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Infectologia24 fevereiro 2026

CROI 2026: Evidências sobre hipertensão arterial em pessoas vivendo com HIV

Os resultados do estudo REPRIEVE foram apresentados no CROI 2026. 

Entre os dias 22 e 25 de fevereiro de 2026, está acontecendo a 33ª Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI 2026), na cidade de Denver, Colorado. 

A relação entre a infecção pelo HIV e fatores cardiovasculares, como perfil lipídico e hipertensão arterial sistêmica (HAS), é um tema que vem sendo muito estudado nos últimos anos. 

Estudo

Recentemente, o estudo REPRIEVE avaliou o efeito de pitavastatina e eventos cardiovasculares em pessoas vivendo com HIV (PVHIV). Seus resultados em relação ao desenvolvimento de HAS foram discutidos em uma das plenárias do CROI 2026. 

O REPRIEVE recrutou 7.769 PVHIV com risco cardiovascular baixo a moderado para receber pitavastatina ou placebo. Para essa análise, os participantes de pesquisa com diagnóstico prévio de HAS foram excluídos, deixando 4.989 participantes incluídos. 

Após uma mediana de 5 anos de seguimento, 668 dos 4.989 participantes (13,4%) desenvolveram HAS, o que representa uma incidência de 27,1/1000 pessoas-ano. A taxa de incidência foi maior no grupo placebo (29,6/1000 pessoas-ano) do que no grupo que recebeu pitavastatina (24,7/1000 pessoas-ano). A análise estatística mostrou que o uso de pitavastatina esteve associado à redução no risco de HAS, com um HR = 0,83 (IC 95% = 0,71 – 0,97; p = 0,017). 

Fatores preditores independentes para desenvolvimento de HAS incluíram idade mais velha, IMC mais elevado, síndrome metabólica, ser negro (em países de renda elevada) e carga de doença da região (mais alta na África Subsaariana e mais baixa no leste e sudeste asiáticos). 

Entre os que apresentaram HAS incidente, 87% iniciaram tratamento com anti-hipertensivos, com 60% alcançando controle no primeiro ano de terapia e mais de 70% em 2 a 4 anos. Aproximadamente 30% permaneceram sem controle da doença. 

Após ajuste por risco cardiovascular basal, desenvolvimento de HAS esteve associado com mais de duas vezes de risco de eventos cardiovasculares maiores, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório, doença arterial periférica, revascularização de artérias coronária, carótida ou periféricas, hospitalização por angina instável e óbito. Esse efeito foi observado tanto no grupo placebo quanto no grupo que recebeu pitavastatina (HR = 2,1; IC 95% = 1,3 – 3,45; p = 0,002). 

Considerações finais

Os autores concluem que o uso de pitavastatina reduziu o desenvolvimento de HAS nessa população de PVHIV com risco cardiovascular baixo a moderado. Entretanto, HAS incidente esteve fortemente associado a maior risco de eventos cardiovasculares, independente do uso de estatina. 

Esses resultados ressaltam a importância da prevenção de desenvolvimento de HAS como forma de prevenir eventos cardiovasculares e que estatinas podem ter um papel estratégico nesse contexto.

Confira aqui as principais discussões do CROI 2026!

Autoria

Foto de Isabel Cristina Melo Mendes

Isabel Cristina Melo Mendes

Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ) ⦁ Graduação em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro

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