A coleta de amostras de sangue para sua posterior análise laboratorial é um procedimento do dia a dia de profissionais de saúde e pacientes. Ele é realizado de rotina por diferentes classes da área da saúde (ex.: técnicos de laboratório e de enfermagem, biomédicos, biólogos, farmacêuticos, médicos, enfermeiros), em diversos estabelecimentos (ex.: laboratórios clínicos, postos de saúde, hospitais, consultórios, clínicas).
Apesar de ser um processo relativamente simples, a escolha de um local adequado para punção é determinante para o sucesso da coleta, mitigando possíveis intercorrências e riscos aos pacientes e/ou à integridade dos resultados.

Seleção do sítio para a venopunção
Veias que passam pela fossa cubital (depressão triangular localizada na região anterior do cotovelo e parte interna do braço) são relativamente calibrosas e superficiais, sendo as mais indicadas e utilizadas na prática clínica.
As principais veias da fossa cubital para a coleta sanguínea, em ordem de preferência, são:
- Veia cubital mediana;
- Veia cefálica;
- Veia basílica*.

- A) veia cubital mediana|B) veia cefálica | C) veia basílica
*Devido à proximidade e risco de lesão da artéria braquial e do nervo ulnar, não se recomenda a veia basílica como uma escolha inicial.
Caso, por algum motivo, haja impossibilidade de punção das veias da fossa cubital (ex.: recém-nascidos, crianças, pacientes em que a veia não pode ser vista), as veias da região dorsal da mão são uma alternativa.
Pode-se usar, como um complemento, alguns equipamentos disponíveis no mercado que auxiliam a punção venosa através do mapeamento das veias periféricas por luz infravermelha, evidenciando-as.
Veja também: Punção venosa periférica: passo a passo seguro
Locais inadequados
Tão importante quanto saber onde e como escolher as melhores veias, conhecer os sítios que possuem restrições à coleta venosa é crucial para uma boa prática, cujas situações, locais e suas respectivas justificativas elencamos a seguir:
- Requer avaliação e permissão médica prévia:
– Extremidades inferiores (risco de tromboflebite e necrose tecidual, em pacientes com coagulopatias e diabéticos, respectivamente);
– Membro superior ipsilateral à uma mastectomia (risco de linfedema e eventuais resultados inconsistentes dos exames);
- Deve ser evitado:
– Acima ou abaixo da infusão de fluidos ou através de um dispositivo de acesso vascular (hemólise e/ou possível contaminação do sangue com os fluidos provenientes de infusão);
– Cicatrizes extensas, incluindo as causadas por queimaduras (problemas na palpação e inserção da agulha, além da dificuldade em se detectar reações adversas);
– Locais edematosos (risco de resultados alterados dos exames);
– Sítios inflamados, incluindo as tatuagens inflamadas (dor ao paciente e potencial de complicações no local);
– Hematomas (desconforto ao paciente e risco de erro nos exames);
– Membro afetado por AVE ou lesão (incapacidade do paciente em relatar ou detectar alguma reação adversa pelo procedimento, como dor, infecção, lesão nervosa);
- Não deve ser usado:
– Artérias (apresenta um risco notavelmente maior de complicações, além da possibilidade de má interpretação dos resultados);
– Locais infectados (além da dor, aumenta o risco de resultados alterados e da possibilidade da piora da infecção);
– Veias na superfície lateral e anterior do punho (risco aumentado de lesões tendinosas, nervosas e arteriais);
– Fístula, membro com fístula ou enxerto vascular (ameaça à integridade dos vasos, com potencial de complicações graves).
Mensagem final
A escolha apropriada da veia é uma fase que precede a venopunção (flebotomia), contribuindo diretamente para o seu sucesso e, por conseguinte, da integridade do paciente e da análise laboratorial da amostra.
Todavia, mesmo na fossa cubital – local considerado como o de escolha – passam artérias e nervos importantes que podem, inadvertidamente, serem lesados durante o procedimento. Ademais, há de se considerar a possibilidade de ocorrer variações anatômicas dessas estruturas, dificultando ainda mais o processo.
Dessa forma, a seleção cuidadosa da veia e a sua posterior punção deve ser realizada por profissionais com conhecimento da anatomia da região, de modo a evitar possíveis complicações do procedimento.
Autoria

Pedro Serrão Morales
Editor de Medicina Laboratorial da Afya • Graduação em Medicina pela Universidade Gama Filho (UGF) • Residência Médica em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) • Membro titular da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) • Pós-Graduado em Medicina do Trabalho pela Faculdade Souza Marques (FTESM) • Responsável Técnico do Laboratório Morales (Grupo Tommasi) • Médico Patologista Clínico do Laboratório Central do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF) • Médico do corpo clínico do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP).
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