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Medicina Laboratorial7 março 2026

Punção venosa: quais são os sítios preferenciais para a coleta de sangue?

Punção venosa: como escolher a melhor veia para coleta de sangue, locais indicados, contraindicações e riscos da punção inadequada.

A coleta de amostras de sangue para sua posterior análise laboratorial é um procedimento do dia a dia de profissionais de saúde e pacientes. Ele é realizado de rotina por diferentes classes da área da saúde (ex.: técnicos de laboratório e de enfermagem, biomédicos, biólogos, farmacêuticos, médicos, enfermeiros), em diversos estabelecimentos (ex.: laboratórios clínicos, postos de saúde, hospitais, consultórios, clínicas). 

Apesar de ser um processo relativamente simples, a escolha de um local adequado para punção é determinante para o sucesso da coleta, mitigando possíveis intercorrências e riscos aos pacientes e/ou à integridade dos resultados.   

Seleção do sítio para a venopunção  

Veias que passam pela fossa cubital (depressão triangular localizada na região anterior do cotovelo e parte interna do braço) são relativamente calibrosas e superficiais, sendo as mais indicadas e utilizadas na prática clínica.  

As principais veias da fossa cubital para a coleta sanguínea, em ordem de preferência, são: 

  1. Veia cubital mediana; 
  2. Veia cefálica; 
  3. Veia basílica*. 
Veias da fossa cubital
  1. A) veia cubital mediana|B) veia cefálica | C) veia basílica 

*Devido à proximidade e risco de lesão da artéria braquial e do nervo ulnar, não se recomenda a veia basílica como uma escolha inicial.  

Caso, por algum motivo, haja impossibilidade de punção das veias da fossa cubital (ex.: recém-nascidos, crianças, pacientes em que a veia não pode ser vista), as veias da região dorsal da mão são uma alternativa.  

Pode-se usar, como um complemento, alguns equipamentos disponíveis no mercado que auxiliam a punção venosa através do mapeamento das veias periféricas por luz infravermelha, evidenciando-as. 

Veja também: Punção venosa periférica: passo a passo seguro

Locais inadequados 

Tão importante quanto saber onde e como escolher as melhores veias, conhecer os sítios que possuem restrições à coleta venosa é crucial para uma boa prática, cujas situações, locais e suas respectivas justificativas elencamos a seguir:  

  • Requer avaliação e permissão médica prévia:  

– Extremidades inferiores (risco de tromboflebite e necrose tecidual, em pacientes com coagulopatias e diabéticos, respectivamente); 

– Membro superior ipsilateral à uma mastectomia (risco de linfedema e eventuais resultados inconsistentes dos exames); 

  • Deve ser evitado: 

– Acima ou abaixo da infusão de fluidos ou através de um dispositivo de acesso vascular (hemólise e/ou possível contaminação do sangue com os fluidos provenientes de infusão);  

– Cicatrizes extensas, incluindo as causadas por queimaduras (problemas na palpação e inserção da agulha, além da dificuldade em se detectar reações adversas); 

– Locais edematosos (risco de resultados alterados dos exames); 

– Sítios inflamados, incluindo as tatuagens inflamadas (dor ao paciente e potencial de complicações no local); 

– Hematomas (desconforto ao paciente e risco de erro nos exames); 

– Membro afetado por AVE ou lesão (incapacidade do paciente em relatar ou detectar alguma reação adversa pelo procedimento, como dor, infecção, lesão nervosa); 

  • Não deve ser usado: 

– Artérias (apresenta um risco notavelmente maior de complicações, além da possibilidade de má interpretação dos resultados); 

– Locais infectados (além da dor, aumenta o risco de resultados alterados e da possibilidade da piora da infecção); 

– Veias na superfície lateral e anterior do punho (risco aumentado de lesões tendinosas, nervosas e arteriais); 

– Fístula, membro com fístula ou enxerto vascular (ameaça à integridade dos vasos, com potencial de complicações graves). 

Mensagem final 

A escolha apropriada da veia é uma fase que precede a venopunção (flebotomia), contribuindo diretamente para o seu sucesso e, por conseguinte, da integridade do paciente e da análise laboratorial da amostra. 

Todavia, mesmo na fossa cubital – local considerado como o de escolha – passam artérias e nervos importantes que podem, inadvertidamente, serem lesados durante o procedimento. Ademais, há de se considerar a possibilidade de ocorrer variações anatômicas dessas estruturas, dificultando ainda mais o processo. 

Dessa forma, a seleção cuidadosa da veia e a sua posterior punção deve ser realizada por profissionais com conhecimento da anatomia da região, de modo a evitar possíveis complicações do procedimento. 

Autoria

Foto de Pedro Serrão Morales

Pedro Serrão Morales

Editor de Medicina Laboratorial da Afya • Graduação em Medicina pela Universidade Gama Filho (UGF) • Residência Médica em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) • Membro titular da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) • Pós-Graduado em Medicina do Trabalho pela Faculdade Souza Marques (FTESM) • Responsável Técnico do Laboratório Morales (Grupo Tommasi) • Médico Patologista Clínico do Laboratório Central do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF) • Médico do corpo clínico do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP).

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Referências bibliográficas

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