A mesa “Temas palpitantes em Patologia Vulvar”, apresentada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), abordou temas relevantes da patologia vulvar, com foco em diagnóstico diferencial, manejo clínico e classificação de lesões frequentes na prática ginecológica.
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Lesões pigmentadas da vulva: diagnóstico diferencial na prática ginecológica
O Dr. José Humberto Chaves, membro da CNE de Patologia do Trato Genital Inferior da FEBRASGO, começou a mesa falando sobre o diagnóstico diferencial das lesões pigmentadas da vulva.
As lesões pigmentadas são frequentes, há variações consideráveis na pigmentação normal da pele e a hiperpigmentação fisiológica deve ser considerada.
O especialista lembrou da importância do autoexame vulvar para o reconhecimento de lesões novas ou evolutivas. A biópsia será necessária quando a clínica não for suficiente.
Há lesões hiperpigmentadas melanocíticas, como lentigos e melanoses, e não melanocíticas, como angioqueratomas. Ele reforçou que as neoplasias intraepiteliais e os melanomas são diagnósticos que não podem ser negligenciados, e a dermatoscopia pode ser útil em alguns casos.
Condilomas acuminados: o que há de novo na abordagem?
A professora Andrezza Belo, professora de ginecologia da Faculdade de Medicina da UFMG, lembrou a morbidade relacionada aos condilomas genitais, que são lesões benignas de alta prevalência e recorrência, com grande impacto psicossexual. A especialista pontuou a crucial função da vacina contra o HPV na prevenção primária dessas lesões.
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Os tratamentos atuais podem ser ablativos, imunomoduladores ou cirúrgicos. Existem outros tratamentos em estudo, como terapia fotodinâmica, outras terapias imunomoduladoras, sinecatequinas, vacinas terapêuticas e terapias combinadas.
O modelo atual de tratamento foca em uma terapia individualizada para controle da doença viral, com bom resultado funcional e estético, além de busca ativa por menor recorrência.

Líquen escleroso – será que existem alternativas de tratamento?
A professora Rita Zanine, da Universidade Federal do Paraná, palestrou sobre possíveis tratamentos alternativos do líquen escleroso.
O líquen escleroso é uma dermatose crônica de caráter autoimune que causa alterações anatômicas importantes, grande impacto na qualidade de vida e risco de progressão para carcinoma escamoso vulvar. O tratamento padrão para reduzir sua progressão se baseia no uso de corticoides tópicos superpotentes ou de alta potência por toda a vida, e o seguimento regular é fundamental.
Em casos não responsivos ao corticoide, devemos pensar em má adesão, corticoide inadequado ou diagnóstico incorreto.
O líquen escleroso recalcitrante representa menos de 2% dos casos. Para esses casos muito selecionados, há tratamentos alternativos em estudo, como tacrolimus, laser e radiofrequência, ainda com evidência escassa e que não devem substituir o uso adjuvante do corticoide tópico, pois somente este tem o papel comprovado de evitar a progressão carcinogênica.
Quando o prurido vulvar crônico não deve ser atribuído à candidíase
A professora Ane Katherine Gonçalves, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, palestrou sobre o prurido vulvar e lembrou que essa é uma queixa extremamente comum, com diagnósticos diferenciais locais ou sistêmicos, inclusive neoplásicos, não devendo ser subestimada e nem sempre relacionada à candidíase.
Ela também abordou a fisiopatologia do prurido, seu caráter multifatorial, representando, em última análise, um tipo de dor pelo estímulo que proporciona nas terminações nervosas.
Entre os cuidados, foram citadas orientações locais sobre higiene adequada, sem excessos, vestimentas, hábitos e eliminação de irritantes e alérgenos locais.
Neoplasia intraepitelial vulvar: classificação atual e relação com HPV
A professora Fernanda Tso, da UNIFESP, palestrou sobre a classificação atual das neoplasias intraepiteliais vulvares (NIV).
Os consensos atuais preconizam a classificação baseada na presença ou ausência do vírus HPV. Assim, temos duas grandes vias distintas: NIV associada ao HPV e NIV independente do HPV.
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A NIV associada ao HPV é o tipo mais frequente, acomete pacientes mais jovens, apresenta marcador p16 positivo na imuno-histoquímica, baixo risco de câncer, porém alta taxa de recidiva, entre 30% e 40%. Neste caso, o tratamento pode ser excisional, destrutivo ou com uso do imiquimode.
A NIV independente do HPV está relacionada a dermatoses, acomete mulheres mais velhas, apresenta marcador p53 mutado e p16 normal na imuno-histoquímica, maior risco de progressão neoplásica e o tratamento deve ser sempre excisional.
Uma terceira via independente do HPV tem sido descrita, acometendo pacientes ainda mais idosas. Ela é precursora do carcinoma verrucoso, apresenta o marcador p53 normal, com prognóstico intermediário entre a via associada ao HPV e a via independente do HPV com marcador p53 mutado.
Mensagem final: autoexame e avaliação ginecológica na patologia vulvar
A patologia vulvar é um campo amplo e muitas vezes desafiador dentro da ginecologia. O autoexame, o exame ginecológico criterioso regular e medidas preventivas podem auxiliar na redução do risco de lesões, no diagnóstico precoce e em um manejo mais assertivo.
Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026
Durante o CBGO 2026, a Afya realizará o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordará, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contará com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO.
Serviço — Simpósio Satélite Afya no CBGO 2026
Tema: Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo
Data: 29/05/2026
Horário: 12h20 às 13h20
Local: Auditório D — Minas Centro
Palestrantes: Caroline Oliveira e Járder Burdet
Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya
O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher.
O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Autoria

Caroline Oliveira
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