Foi publicada, em abril de 2026, na revista General Hospital Psychiatry, uma revisão sistemática com meta-análise que teve como objetivo estimar a prevalência e a incidência de sintomas depressivos, ansiosos e de insônia em mulheres na peri e pós-menopausa.
Métodos
A busca foi realizada nas bases de dados MEDLINE, Embase e Scopus, e o protocolo foi previamente registrado no PROSPERO e conduzido conforme as diretrizes do PRISMA. Para a meta-análise, utilizou-se o modelo de efeitos aleatórios, com apresentação das estimativas e intervalos de confiança de 95%. O risco de viés foi avaliado pela escala de Newcastle-Ottawa.
Principais resultados
Foram incluídos 102 estudos, totalizando mais de 1 milhão de participantes.
A prevalência pontual combinada de sintomas depressivos foi de 32% (IC 95%: 26%–37%) em mulheres na perimenopausa e 30% (IC 95%: 27%–34%) na pós-menopausa. A prevalência de período foi de 24% (IC 95%: 20%–29%) e 19% (IC 95%: 15%–23%), respectivamente. As taxas de incidência foram de 13% (IC 95%: 7%–22%) na perimenopausa e 5% (IC 95%: 2%–10%) na pós-menopausa.
A prevalência pontual de ansiedade foi de 29% (IC 95%: 15%–45%) na perimenopausa e 39% (IC 95%: 22%–57%) na pós-menopausa.
A prevalência pontual de insônia foi de 27% (IC 95%: 19%–37%) na perimenopausa e 42% (IC 95%: 34%–50%) na pós-menopausa.
O que os autores concluíram?
Aproximadamente uma em cada três mulheres apresenta sintomas de depressão, ansiedade e/ou insônia durante a transição menopausal, destacando a necessidade de rastreamento rotineiro em saúde mental e de um cuidado integrado e multidisciplinar.
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Interpretação dos dados
As análises de subgrupos demonstraram maiores prevalências quando foram utilizados instrumentos de rastreamento e durante a fase inicial da menopausa. A maioria dos estudos apresentou baixo ou moderado risco de viés.
O principal problema do estudo é a alta heterogeneidade (I² > 95%), o que sugere que os dados provêm de populações muito distintas, avaliadas com múltiplos instrumentos, limitando a generalização das estimativas.
Além disso, a maioria dos estudos utilizou ferramentas de rastreamento, o que pode superestimar a prevalência. Outro ponto relevante é que o diagnóstico de menopausa, na maioria dos estudos, foi autorreferido; embora seja um diagnóstico clínico, não houve padronização ou confirmação, o que compromete a homogeneidade da amostra.
O estudo reforça que sintomas psicológicos são comuns na transição menopausal e sustenta a necessidade de rastreamento sistemático e cuidado integrado. No entanto, devido à elevada heterogeneidade e ao uso predominante de instrumentos de triagem, os valores devem ser interpretados com cautela, evitando superdiagnóstico e medicalização excessiva.
Implicações clínicas
Na prática clínica, os achados reforçam a necessidade de investigar ativamente sintomas de ansiedade, depressão e insônia em mulheres na peri e pós-menopausa, apoiando a triagem sistemática.
Autoria
Sérgio Okano
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