As opções de tratamento cirúrgico para a apneia obstrutiva do sono incluem procedimentos direcionados à modificação das estruturas do trato respiratório superior, indicados principalmente para pacientes intolerantes à terapia com pressão positiva (PAP) ou quando há anormalidades anatômicas evidentes. As principais técnicas são:
Uvulopalatofaringoplastia (UPFP)
Ressecção da úvula e parte do palato mole, indicada para casos de obstrução orofaríngea. Reduz o índice de apneia-hipopneia (IAH), mas a seleção de pacientes é fundamental, sendo geralmente excluídos pacientes com IMC >35.
Avanço maxilomandibular
Osteotomias do maxilar e mandíbula com avanço de aproximadamente 10 mm, ampliando o espaço aéreo. É o procedimento cirúrgico mais eficaz, com redução média de 80% no IAH, especialmente em casos de obstrução multissegmentar.
Estimulação do nervo hipoglosso
Técnica aprovada pela FDA nos EUA, indicada para pacientes com OSA moderada a grave, IMC ≤32, intolerantes ao PAP. Consiste na implantação de eletrodo no nervo hipoglosso, ativado durante o esforço inspiratório, promovendo protrusão da língua e abertura da via aérea. Resultados sustentados em redução do IAH e melhora clínica.
Cirurgias de base de língua
Incluem ressecção por radiofrequência, coblation ou cirurgia robótica transoral (TORS), indicadas para obstrução retrolingual, com eficácia semelhante a outros métodos.

Cirurgias nasais e de palato
Septoplastia, turbinectomia, tonsilectomia e palatoplastia podem ser realizadas isoladamente ou como parte de abordagem multissegmentar, especialmente quando há obstrução nasal significativa.
Traqueostomia
Reservada para casos graves refratários, raramente utilizada atualmente.
Indicações da American Academy of Sleep Medicine e prognóstico
A American Academy of Sleep Medicine recomenda que a cirurgia seja considerada como uma terapia de resgate ou adjuvante após a falha das opções não invasivas. Em cenários de extrema gravidade e refratariedade, a traqueostomia permanece como uma opção de reserva, embora sua utilização seja rara nos dias atuais devido ao desenvolvimento de técnicas menos invasivas.
O sucesso do tratamento cirúrgico para a apneia obstrutiva do sono depende diretamente de uma avaliação precisa do padrão anatômico da obstrução e da gravidade da apneia. Além do IMC, as preferências do paciente e o impacto na qualidade de vida devem nortear a decisão médica. Quando bem indicada, a cirurgia não apenas reduz os índices de apneia, mas também melhora a arquitetura do sono e reduz os riscos cardiovasculares associados à hipóxia intermitente.
Autoria

Victor Fiorini
Médico formado pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. Residência de Clinica Médica pela UNIFESP. Residência de Neurologia Clínica pelo HCFMUSP. Professor de Neurologia na Afya Educação Médica. Professor de Urgências e Emergências do Hospital Israelita Albert Einstein. Professor de Neurologia do Curso de Medicina do Centro Universitário São Camilo (2013-2024). Autor de capítulos de Livros na Área de Neurologia. Médico do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.