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Ginecologia e Obstetrícia10 agosto 2022

Como a adenomiose muda ao longo da gravidez?

Estudo analisou mulheres com um exame pré-concepcional e de 1º trimestre para documentar a adenomiose e o resultado obstétrico conhecido.

A adenomiose é caracterizada pela infiltração endometrial no miométrio, podendo ser focal ou difusa. Pode levar a ciclos hipermenorrágicos, dor pélvica crônica, dismenorreia secundária, infertilidade e maior chance de abortamento. Primeiramente, foi caracterizada como uma patologia de mulheres que já tiveram gestações, contudo, estudos recentes mostram a presença de adenomiose em pacientes jovens e nuligestas. Estando altamente correlacionado com infertilidade e abortamento inicial, o que acontecia antigamente, era a falta de diagnóstico da patologia, deixando de associá-la com tais fatores.

Em agosto de 2022 foi publicado um artigo no International Journal of Gynecology and Obstetrics com o objetivo de estudar alguma possível mudança da adenomiose durante a gravidez, além de avaliar correlação com intercorrências obstétricas e desfecho neonatal.

Os pesquisadores realizaram um estudo de coorte retrospectivo incluindo 254 mulheres com um exame pré-concepcional e de 1º trimestre para documentar a adenomiose e o resultado obstétrico conhecido. Além disso, os sinais da patologia foram documentados em cada trimestre e no pós-parto.

Leia também: Adenomiose e infertilidade

Como a adenomiose muda ao longo da gravidez

Os resultados obtidos neste estudo de coorte foram os seguintes:

  1. Útero globular em 79% das mulheres com adenomiose no 1º trimestre, em 38% e 2% das mulheres no 2º e 3º trimestre respectivamente e no pós-parto em 65% das mulheres.
  2. Espessamento assimétrico (30%) e cistos (23%) foram visíveis apenas no 1º trimestre.
  3. A adenomiose foi associada a aborto espontâneo (OR 5,9, IC95% 2,4-14,9, p<0,001) apenas na concepção normal (OR 5,1 IC 95% 1,8-14,2, p=0,002) ou com o ajuste para idade materna (aOR 5,9, IC95% 2,3 -15,2, p<0,001).
  4. A idade gestacional no parto foi menor na adenomiose (p=0,004);
  5. A taxa de cesariana foi maior do que nas pacientes controle (OR 2,5, IC95% 1,3-4,8, p=0,007) com ajuste para a idade (aOR 2,07, IC95% 1,06-4,08, p=0,035).

Conclusão

Sinais de adenomiose são visíveis à ultrassonografia, mas desapareceram progressivamente durante a gravidez. Sendo que ela está associada a um risco aumentado de aborto precoce. Estudos prospectivos são necessários para confirmar os resultados encontrados pelos autores do artigo em questão. Acredito ser importante avaliar se o uso de progesterona vaginal no primeiro trimestre ou alguma outra terapêutica possa diminuir o risco de abortamento precoce nas pacientes.

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Referências bibliográficas

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