O Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional para reforçar a conscientização sobre a prevenção do HIV/Aids, principalmente entre os jovens brasileiros de 15 a 24 anos. Essa é a população mais afetada, conforme dados do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids 2022. A estimativa de 2021 aponta que 960 mil pessoas estão vivendo com o vírus no país. No mesmo ano, foram detectados 40,8 mil casos de HIV e 35,2 mil casos de Aids. Cerca de 727 mil estão em tratamento.
Dados revelados
O novo Boletim Epidemiológico de HIV/Aids revela ainda que há maior concentração dos casos de Aids em pessoas entre 25 e 39 anos: 51,7% dos casos do sexo masculino e 47,4% dos casos do sexo feminino pertencem a essa faixa etária.
Houve queda de 24,6% no coeficiente de mortalidade por Aids padronizado, que passou de 5,6 em 2011 para 4,2 óbitos por 100 mil habitantes em 2021, apesar do provável impacto da pandemia de covid-19 no coeficiente de mortalidade do último ano.
Esse cenário torna muito importante a disseminação de informações sobre o uso combinado de novos métodos de prevenção, como as profilaxias pré e pós exposição (PrEP e PEP). Em 2022, com a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), a recomendação da profilaxia foi atualizada para todos os adultos e adolescentes com mais de 15 anos sob risco de infecção, ampliando o acesso.
“A PrEP é a combinação de dois ARV em um só comprimido (Tenofovir + Emtricitabina) que deve ser tomado diariamente e que bloqueia alguns “caminhos” que o HIV usa para infectar o organismo. Já a profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) é um método de prevenção à infecção pelo HIV que consiste na utilização de antirretrovirais por pessoas que não estão infectadas pelo HIV, mas que se encontram altamente vulneráveis ao vírus”, explicou o gerente do Controle de Infecções Hospitalares do HSANP, o infectologista Milton Alves Monteiro Junior, em entrevista ao Portal de Notícias da PEBMED.
Além disso, a estratégia prioriza a promoção do uso de preservativos e do incentivo à testagem regular, fundamental para a detecção precoce do vírus entre a população mais jovem.
No portal do Ministério da Saúde, a pasta afirma que tem como prioridade a redução da mortalidade por Aids. Nesse sentido, foram elaboradas diversas estratégias para qualificação do cuidado e fortalecimento da rede de atenção e às pessoas com Aids Avançada, com a incorporação de novos insumos para detecção de infecções oportunistas.
Transmissão vertical
O boletim do Ministério da Saúde mostra que a taxa de detecção da Aids em menores de cinco anos apresentou queda nos últimos dez anos, passando de 3,4 casos a cada 100 mil habitantes em 2011 para 1,2 casos a cada 100 mil em 2021, o que corresponde a uma redução de 66%. Já a taxa de detecção de HIV em gestantes aumentou 35% no mesmo período.
Para a redução da transmissão vertical, a pasta afirma investir na qualificação do cuidado, acompanhamento e detecção precoce da doença. “A estratégia Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical fortalece as gestões locais do SUS para aprimorarem ações de vigilância, diagnóstico, assistência e tratamento das gestantes, além da capacitação de profissionais de saúde”, diz o Ministério da Saúde em seu portal.
Ainda neste mês de janeiro está prevista a distribuição do medicamento dolutegravir 5 mg, para crianças vivendo com HIV/Aids com mais de quatro semanas de vida.
“Os riscos do aumento e elevação de transmissibilidade da enfermidade na alta contaminação entre jovens, elevando os índices de pessoas contaminadas que possam proliferar o vírus e consequentemente perpetuá- lo na sociedade. Este aumento causa grandes danos à saúde e, por sua vez, o aumento do consumo de assistência à saúde e medicamentos. Sendo assim, é fundamental campanhas como essa para educar e conscientizar toda a população desde a adolescência, quanto à fisiologia, anatomia e abordagens sexuais e sexualidade, apresentando riscos para a saúde devido a alta exposição de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), patologias crônicas e tratamentos específicos. A utilização da tecnologia para o monitoramento de pessoas contaminadas, com ampla divulgação de prevenções também é fundamental”, pontuou o infectologista Milton Junior.
Capacitação de trabalhadores de saúde e gestores
O Ministério da Saúde também apresentou o Projeto de Reestruturação dos Centros de testagem e Aconselhamento (CTA), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que busca ofertar serviços específicos para os CTA integrada à rede de Atenção Primária, a principal porta de entrada do SUS.
“Um atendimento humanizado e com maior abertura de discussão para as doenças existentes, abordando o quanto as formas de prevenção contribuem para que a população mantenha uma vida saudável. De forma clara, objetiva e concisa é necessário discutir os sinais e sintomas que atuam na presença dos respectivos vírus relacionados às patologias. Sempre enfatizando a prevenção e os tratamentos disponibilizados”, concluiu o gerente do controle de infecções hospitalares do HSANP.
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