A doença de Parkinson é condição neurodegenerativa, que afeta progressivamente a mobilidade do indivíduo, pelo comprometimento da velocidade do movimento (bradicinesia), associada a rigidez, tremor e alterações de marcha. A base terapêutica da doença está nas medicações que aumentam a disponibilidade dopaminérgica, sendo a levodopa a medicação base nesse tratamento.
Com o avanço da doença, há necessidade de realizar ajustes no tratamento, devido fenômenos relacionados ao encurtamento de dose da levodopa (wearing off), flutuações motoras, discinesias incapacitantes e imprevisibilidade de efeito da levodopa. Nessa fase, o paciente pode-se beneficiar de terapias avançadas de tratamento. Dentre a opções disponíveis atualmente no Brasil, está a terapia cirúrgica, com estimulação cerebral contínua (DBS).
Porém, nem todos os pacientes são candidatos a terapia cirúrgica, ou mesmo apresentam contraindicações cognitivas ou estruturais que inviabilizam tal tratamento. Nesse cenário, ter a opção de infusão de levodopa subcutânea, na formulação de Foslevodopa/Foscarbidopa, passa a ser um importante avanço no manejo de pacientes com doença de Parkinson avançada. Assim, no último dia 25/05/2026, a Anvisa aprovou esta medicação no Brasil, sendo um marco para os pacientes com doença de Parkinson no país.

Sobre a medicação
A Foslevodopa/Foscarbidopa é uma formulação solúvel, contendo pró-fármaco da levodopa/carbidopa, que permite a administração via subcutânea, por meio de infusão contínua. Após a administração subcutânea, a medicação é convertida em levodopa/carbidopa, por meio da ação de fosfatases alcalinas. É utilizada para o tratamento de flutuações motoras da doença de Parkinson.
A via de administração é subcutânea, por meio de um dispositivo conectado a uma bomba de infusão, geralmente localizado no abdômen. A dose é calculada individualmente, baseado no equivalente de medicação dopaminérgica oral diário que o paciente utiliza.
Quais as indicações
A terapia de infusão contínua de levodopa é uma opção de tratamento avançado na doença de Parkinson, indicada para pacientes com doença de Parkinson avançada, com flutuações motoras importantes, imprevisibilidade de efeito on/off e discinesias, onde a absorção intestinal da medicação passa a ser errática, comprometendo a biodisponibilidade da medicação. É opção em pacientes com contraindicações a terapia cirúrgica e cujo manejo via oral está subótimo.
Quais os cuidados devem ser tomados?
O paciente precisa ter boa resposta prévia ao uso de levodopa, porém sem controle adequado com medicações via oral. O paciente deve ter capacidade cognitiva para o manejo do dispositivo. Evitar tal medicação em pacientes com psicose não compensada. Deve-se tomar cuidados com a pele, evitando o implante do dispositivo em pele ferida e infecções ativas. Podem acontecer reações cutâneas no local da infusão, como eritema, edema ou até mesmo celulite. Monitorar efeitos colaterais, como sintomas neuropsiquiátricos e hipotensão postural.
Mensagem prática
A aprovação da Foslevodopa/Foscarbidopa é um avanço nas opções de tratamento disponíveis em pacientes com Parkinson no Brasil. Entretanto, ainda são necessários passos relacionados a precificação e comercialização da medicação. Não há previsão de incorporação ao SUS. Sua prescrição e ajuste de dose deve ser individualizado e feito por médicos experientes no manejo de doença de Parkinson e terapias avançadas.
Autoria

Jesus Ventura
Médico graduado pela AFYA Faculdade de Ciências Médicas de Ipatinga em 2017. Neurologista formado no HCUFMG de 2018 a 2021. Neurologista assistente do IPSEMG. Professor na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais.
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