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Medicina Laboratorial10 fevereiro 2026

Lipoproteína e Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose

A nova diretriz de 2025 da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) trouxe atualizações importantes sobre os aspectos clínico-laboratoriais da avaliação da lipoproteína (a)

A lipoproteína (a), também conhecida como Lp(a), é um complexo macromolecular lipídico semelhante ao LDL (lipoproteína de baixa densidade), formado por duas apolipoproteínas, a ApoB-100 e a apolipoproteína(a) {componente proteico característico da Lp(a)}, ligadas entre si covalentemente por uma única ponte dissulfídica. 

Ela possui propriedades pró-aterogênicas (induz a formação de células espumosas nas paredes arteriais), além de efeitos pró-trombóticos {a apolipoproteína(a) se assemelha estruturalmente ao plasminogênio} e pró-inflamatórios (carga de fosfolipídios oxidados/radicais livres), estando, pois, relacionada ao risco cardiovascular. 

Uma característica interessante sobre a concentração sérica individual da Lp(a) é que ela é quase que constante ao longo da vida, sendo extensivamente determinada geneticamente (> 90%) e praticamente não influenciada por idade (na menopausa pode haver um discreto aumento), sexo (mulheres tendem a apresentar níveis de 5 a 10% superiores em relação aos homens), dieta, jejum ou estilo de vida. 

Já do ponto de vista da sua determinação laboratorial, os métodos analíticos disponíveis atualmente apresentam uma variação analítica considerável, notadamente devido à grande heterogeneidade estrutural/tamanho da apolipoproteína(a).  

Dessa forma, deve-se dar preferência aos ensaios cujo efeito do tamanho da isoforma seja minimizado, aferindo a concentração de partículas circulantes (em nmol/L), em detrimento aos que avaliam a concentração da massa de Lp(a) (em mg/dL). Adicionalmente, devido a sua baixa acurácia, a conversão direta de unidades de massa (mg/dL) em unidades molares (nmol/L) não é recomendada. 

Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 

Lançada em setembro de 2025 em São Paulo (SP), durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, a nova Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose expôs algumas recomendações acerca da Lp(a), as quais estão relatadas a seguir: 

  1. Na população geral, é recomendada a dosagem de Lp(a) uma vez na vida, quando disponível, para auxiliar na estratificação de risco e/ou manejo terapêutico (Força da recomendação: Forte; Certeza da evidência: Moderada); 
  2. Em populações específicas, como aquelas com doença arterial coronariana (DAC) precoce, estenose aórtica, hipercolesterolemia familiar (HF), história familiar de Doença Cardiovascular Aterosclerótica (DCVA) precoce ou de Lp(a) aumentada, é recomendada a dosagem de Lp(a) uma vez na vida, quando disponível, para auxiliar na estratificação de risco e/ou manejo terapêutico. (Força da recomendação: Forte; Certeza da evidência: Alta); 
  3. Recomenda-se como método preferencial para medir a Lp(a) um ensaio que seja independente da isoforma, ou seja, que meça o número de partículas por litro (nmol/L). A dosagem por unidade de massa (mg/dL) deve ser evitada. As fórmulas de conversão não corrigem a diferença entre os métodos e não são recomendadas. (Força da recomendação: Forte; Certeza da evidência: Alta); 
  4. A medida da Lp(a) por ensaio não independente da isoforma, ou seja, que mede unidades de massa (mg/dL), pode ser usada quando for a única disponível. (Força da recomendação: Forte; Certeza da evidência: Alta); 
  5. Em indivíduos com níveis aumentados de Lp(a) (≥ 50 mg/dL ou ≥ 125 nmol/L), cuja concentração é predominantemente determinada geneticamente, é recomendada a investigação em cascata nos familiares para auxiliar na identificação de outros possíveis portadores e na avaliação precoce do risco cardiovascular. (Força da recomendação: Forte; Certeza da evidência: Alta); 

Mensagem final 

A Lp(a) é uma partícula de crescente interesse clínico, sendo considerada um importante marcador de risco cardiovascular, embora ainda desconhecida por parte da população geral e pouco avaliada de rotina na prática médica. 

A fim de auxiliar na estratificação de risco e/ou manejo terapêutico, sua determinação como triagem, em todos os indivíduos, deve ser realizada uma vez na vida (devido a estabilidade de seus níveis ao longo do tempo, avaliações repetidas de suas concentrações não são necessárias). 

Autoria

Foto de Pedro Serrão Morales

Pedro Serrão Morales

Editor de Medicina Laboratorial da Afya • Graduação em Medicina pela Universidade Gama Filho (UGF) • Residência Médica em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) • Membro titular da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) • Pós-Graduado em Medicina do Trabalho pela Faculdade Souza Marques (FTESM) • Responsável Técnico do Laboratório Morales (Grupo Tommasi) • Médico Patologista Clínico do Laboratório Central do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/UFF) • Médico do corpo clínico do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP).

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