<0,001). A taxa de pacientes livres de progressão em seis meses foi de 60% com abemaciclibe versus 22% com placebo, enquanto as taxas em 12 meses foram de 39% e 13%, respectivamente.  

Respostas objetivas ocorreram em 9% dos pacientes tratados com abemaciclibe, enquanto nenhuma resposta foi observada entre os pacientes que receberam placebo. Embora incomuns, as respostas foram profundas e duradouras. 

Entre os pacientes inicialmente alocados para placebo, 46 (85%) receberam posteriormente abemaciclibe. Nessa população, a mediana de SLP após crossover foi de 3,4 meses, com taxa de resposta objetiva de 4%. A análise de sobrevida global demonstrou tendência favorável ao abemaciclibe, embora sem significância estatística. A mediana de sobrevida global não foi atingida no braço experimental e foi de 25,5 meses no braço placebo (HR 0,55; IC95% 0,28–1,07; p=0,07).  

As taxas de sobrevida global em 12 meses foram de 85% e 71%, respectivamente, enquanto em 24 meses foram de 72% e 51%. O elevado percentual de crossover provavelmente contribuiu para atenuar diferenças em sobrevida global entre os grupos. 

Quanto à segurança, o perfil de toxicidade foi consistente com a experiência prévia com abemaciclibe. Os eventos adversos hematológicos mais frequentes incluíram anemia, neutropenia, linfopenia, trombocitopenia e leucopenia. Entre os eventos não hematológicos, destacou-se diarreia, observada em 35% dos pacientes tratados com abemaciclibe, incluindo 7% de eventos grau 3. Houve necessidade de redução de dose em 39% dos pacientes do braço experimental, em comparação com 2% no grupo placebo.  

Veja também: ASCO 2026: estudos discutem descalonamento no câncer de mama

Comentários 

O lipossarcoma desdiferenciado (DDLPS) é uma doença comumente associada a amplificação do gene CDK4, tornando a inibição dessa via uma estratégia terapêutica racional e, agora, tornada relevante na prática com o uso de abemaciclibe. Há demonstração de ganho considerável com uma medicação tolerável e com perfil de toxicidade conhecido e razoavelmente manejável.  

Porém, ressalta-se que se trata de um estudo cujo grupo controle fora placebo, o que hiperestima o benefício da intervenção. Aguardamos aprovação regulatória para uso na prática clínica e esperamos no futuro outros estudos que contemplem a via CDK4 nos tumores de partes moles. 

Autoria

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Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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