O Ministério da Saúde atualizou os critérios para indicação e autorização do uso do fostensavir no Sistema Único de Saúde, ampliando o acesso ao medicamento para pessoas vivendo com HIV ou AIDS que apresentam infecção por vírus multirresistente. A mudança foi formalizada por meio da Nota Técnica nº 68/2026 e busca antecipar o acesso a alternativas terapêuticas para pacientes com poucas opções de tratamento disponíveis.
A medida representa um avanço na assistência a casos considerados mais complexos, reduzindo a necessidade de esgotar todas as linhas terapêuticas antes da avaliação para uso do medicamento.
Saiba mais: Fostensavir: Ministério da Saúde orienta o uso no tratamento do HIV

O que muda com a atualização para o fostensavir
O fostensavir é indicado para adultos com HIV-1 multirresistente e falha virológica, sendo utilizado em combinação com outros antirretrovirais. Até então, o acesso ao medicamento seguia critérios mais restritivos. Com a atualização, a avaliação para uso da terapia poderá ocorrer mais precocemente. Entre as mudanças estão a ampliação das possibilidades de solicitação para pacientes com histórico de utilização de múltiplas classes de antirretrovirais e evidências de resistência aos tratamentos já empregados.
A nova orientação também permite que casos com forte suspeita clínica de multirresistência sejam analisados mesmo quando não há histórico completo de exames de genotipagem, ampliando o acesso de pacientes que enfrentam dificuldades no controle da infecção.
Leia ainda: Teste de DNA para HPV detecta até seis vezes mais infecções que Papanicolau
Alternativa para pacientes com poucas opções terapêuticas
O medicamento integra o conjunto de terapias destinadas a pessoas que não respondem adequadamente aos esquemas convencionais. Ao atuar por um mecanismo diferente dos antirretrovirais tradicionais, o fostensavir amplia as possibilidades de supressão viral em pacientes com resistência acumulada a diversos medicamentos.
O objetivo é aumentar as chances de recuperação da resposta ao tratamento, melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de progressão da doença.
Leia também: HIV e Aids: fisiopatologia, diagnóstico e avanços no tratamento
Estratégia amplia cuidado integral
A atualização faz parte das ações do Ministério da Saúde para fortalecer a resposta nacional ao HIV. O Brasil mantém uma das maiores políticas públicas de enfrentamento da infecção no mundo, com acesso universal e gratuito ao diagnóstico, acompanhamento clínico e terapia antirretroviral pelo SUS.
Além do tratamento, a estratégia inclui a oferta de profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP), distribuição de preservativos e autotestes, ampliação da testagem e monitoramento contínuo da carga viral e dos níveis de CD4. Com a revisão dos critérios para uso do fostensavir, a pasta reforça a incorporação de tecnologias voltadas aos pacientes que mais necessitam de opções terapêuticas avançadas.
Autoria
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.
