Os exames laboratoriais são parte fundamental para uma boa prática clínica, possibilitando, sempre em conjunto com os dados clínicos, condutas médicas mais assertivas. Um resultado inconsistente pode levar a decisões equivocadas, colocando, em última análise, os pacientes em risco.
Dessa maneira, é um compromisso inegociável – por parte dos Laboratórios Clínicos, dos profissionais da área e dos órgãos regulatórios – a busca pela excelência analítica, utilizando-se de todos os meios necessários e baseados nas melhores práticas.

Programa de Garantia da Qualidade (PGQ)
Uma das principais formas dos Laboratórios Clínicos assegurarem a confiabilidade dos seus resultados analíticos, mitigando erros, se dá por meio dos Programas de Garantia da Qualidade (PGQ).
Eles têm por objetivo o monitoramento dos resultados obtidos através da análise de amostras controle, a fim de estabelecer a precisão, exatidão e desempenho do processo analítico, por meio do uso do Controle Interno da Qualidade (CIQ) e do Controle Externo da Qualidade (CEQ), este último também conhecido como Ensaio de Proficiência (EP).
O CIQ é o responsável pelo monitoramento contínuo, a cada corrida analítica, da precisão e reprodutibilidade do sistema analítico, de modo a manter a variabilidade dos resultados dentro dos limites de tolerância pré-definidos.
Ele ajuda a identificar, por exemplo, erros de manipulação, eventuais degradações dos reagentes e tendências de resultados, antes da utilização dos ensaios/aparelhos em amostras reais.
Já o CEQ/EP é dedicado a determinar, em rodadas periódicas (ex.: mensais, trimestrais) lideradas por provedores de Programas de Ensaios de Proficiência da iniciativa privada, a exatidão e o desempenho do processo analítico com base em comparações interlaboratoriais dos resultados analisados de amostras controle.
A comparação com outros participantes que utilizam as mesmas plataformas analíticas/metodologias e kits diagnósticos, permite detectar e, posteriormente, investigar e corrigir, desvios analíticos, identificando erros sistemáticos e/ou aleatórios.
O que destacar sobre o PGQ?
Dessa forma, podemos destacar os pontos e características mais importantes dos Programas de Garantia da Qualidade (PGQ):
- Todo serviço que executa as atividades relacionadas aos Exames de Análises Clínicas (EAC) deve implementar, obrigatoriamente, o Programa de Garantia da Qualidade (PGQ), com registros (em meio físico ou eletrônico) que evidenciem a sua execução;
- A Gestão do Controle da Qualidade (GCQ), composta, ao menos, pela realização do Controle Interno da Qualidade (CIQ) e do Controle Externo da Qualidade (CEQ), deve ser documentada, tendo sua efetividade monitorada pelo Responsável Técnico por meio de indicadores de desempenho;
- O Serviço que executa EAC deve realizar o CIQ e o CEQ em todos os equipamentos em uso, para todos os analitos executados. Quando não disponíveis comercialmente, deve-se adotar formas alternativas de avaliação da precisão e exatidão do sistema analítico descritas na literatura científica;
- Devem ser mantidos e disponíveis os registros dos resultados dos programas de CIQ e CEQ/Ensaios de Proficiência (EP);
- As amostras controles devem ser analisadas da mesma forma que as amostras dos pacientes;
- O PGQ é um tópico obrigatório de capacitações e treinamentos periódicos como parte dos Programas de Educação Permanente.
Mensagem final
O Controle Interno (CIQ) e Externo da Qualidade (CEQ)/Ensaio de Proficiência (EP) são aliados, e partes indissociáveis, da gestão da fase analítica dos exames de análises clínicas. Enquanto o CIQ acompanha diariamente a precisão dos exames, o CEQ/EP avalia e compara seu desempenho junto a outros laboratórios pares.
Muito mais do que atender às exigências regulatórias, normativas e de acreditações, a condução adequada de um Programa de Garantia da Qualidade (PGQ) possibilita, na rotina, a detecção precoce de eventuais não conformidades analíticas. Esse programa dá a oportunidade de uma rápida tomada de ações preventivas e/ou corretivas por parte dos Laboratórios Clínicos, fortalecendo a confiabilidade dos resultados reportados e, por conseguinte, à segurança dos pacientes.
Autoria

Pedro Morales
Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Gama Filho (UGF), com residência médica em Patologia Clínica/Medicina Laboratorial pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Além da atuação na Afya, é o responsável técnico do Laboratório Morales, é médico patologista clínico do Laboratório Central do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP-UFF) e membro do corpo clínico do Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP - SES/RJ).
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