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Ginecologia e Obstetrícia28 maio 2026

CBGO 2026 - Parto pélvico: ainda há espaço para cesariana?

Discussão abordou o manejo da apresentação pélvica, com análise da via de parto, da pelvimetria e das condutas obstétricas individualizadas.
Por Sérgio Okano

A conferência GO Talk, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), foi conduzida pela Profa. Roseli Nomura, da Unifesp, e contou com a participação de Frank Louwen, presidente da FIGO. A discussão foi centrada no manejo do parto pélvico e na necessidade de resgatar práticas obstétricas baseadas em evidências e na tomada de decisão compartilhada. O palestrante destacou sua experiência com mais de 2.200 partos pélvicos acompanhados ao longo da carreira, reforçando a importância de rever conceitos historicamente estabelecidos na obstetrícia.

Saiba mais: Como saber qual a melhor via de parto para a paciente? 

A litotomia influencia a condução do parto vaginal? 

Ao longo da apresentação, foram levantadas provocações importantes sobre a forma como o parto pélvico é encarado atualmente. Uma das reflexões centrais foi se a apresentação pélvica deveria realmente ser considerada uma condição patológica ou apenas uma variação da normalidade fetal. Também se discutiu se parte das complicações associadas ao parto pélvico não estaria relacionada às próprias intervenções obstétricas modernas, especialmente à condução do parto em posição de litotomia. Foi lembrado que, historicamente, as mulheres pariam em posições verticais, o que poderia favorecer a dinâmica do nascimento, independentemente da apresentação fetal. 

Saiba mais: Parto vaginal operatório X cesárea no período expulsivo: qual a opção mais segura 

Houve uma discussão sobre o guideline “Management of Breech Presentation”, do Royal College of Obstetricians and Gynaecologistse foi ressaltado que muitas recomendações historicamente utilizadas no manejo do parto pélvico não se baseavam em evidências robustas, mas sim em relatos antigos e opiniões de especialistas. Um exemplo citado foi a contraindicação relacionada à hiperextensão cervical fetal, baseada em apenas três relatos de casos publicados na década de 1970, evidência considerada insuficiente para sustentar restrições absolutas atuais. 

Pelvimetria perde força como critério isolado de cesariana 

Também foi enfatizado que a realização rotineira de pelvimetria não encontra respaldo científico consistente, já que as medidas pélvicas isoladas não demonstram associação clara com desfechos obstétricos adversos. O único ponto que ainda foi considerado como indicação de cesariana foi a avaliação do espaço intertuberoso com medida inferior a 7 cm, associada a maior dificuldade mecânica para o parto vaginal. Da mesma forma, foi pontuado que a cesariana primária não estaria indicada apenas pelo peso fetal acima de 3,8 kg. 

Em relação à dinâmica do parto pélvico, foi discutido que a apresentação pélvica completa pode aumentar o desconforto e a dor no expulsivo devido à distensão provocada pelos pés posicionados junto às nádegas. Em alguns casos, a simples exteriorização de um dos pés transforma a apresentação em incompleta, o que pode reduzir a necessidade de intervenções obstétricas, incluindo anestesia. 

Manobras obstétricas ganham relevância diante de distocia no parto pélvico 

Por fim, a conferência abordou possíveis complicações intraparto, incluindo situações semelhantes à distocia de ombros no parto pélvico, quando o recém-nascido não realiza adequadamente a rotação do tronco. Nessas situações, foi descrita a realização de manobras específicas, com rotação fetal em 180 graus no sentido oposto ao movimento inicial, seguida de nova rotação de 90 graus no sentido fisiológico, associada à pressão do ombro fetal contra a sínfise púbica para facilitar a liberação. 

Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026 

Durante o CBGO 2026, a Afya realizará o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordará, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contará com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO. 

Serviço — Simpósio Satélite Afya no CBGO 2026
Tema: Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo
Data: 29/05/2026
Horário: 12h20 às 13h20
Local: Auditório D — Minas Centro
Palestrantes: Caroline Oliveira e Járder Burdet 

Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya 

O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher. 

O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Autoria

Foto de Sérgio Okano

Sérgio Okano

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