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Oncologia31 maio 2026

ASCO 2026: Câncer de pulmão não pequenas células - nova opção no cenário adjuvante

Selpercatinibe adjuvante na presença de mutação RET no adenocarcinoma de pulmão é alvo do estudo LIBRETTO-432 ainda no segundo dia do ASCO 2026
Por Thiago Branco

O quarto artigo da plenária este ano busca responder uma pergunta importante no câncer de pulmão, cujos tratamentos são cada vez mais voltados à oncologia molecular e de precisão. Há espaço para novas opções de adjuvância guiadas por driver de genes além das já consolidadas mutações em EGFR e ALK? 

Vamos analisar o estudo! 

Saiba mais: ASCO 2026: Atualizações no câncer de próstata localizado

Selpercatinibe adjuvante no câncer de pulmão de não pequenas células inicial com fusão RET: resultados do estudo LIBRETTO-432 

O estudo LIBRETTO-432 foi desenvolvido para avaliar se o tratamento adjuvante com selpercatinibe na presença de mutações no protooncogene RET poderia reduzir o risco de recorrência após terapia local definitiva com intenção curativa 

Trata-se de estudo fase III, multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Foram incluídos pacientes com CPNPC estádios IB, II ou IIIA com fusão RET confirmada, previamente tratados com cirurgia ou radioterapia com intenção curativa, associados à terapia sistêmica adjuvante quando indicada. Os participantes foram randomizados na proporção de 1:1 para receber selpercatinibe ou placebo por até três anos. 

Entre janeiro de 2022 e março de 2025, 151 pacientes foram incluídos e randomizados, sendo 75 alocados para o grupo selpercatinibe e 76 para placebo. A população principal de análise foi composta por 109 pacientes com doença estádio II ou IIIA. O seguimento mediano foi de 24 meses no grupo selpercatinibe e 27 meses no grupo placebo. 

O desfecho primário foi a sobrevida livre de eventos (event-free survival, EFS). Na população estádio II–IIIA, a EFS em dois anos avaliada por revisão central foi de 96% no grupo selpercatinibe e 71% no grupo placebo, correspondendo a um HR de 0,13 (IC95% 0,03–0,55). Na população global, a EFS em dois anos foi de 97% e 78%, respectivamente, também com HR de 0,13 (IC95% 0,03–0,55). 

Na população global, recorrências foram observadas em 4 pacientes (5%) e 20 pacientes (26%), respectivamente. A maioria dos eventos ocorreu em pacientes com doença estádio IIIA. Recorrência cerebral foi registrada em um paciente tratado com selpercatinibe e em três pacientes que receberam placebo. Os dados de sobrevida global ainda eram imaturos no momento da análise.  

Quanto à segurança, eventos adversos grau 3 ou superior foram observados em 67% dos pacientes tratados com selpercatinibe e em 24% daqueles que receberam placebo. Os eventos mais frequentemente associados ao tratamento foram elevação das transaminases hepáticas, incluindo aumento de alanina aminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST). Eventos grau 3 ou superior relacionados a aumento de ALT e AST ocorreram em 17% e 19% dos pacientes tratados com selpercatinibe, respectivamente. 

Reduções de dose devido a eventos adversos ocorreram em 55% dos pacientes do grupo experimental, enquanto interrupções temporárias do tratamento ocorreram em 77%. A descontinuação definitiva do tratamento por toxicidade foi registrada em 17% dos pacientes que receberam selpercatinibe e em 1% daqueles que receberam placebo. As principais causas de interrupção definitiva foram elevação de enzimas hepáticas e doença pulmonar intersticial. A maioria dos eventos que motivaram descontinuação foi de baixo grau e apresentou resolução após a suspensão do tratamento. 

Comentários 

O estudo LIBRETTO-432 demonstrou que o uso adjuvante de selpercatinibe proporcionou redução substancial do risco de recorrência, progressão ou morte em pacientes com CPNPC inicial portador de fusão RET, com um perfil de segurança compatível com o uso na prática.  

Porém, devemos considerar dois pontos relevantes em relação a estratégia. O período de utilização de 3 anos em detrimento de outro período não parece residir em racional genômico. Além disso, os dados de sobrevida global ainda estão imaturos e estratégias de tratamento neoadjuvante e perioperatório são atualmente indicadas para pacientes com tumores ressecáveis e candidatos à cirurgia, não realizadas neste estudo. 

Vamos aguardar a maturidade dos dados de sobrevida global e análises específicas da população RET com outros tratamentos para avaliar a incorporação de LIBRETTO-432 à prática clínica. 

Autoria

Foto de Thiago Branco

Thiago Branco

Thiago Branco é médico formado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com residência em Clínica Médica pela mesma instituição e em Oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) ⦁ Contato profissional: profissional [email protected] ⦁ Instagram: @Branco_T

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