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Ginecologia e Obstetrícia29 maio 2026

CBGO 2026 - Contraceptivos de curta ação: desafios no aconselhamento clínico

Mesa discutiu estetrol, progestágenos isolados, anel vaginal, libido e humor no uso de contraceptivos de curta ação.

A mesa “Desafios no uso de contraceptivos de curta ação”, realizada durante o 63º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia (CBGO 2026), reuniu discussões sobre diferentes métodos hormonais, com foco em contraceptivo oral com estetrol, progestágenos isolados, anel vaginal, libido e possíveis efeitos sobre o humor. 

O que há de novo no contraceptivo oral com estetrol? 

O Dr. Rogério Bonassi, professor de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí, iniciou a mesa abordando o uso do estetrol em contraceptivos orais. 

O estetrol é um estrogênio descoberto a partir de sua presença no fígado fetal humano e apresenta ação menos potente nos receptores. 

É considerado o primeiro estrogênio nativo com atividade tecidual seletiva, com diferentes respostas fisiológicas em diferentes tecidos. Também apresenta impacto mínimo no metabolismo hepático, com possível menor risco de eventos tromboembólicos, embora ainda sejam necessários estudos de longo prazo para comprovar seus benefícios. 

Padrão de sangramento e eficácia dos progestágenos isolados 

O Dr. Silvio Silva, presidente da SGORJ, comentou sobre o uso crescente dos progestágenos isolados, embora ainda exista taxa significativa de descontinuidade, chegando a 30% a 40%. 

Há modalidades orais, implantes, injetáveis e dispositivos intrauterinos, com percentuais variáveis de amenorreia e sangramentos frequentes. 

Os primeiros 90 dias representam um período médio de adaptação. Por isso, é importante orientar as pacientes com cautela, a fim de evitar frustração e abandono precoce do método. 

Nos casos de sangramento inconveniente, causas orgânicas devem ser sempre excluídas. O aconselhamento pré-uso também auxilia de forma relevante na permanência do método. 

Por que o anel vaginal é tão pouco utilizado? 

A Dra. Cristina Falbo, professora da Unifesp, palestrou sobre o anel vaginal. No Brasil, há apenas um tipo de anel, composto por etonogestrel e etinilestradiol. 

A professora pontuou que esse método é considerado seguro e apresenta alta taxa de satisfação. No entanto, ainda é pouco conhecido, não está disponível no SUS e enfrenta barreiras culturais, falta de informação sobre segurança e possíveis dificuldades relacionadas à inserção e à percepção do parceiro. 

Esses mitos e desinformações devem ser abordados para que a paciente tenha mais uma possibilidade de escolha entre os contraceptivos hormonais combinados práticos, com menor taxa de sangramento uterino irregular. 

Contraceptivos orais podem alterar a libido? 

A Dra. Tatiana Serra, professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, relembrou a complexidade da resposta sexual feminina e destacou que a queixa de disfunção sexual é frequente nos atendimentos. 

O uso de contraceptivos orais pode reduzir o nível de testosterona livre pelo aumento da SHBG, inibir o pico de LH que levaria à ovulação, e alguns progestágenos podem ocupar receptores androgênicos, alterando a libido em alguns casos. 

Como a libido é multifatorial, essa sensibilidade é individual, e não há indicação de dosagem de testosterona. 

Para outras mulheres, os benefícios proporcionados pelos anticoncepcionais podem levar à melhora da qualidade de vida e ao aumento do desejo sexual. 

O aconselhamento e a avaliação de disfunções sexuais e psicológicas antes do uso são fundamentais para a escolha e aceitação do método. 

Existe associação entre depressão e contraceptivos hormonais? 

O Dr. Luis Carlos Sakamoto, do Hospital da Mulher de São Paulo, relembrou os efeitos dos hormônios sexuais no cérebro. 

Segundo a apresentação, os progestágenos são a principal preocupação em relação a possíveis efeitos deletérios no humor. 

As evidências atuais não mostram associação entre o uso de contraceptivos hormonais combinados e depressão ou ansiedade, embora mais estudos sejam necessários para corroborar esses dados. 

Cada caso deve ser individualizado. Mulheres com depressão podem usar contraceptivos hormonais, desde que a doença de base esteja adequadamente tratada. 

Mensagem final 

A orientação adequada sobre os métodos contraceptivos, incluindo possíveis benefícios, melhores indicações e riscos, é fundamental para apoiar a escolha compartilhada, favorecer a adesão ao uso e reduzir a taxa de continuidade. 

Autoria

Foto de Caroline Oliveira

Caroline Oliveira

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