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Neurologia13 janeiro 2025

Segurança e eficácia de AAS após cirurgia para hemorragia cerebral espontânea 

Estudo investigou a segurança e a eficácia do início precoce versus tardio da terapia antiplaquetária após a cirurgia para hemorragia cerebral espontânea 
Por Jesus Ventura

O uso de antiagregantes plaquetários, como o AAS, é utilizado na prevenção de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares. Entretanto, o seu uso pode aumentar o risco de complicações hemorrágicas, principalmente em pacientes em contexto pós-cirúrgico. Não existem evidências sobre qual o período ideal no tempo pós-cirúrgico onde há segurança para o uso de AAS em pacientes acometidos por sangramento intracraniano espontâneo. Assim, o estudo E-start, conduzido na população chinesa, tenta responder a essa questão. 

Sobre o estudo 

Foi um estudo aberto, prospectivo, onde os pacientes eram randomizados em dois grupos:  introdução precoce de AAS (do 3º dia do pós-operatório até 90 dias) ou tardio (do 30º dia do pós-operatório até 90 dias). Foram considerados elegíveis pacientes de 18-70 anos, com hemorragia cerebral espontânea com indicação cirúrgica, alto risco para eventos isquêmicos (p.e. passado de AVC ou IAM) ou risco cardiovascular> 10%, não ter alergia ao AAS, escore de Caprini > 2. O desfecho primário foi considerado ocorrência de eventos cerebrovasculares, cardiovasculares ou vasculares maiores dentro de 90 dias. Já o desfecho de segurança foi a ocorrência de hemorragia intracraniana dentro de 90 dias.  

Foram 134 pacientes no grupo onde o AAS foi introduzido de forma precoce e 135 pacientes onde foi introduzido tardiamente. Maior parte dos hematomas eram supratentoriais e profundos. Ocorreram eventos cardiovasculares em 27 pacientes no grupo precoce e 42 no grupo tardio (OR 0,56 [95% CI 0,32–0,98]; p=0,041); já os sangramentos ocorreram em 1 paciente no grupo precoce e em 4 pacientes no grupo tardio. 

Segurança e eficácia de AAS após cirurgia para hemorragia cerebral espontânea 

Discussão: AAS após cirurgia para hemorragia cerebral espontânea 

O estudo evidenciou que não houve aumento de taxas de complicações hemorrágicas no grupo onde o AAS foi introduzido de forma precoce (incidência de hemorragia semelhante nos dois grupos). Além disso, houve diferença na incidência de complicações cardiovasculares nos dois grupos, sendo maior no grupo onde foi retardada a introdução do AAS.  

É necessário reforçar que foi um estudo conduzido na população chinesa, sendo suas interpretações a outras etnias limitadas. Outro ponto diz respeito ao tipo e localização do sangramento, havendo dificuldade em extrapolar as conclusões do estudo para outras formas de sangramento (p.e. infratentoriais). Assim, são necessários estudos multicêntricos e abrangendo diferentes populações, para avaliar a real segurança e replicação desses dados.  

Considerações práticas 

  • O retorno do AAS após cirurgia para sangramento intracraniano em pacientes com risco vascular elevado deve ser avaliado caso a caso.  
  • O estudo acima indica a segurança em utilizar tal medicação nessas circunstâncias, mesmo de forma precoce, porém não existem estudos robustos que assegurem a sua introdução precoce em pacientes com risco de eventos vasculares, em diferentes populações, como no Brasil.  

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Referências bibliográficas

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