Paciente masculino, 67 anos, com diagnóstico prévio de neoplasia gastrointestinal avançada, em acompanhamento oncológico, portador de sonda de gastrostomia para suporte nutricional. Durante tentativa recente de troca da sonda, o procedimento foi malsucedido, com suspeita clínica de extravasamento de conteúdo gástrico para a cavidade abdominal, sem sinais iniciais de instabilidade hemodinâmica.
Diante da preocupação com possível contaminação intra-abdominal, foi iniciada antibioticoterapia empírica com ciprofloxacino e metronidazol, em doses terapêuticas habituais, com ajuste para função renal, que era previamente normal. O paciente não possuía história pessoal de epilepsia, crises convulsivas prévias ou uso de drogas ilícitas.
Não fazia uso de outros medicamentos reconhecidamente pró-convulsivantes. Após sete dias de antibioticoterapia, o paciente evoluiu com crise convulsiva tônico-clônica generalizada. Foi encaminhado ao pronto atendimento.
Veja também: Caso clínico: Paciente com fadiga constante e dificuldade de concentração
Qual fator culminou na crise convulsiva?
AMetástase cerebral não detectada nos exames iniciais
BNeurotoxicidade associada ao uso de ciprofloxacino
CCrise epiléptica secundária à encefalopatia metabólica subclínica relacionada ao câncer
DEpilepsia secundária à idade avançada
Autoria

Danielle Calil
Conteudista médica na Afya. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Neurologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fellow em Neurologia Cognitiva e Anormalidades do Movimento pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre no Programa de Pós Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto na UFMG e, atualmente, cursando o doutorado na mesma instituição. Além da atuação na Afya, também atende em consultório particular e em rede secundária no SUS.
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