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Neurologia6 abril 2022

Você sabe identificar os tipos de afasia?

A afasia é definida como um distúrbio de linguagem, afetando a capacidade de comunicação de uma pessoa. Conheça as classificações.
Por Danielle Calil

Recentemente a divulgação da aposentadoria do ator norte-americano Bruce Willis devido ao diagnóstico de afasia trouxe um enfoque para essa condição de saúde ainda pouco conhecida entre muitos.

A afasia é um distúrbio de linguagem, podendo ser resultado de lesões em regiões perissilvianas do hemisfério dominante. Cerca de 90 a 95% da população é destra. O hemisfério cerebral esquerdo é o dominante para linguagem em 99% dos destros e em 60 a 70% dos canhotos. Há diversas etiologias responsáveis por causar a afasia. Geralmente, estão relacionadas a causas como AVC ou neoplasias.

A linguagem é uma forma de expressar pensamentos através de um sistema de símbolos, dentre eles, a fala, a escrita e a gesticulação. Os pacientes que possuem diagnóstico de afasia possuem um grande impacto nas suas atividades diárias, visto que a comunicação entre eles e o ambiente que os acercam está prejudicada.

cerebro

Como se classifica a afasia?

A classificação é heterogênea, visto que é resultado de uma combinação de diversos componentes característicos da linguagem, como: fluência verbal, compreensão, nomeação, repetição, leitura e escrita. Logo, sua manifestação clínica é variável, as principais síndromes de afasia estão explicitadas na tabela 1:

Tabela adaptada do livro DeJong’s the neurologic examination, 2005.

É importante ressaltar que há um grupo de doenças neurodegenerativas conhecidas por ter a afasia como manifestação clínica inicial e predominante, ocorrendo mesmo na ausência relativa de comprometimento cognitivo, comportamental ou motor. Esse grupo é denominado de afasias primárias progressivas (APP).

As afasias progressivas primárias se referem a um grupo raro de demência neurodegenerativa, que geralmente se desenvolve em indivíduos abaixo de 65 anos.

Os critérios diagnósticos para APP estão esclarecidos abaixo:

As manifestações clínicas das APP não seguem o padrão clássico de classificação das afasias já citados na Tabela 1, mas sim por algumas características singulares.

Esse grupo de doenças apresenta 3 variantes principais:

  1. Afasia Progressiva Primária – Variante Logopênica
    Indivíduos com essa forma de afasia apresentam fluência, repetição e gramatismo preservados, embora o discurso seja vago e marcado por circunvoluções. Há comprometimento na compreensão de palavras simples e em nomeação. A etiologia mais comum dessa variante é Doença de Alzheimer.
  2. Afasia Progressiva Primária – Variante Semântica 
    Indivíduos com essa forma de afasia apresentam discurso fluente, marcado por parafasias e circunvoluções nas frases. Há uma importante interferência na compreensão de palavras simples. Dislexia e disgrafia de superfície são características marcantes. A etiologia mais comumente associada é referente à patologia TDP.
  3. Afasia Progressiva Primária – Variante Agramática 
    Indivíduos com essa forma de afasia apresentam discurso não fluente, sendo observada características marcantes como agramatismo e apraxia de fala. Uma das etiologias mais comuns é a patologia associada à proteína tau.

O tratamento geral das afasias, sendo ou não neurodegenerativas, está baseado em terapia fonoaudiológica. A terapia de fala consiste em:

  • Auxiliar a armazenar o máximo de fala e linguagem possível;
  • Estimular atividade e participação no ato de comunicação;
  • Encontrar caminhos alternativos de comunicação;
  • Providenciar informações sobre afasia tanto ao paciente como familiares, amigos e cuidadores.

Autoria

Foto de Danielle Calil

Danielle Calil

Conteudista médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fellow em Neurologia Cognitiva e Anormalidades do Movimento pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre no Programa de Pós Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto na UFMG e, atualmente, cursando o doutorado na mesma instituição. Além da atuação na Afya, também atende em consultório particular e em rede secundária no SUS.

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