Pesquisadores avaliaram uma terapia optogenética destinada a restaurar parcialmente a função visual em pessoas com retinite pigmentosa avançada. O estudo PIONEER, publicado no New England Journal of Medicine, incluiu dez adultos com cegueira legal e teve como objetivo principal avaliar a segurança da intervenção.
A retinite pigmentosa é um grupo de doenças hereditárias degenerativas da retina marcado pela perda progressiva dos fotorreceptores e que pode levar à cegueira irreversível. Mais de 100 genes já foram relacionados à doença, o que dificulta o desenvolvimento de tratamentos direcionados a uma única alteração genética.

Sensibilidade à luz melhora em seis participantes
Cada participante recebeu uma única injeção intravítrea de um vetor viral adenoassociado no olho com pior visão. O vetor carregava instruções para produzir ChrimsonR, uma proteína sensível à luz, nas células ganglionares da retina. Depois do tratamento, os participantes passaram a usar óculos específicos, capazes de transformar mudanças de luminosidade do ambiente em pulsos de luz destinados a ativar essa proteína.
A sensibilidade à luz aumentou em sete dos dez participantes, com variações de duas a 62,3 vezes. Em seis deles, o aumento foi considerado clinicamente significativo, definido pelos pesquisadores como melhora de pelo menos quatro vezes na sensibilidade à luz. Três participantes não apresentaram ganho nesse teste.
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Como a terapia optogenética atua na retina?
A proposta da optogenética é tornar células sobreviventes da retina capazes de responder à luz. No estudo, a ChrimsonR foi direcionada às células ganglionares, que permanecem presentes mesmo após a perda dos fotorreceptores em estágios avançados da doença.
Os óculos utilizados no estudo continham uma câmera que identificava alterações de luminosidade no ambiente. Essas informações eram convertidas em pulsos de luz de 595 nm, projetados sobre a retina para estimular a ChrimsonR.
Uma diferença importante dessa estratégia é que ela não depende da mutação responsável pela retinite pigmentosa. A intenção é restaurar alguma responsividade à luz mesmo quando a causa genética varia entre os pacientes.
Ganho visual foi parcial e variou entre os pacientes
Oito participantes completaram testes comportamentais que avaliaram a capacidade de detectar, localizar e tocar objetos grandes e pequenos, além de identificar a orientação de uma barra. Quatro apresentaram melhora funcional consistente com o uso dos óculos.
Os ganhos, porém, foram modestos. Os participantes conseguiram recuperar parcialmente capacidades de detecção e discriminação de objetos, mas não visão de alta acuidade. A estratégia também não restaurou visão de cores.
O desempenho também variou entre os participantes. Os pesquisadores observaram uma possível associação entre maior número de sessões de treinamento com os óculos e melhor desempenho funcional, embora os intervalos de confiança tenham sido amplos.
Segurança foi o principal desfecho do estudo
Foram registrados 34 eventos adversos oculares em nove dos dez participantes. Desses, 23 foram leves e dez moderados. Houve um evento grave, uma oclusão transitória da artéria central da retina imediatamente após a injeção, que se resolveu em minutos após tratamento.
Inflamação intraocular ocorreu em sete participantes e foi mais frequente no grupo que recebeu a maior dose. Segundo os autores, os episódios foram tratados e não deixaram sequelas.
O estudo também teve limitações importantes. Foi um ensaio fase 1, aberto, não randomizado e com apenas dez participantes. Além disso, os testes de função visual foram exploratórios e parte deles foi desenvolvida após o início do estudo.
Por isso, os resultados ainda não permitem estabelecer a eficácia da terapia. Os próprios autores afirmam que novas pesquisas serão necessárias para avaliar melhor segurança, benefício clínico e quais pacientes podem responder mais à estratégia.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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