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Neurologia29 abril 2026

Síndrome de Eagle: o que saber sobre o diagnóstico e tratamento?

Com diagnóstico essencialmente clínico, a Síndrome de Eagle se manifesta através de dores intensas na região da cabeça e pescoço
Por Victor Fiorini

A Síndrome de Eagle é uma condição clínica decorrente do alongamento do processo estiloide ou da calcificação do ligamento estilohioideo. Ela se manifesta através de dores intensas na região da cabeça e pescoço, podendo ser frequentemente confundida com outras patologias orofaciais. O manejo assertivo depende da diferenciação entre a sua forma clássica e a variante vascular.

Síndrome de Eagle: o que saber sobre o diagnóstico e tratamento?

Diagnóstico clínico e identificação de sintomas

O diagnóstico da síndrome de Eagle é essencialmente clínico e deve ser suspeitado em pacientes que apresentam um quadro de dor crônica na região cervical ou orofacial. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Desconforto Faríngeo: Sensação persistente de corpo estranho na faringe, odinofagia (dor ao engolir) e disfagia.
  • Dores Irradiadas: Otalgia (dor de ouvido) e dor exacerbada ao movimentar o pescoço.
  • Manifestações Vasculares: Em casos graves, podem ocorrer sintomas neurológicos ou até a dissecção da artéria carótida devido à compressão extrínseca pelo processo estiloide.
  • Exame Físico: A palpação do processo estiloide através da fossa tonsilar costuma revelar dor aguda, sendo um sinal clínico fortemente sugestivo.

Confirmação por imagem: o padrão-ouro

Embora a suspeita seja clínica, a confirmação diagnóstica e o planejamento terapêutico dependem da tecnologia de imagem:

  • Tomografia Computadorizada (TC): A TC com reconstrução tridimensional é o padrão-ouro, pois permite a visualização espacial precisa da anatomia local.
  • Critérios Radiológicos: Identifica-se a elongação do processo estiloide (geralmente superior a 25-30 mm), além de angulações anômalas ou a calcificação do ligamento estilohioideo.

Abordagem terapêutica: do conservador ao cirúrgico

O tratamento deve ser individualizado conforme a gravidade dos sintomas e o risco de complicações neurovasculares.

Manejo Conservador

Indicado para casos leves ou pacientes sem evidências de risco vascular. O protocolo inclui:

  • Farmacoterapia: Uso de analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINES) e corticoides.
  • Controle da dor neuropática: Antidepressivos ou anticonvulsivantes podem ser associados para modular a dor crônica.
  • Terapias adjuvantes: A fisioterapia auxilia na melhora da mobilidade e redução da tensão muscular cervical.

Intervenção cirúrgica (estiloidectomia)

Nos casos refratários ao tratamento clínico ou em apresentações graves (especialmente na variante vascular), a estiloidectomia (ressecção do processo estiloide) é o tratamento de escolha.

  • Vias de Acesso: Pode ser realizada por via intraoral ou extraoral, ambas com baixo risco de complicações e alta eficácia.
  • Prognóstico: A cirurgia proporciona a resolução completa ou significativa dos sintomas em mais de 95% dos pacientes, apresentando uma taxa de recidiva extremamente baixa.

O sucesso do tratamento reside na identificação precoce da síndrome, garantindo que o paciente receba o suporte adequado antes da evolução para complicações vasculares permanentes.

Autoria

Foto de Victor Fiorini

Victor Fiorini

Médico formado pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Residência de Clinica Médica pela UNIFESP. Residência de Neurologia Clínica pelo HCFMUSP. Professor de Neurologia na Afya Educação Médica. Professor de Urgências e Emergências do Hospital Israelita Albert Einstein. Professor de Neurologia do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo (2013-2024). Autor de capítulos de Livros na Área de Neurologia. Médico do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

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