A mesa sobre dor sexual feminina, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), reuniu discussões sobre o manejo clínico da vulvodínia, a condução prática do vaginismo no consultório ginecológico e os aspectos psicossociais envolvidos na dor durante a atividade sexual. As apresentações reforçaram a importância de reconhecer sintomas, validar queixas e propor uma abordagem multidisciplinar.
Dor vulvar crônica e fisiopatologia multifatorial na vulvodínia
A professora Jussimara Steglich, membro da CNE de Sexologia da Febrasgo, falou sobre estratégias práticas no manejo clínico da vulvodínia.
A apresentação começou destacando a importância do tema, por se tratar de uma condição subdiagnosticada e com grande impacto na qualidade de vida. A professora reforçou que os fatores psicológicos envolvidos não devem ser ignorados para que o tratamento seja de fato eficaz.
A vulvodínia é uma dor vulvar crônica com duração superior a três meses, sem outras causas identificáveis. Apresenta fisiopatologia multifatorial, na qual gatilhos geralmente levam à neuroinflamação e à hipertonicidade do assoalho pélvico. Além disso, a ansiedade antecipatória contribui para um mecanismo central de dor.
O diagnóstico é clínico e o tratamento é multimodal e multidisciplinar. A fisioterapia pélvica tem papel importante na melhora da hipertonicidade muscular local. A psicoterapia também exerce papel adjuvante relevante. O tratamento farmacológico envolve o uso de medicamentos para controle da dor neuropática e anestésicos locais. Medidas gerais relacionadas à higiene vulvar criteriosa e aos cuidados com alergênicos locais também são fundamentais.
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Como o vaginismo deve ser conduzido no consultório ginecológico?
O professor Gerson Pereira, membro efetivo da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, definiu o vaginismo como uma condição caracterizada pela dificuldade persistente ou recorrente de permitir a penetração vaginal, associada a resposta involuntária defensiva da musculatura do assoalho pélvico, medo penetrativo e comportamento evitativo.
O gatilho do trauma psicológico gera um ciclo de medo inconsciente, contração muscular, dor e medo. O professor reforçou a necessidade de abordar o casal, uma vez que o papel da parceria é crucial para o sucesso do tratamento.
O tratamento precisa ser acolhedor, multidisciplinar e integrado.

Aspectos psicossociais da dor sexual feminina: qual é o papel do ginecologista?
A professora Sandra Scalco, membro da CNE de Sexologia da Febrasgo, alertou que a dor sexual é frequente, subdiagnosticada e tratável.
A experiência dolorosa pode levar à catastrofização e à hipervigilância, além de ansiedade, depressão e baixa autoestima.
O abuso sexual aumenta a chance de dispareunia e vaginismo. Minorias sexuais, mulheres mais velhas e mulheres negras tendem a apresentar maior prevalência de dor sexual.
Existe grande dificuldade do profissional para realizar o diagnóstico. A professora reforçou a importância de perguntar sobre o assunto nas consultas, validar os sintomas referidos, educar, avaliar dor e medo, além de encaminhar para tratamento
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Mensagem final – Dor sexual feminina, validação e acolhimento no cuidado
A dor sexual feminina é uma condição subdiagnosticada e com grande impacto na qualidade de vida. Por isso, merece abordagem ativa, validação, acolhimento, atenção individualizada e cuidado multidisciplinar.
Simpósio Satélite Afya aborda manejo de úlceras genitais no CBGO 2026
Durante o CBGO 2026, a Afya realizará o Simpósio Satélite “Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo”, ministrado pela ginecologista Caroline Alves de Oliveira Martins, editora-chefe de Ginecologia e Obstetrícia dos produtos digitais da Afya. A atividade abordará, de forma prática e visual, o manejo de úlceras genitais a partir de um novo algoritmo internacional. O simpósio também contará com médico Járder Burdet, professor e editor-chefe da Afya GO.
Serviço — Simpósio Satélite Afya no CBGO 2026
Tema: Úlceras genitais: imagens e respostas — novo algoritmo da Sociedade Internacional no auxílio do manejo
Data: 29/05/2026
Horário: 12h20 às 13h20
Local: Auditório D — Minas Centro
Palestrantes: Caroline Oliveira e Járder Burdet
Cobertura CBGO 2026 – Portal Afya
O Portal Afya acompanha a cobertura do 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), um dos principais encontros científicos da especialidade no país. O evento acontece entre os dias 27 e 30 de maio de 2026, no Minascentro, em Belo Horizonte/MG, reunindo ginecologistas, obstetras, residentes, estudantes de medicina e demais profissionais interessados nas atualizações em saúde da mulher.
O evento é promovido pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Autoria

Caroline Oliveira
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