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Ginecologia e Obstetrícia9 abril 2026

Recomendações da FIGO para a saúde mental na menopausa

Saúde mental na menopausa: recomendações da FIGO, sintomas, rastreio e abordagem terapêutica baseada em evidências.
Por Sérgio Okano

A atenção à mulher na menopausa tangencia inúmeras esferas de cuidado, sobretudo relacionadas aos impactos biológicos do hipoestrogenismo secundário à falência ovariana. Aproximadamente 30% da vida das mulheres será vivenciada na menopausa. A oscilação hormonal pode impactar a saúde mental das mulheres nessa fase, embora, até o momento, não existam recomendações padronizadas para o manejo da saúde mental. 

Pensando nisso, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) publicou, em fevereiro de 2026, um guia prático de recomendações para a saúde mental em mulheres na menopausa. 

Metodologia 

Trata-se de uma revisão narrativa, com construção de recomendações por consenso entre especialistas. A revisão baseou-se em 13 perguntas-chave, e a força da recomendação foi definida com base em uma escala Likert entre os especialistas. Mais de 70% deles concordaram com um nível forte de recomendação (pontuação 5) para oito das questões, enquanto cinco receberam níveis de recomendação alto e moderado. 

Principais apontamentos e recomendações do documento 

Sintomas mentais são comuns nessa fase; mulheres na perimenopausa tendem a apresentar maior risco do que aquelas na pré-menopausa. Sintomas ansiosos, labilidade emocional e depressão são mais frequentes em pacientes com sintomas vasomotores e história prévia de depressão. 

Tendências suicidas requerem atenção imediata de profissionais de saúde mental. 

A prevalência de transtornos mentais durante a menopausa em países de baixa e média renda varia devido à escassez de dados, influências culturais e heterogeneidade dos estudos. Dados nacionais são limitados nesses contextos. 

Profissionais de saúde devem utilizar ferramentas de rastreamento validadas para identificar mulheres em risco. A utilização de questionários, como o PHQ-9, deve fazer parte da rotina. 

Os clínicos devem utilizar a história clínica, os sintomas, dosagens hormonais e o julgamento clínico para diferenciar condições e evitar o uso excessivo de antidepressivos. 

O tratamento deve incluir modificações no estilo de vida, terapia cognitivo-comportamental e terapia hormonal, quando indicada. 

Uma abordagem holística, incluindo dieta, atividade física, práticas mente-corpo e suporte psicológico, pode auxiliar no manejo da saúde mental durante a menopausa. 

O aconselhamento deve incluir cônjuges e familiares. 

Os países devem implementar legislações que enfatizem dignidade, autonomia e acesso à saúde mental para mulheres, a fim de prevenir discriminação de gênero. 

Leia mais: Novo guideline europeu sobre menopausa: avaliação e tratamento

Na prática clínica 

De maneira objetiva, o documento endossa a necessidade de discutir e investigar sintomas depressivos, ansiosos e oscilações de humor em mulheres na perimenopausa, sobretudo no início dessa fase. A triagem pode ser sistematizada por meio de questionários estruturados, além do diagnóstico diferencial com exames laboratoriais e avaliação clínica. 

O tratamento hormonal deve ser considerado em mulheres com indicação, uma vez que a melhora da oscilação hormonal é essencial para a estabilização dos quadros de saúde mental; contudo, deve-se considerar avaliação especializada quando necessário. 

Por fim, recomenda-se uma abordagem holística no cuidado, com orientações comportamentais, sociais e psicológicas. 

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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Referências bibliográficas

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