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Ginecologia e Obstetrícia6 março 2026

Marsupialização é superior no tratamento do abscesso da glândula de Bartholin

O estudo teve como objetivo comparar a eficácia da marsupialização, do cateter de Word e da incisão e drenagem no manejo dos abscessos da glândula de Bartholin.

Um recente estudo foi publicado na revista International Journal of Gynecology & Obstetrics, com o título Marsupialization for the management of Bartholin’s gland abscesses: A systematic review and meta-analysis, com o objetivo de comparar a eficácia da marsupialização, do cateter de Word e da incisão e drenagem no manejo dos abscessos da glândula de Bartholin, avaliando principalmente taxas de recorrência, tempo de cicatrização, complicações e satisfação das pacientes.  

Os abscessos da glândula de Bartholin são condições frequentes em mulheres em idade reprodutiva, com prevalência ao longo da vida estimada em cerca de 2%. Resultam geralmente da obstrução do ducto glandular, seguida de infecção, sendo Escherichia coli um dos patógenos mais frequentemente identificados. Clinicamente, podem cursar com dor intensa, aumento de volume vulvar, dispareunia e limitação funcional importante. 

Apesar de serem amplamente manejados na prática ginecológica, ainda não há consenso claro sobre a melhor técnica cirúrgica. As opções mais utilizadas incluem marsupialização (técnica de incisão e sutura), colocação de cateter de Word e incisão simples com drenagem. A ausência de padronização e a variabilidade nos resultados motivaram a realização desta revisão sistemática com meta-análise.  

Veja também: Caso clínico: mulher com massa dolorosa na vagina; qual o diagnóstico?

glândula de Bartholin

Metodologia 

O estudo foi conduzido conforme as diretrizes PRISMA 2020, utilizando a estratégia PICO para estruturar a busca. Foram pesquisadas as bases PubMed, Web of Science, Cochrane Library e Google Scholar até maio de 2024, empregando combinações de descritores relacionados a abscesso da glândula de Bartholin e técnicas cirúrgicas.  

A triagem identificou inicialmente 169 artigos. Após remoção de duplicatas e exclusões por critérios metodológicos, 9 estudos foram incluídos na análise final, totalizando 1180 pacientes. A idade média foi de 33,2 ± 7,4 anos, com seguimento médio de 18,7 ± 9,3 meses.  

Principais achados 

A marsupialização apresentou a menor taxa de recorrência entre as três técnicas analisadas. A taxa combinada foi de aproximadamente 8,3% (IC95% 6,1–10,5), comparada a 18,8% para o cateter de Word e 34,5% para incisão e drenagem simples.  

Na comparação direta entre marsupialização e cateter de Word, a meta-análise mostrou redução significativa de recorrência com marsupialização (OR 0,43; IC95% 0,22–0,64). Quando comparada à incisão e drenagem, a marsupialização também demonstrou menor recorrência (OR 0,45; IC95% 0,26–0,78).  

O tempo médio de cicatrização também favoreceu a marsupialização, com média de 4,3 ± 1,1 semanas, enquanto o cateter de Word apresentou média de 6,7 ± 1,8 semanas e a incisão e drenagem 7,5 ± 2,0 semanas. Na comparação marsupialização versus cateter de Word, a diferença média foi de −2,4 semanas (IC95% −3,1 a −1,7).  

Quanto às complicações, a taxa global foi de 6,2%. A marsupialização apresentou menor proporção de eventos adversos (4,6%), em comparação ao cateter de Word (8,1%) e à incisão e drenagem (10,2%). A maioria das complicações foi leve, incluindo infecção superficial tratada com antibióticos orais, pequenos hematomas e dor persistente autolimitada.  

A satisfação das pacientes, avaliada por escala visual analógica (VAS de 1 a 5), também foi superior com marsupialização, com mediana de 4/5, comparada a 3/5 para o cateter de Word e 2/5 para incisão e drenagem.  

Conclusão 

Esta revisão sistemática com meta-análise demonstra que a marsupialização oferece o melhor equilíbrio entre menor recorrência, cicatrização mais rápida, menor taxa de complicações e maior satisfação das pacientes no tratamento do abscesso da glândula de Bartholin. 

Embora o cateter de Word permaneça uma alternativa menos invasiva e viável em determinados contextos, especialmente ambulatoriais, seus resultados são inferiores em termos de recorrência. A incisão e drenagem simples, por sua elevada taxa de recorrência, deve ser reservada a situações de manejo inicial ou quando não há possibilidade de procedimento definitivo.

Autoria

Foto de Ênio Luis Damaso

Ênio Luis Damaso

Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) ⦁ Professor no Curso de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) ⦁ Professor no Curso de Medicina da Universidade Nove de Julho de Bauru (UNINOVE).

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Referências bibliográficas

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