Logotipo Afya
Anúncio
Saúde27 maio 2026

Envelhecimento no Brasil: estudo revela desafios de saúde dos idosos

Parceria entre Fiocruz e UFMG apresentou essa semana os resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou na última terça-feira (26/05), o Painel de Indicadores sobre Envelhecimento, iniciativa que traz cerca de 100 indicadores relacionados à saúde da população com 60 anos ou mais. De acordo com a Fiocruz o objetivo é “apoiar pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde e sociedade civil no monitoramento contínuo das condições de vida e necessidades da população idosa brasileira.” Os dados coletados são fruto da parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para produção do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) e trazem à tona aspectos variados referentes a essa população; condições de vida, funcionalidade, ambiente social e acesso a políticas públicas, além de outros.

Envelhecimento no Brasil: estudo revela desafios de saúde dos idosos

Imagem de freepik

O que o Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) mostrou

Os resultados apresentados este ano fazem parte da terceira onda do Elsi-Brasil, a primeira onda do estudo foi conduzida em 2015-16, a segunda onda em 2019-21 e esta terceira onda em 2023-24. Os dados apresentados mostram que a qualidade de vida da população idosa é muito influenciada por questões urbanas, sociais e estruturais. Por exemplo, 42,7% dos idosos em áreas urbanas apontam possuir medo de quedas devido a passeios públicos malcuidados. De acordo com os pesquisadores, isso aponta diretamente para um problema estrutural que afeta as possibilidades de autonomia e mobilidade da população idosa.

Para a pesquisadora Maria Fernanda Lima-Costa, coordenadora do ELSI-Brasil, “Os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para uma população cada vez mais envelhecida, incluindo acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo”.

Entenda: Quedas de pacientes sobreviventes após UTI

A violência e criminalidade é outro fator estrutural que afeta a população idosa, com 12,1% relatando considerar o local onde moram como inseguro, essa percepção impacta diretamente a qualidade de vida e saúde mental dessa população.

Capacidade funcional

A pesquisa também mostrou que 20,4% dos idosos têm dificuldade na realização de tarefas e atividades diárias básicas como se vestir, manter a higiene ou mesmo levantar-se da cama. Nesse quesito também é observada uma diferença na separação por gênero: 23,1% das mulheres relataram alguma limitação funcional, enquanto só 17% dos homens.

A idade afeta muito essa questão, com o índice saltando de 13,9% entre pessoas de 60 a 69 anos para 44,2% em idosos com 80 anos ou mais.

Redes de apoio para idosos

O relatório também apontou que falta capacitação no cuidado dessa população. Apenas 37,9% recebem alguma ajuda diária e ainda que esse percentual aumente conforme a idade avança, somente 5,8% dos cuidadores relataram possuir algum treinamento. Para os responsáveis pelo estudo: “Esse cenário aponta para a necessidade urgente de políticas integradas de cuidado de longa duração, apoio domiciliar e qualificação daqueles que prestam cuidados.”

Saiba mais: Governo inicia projeto-piloto de atendimento de idosos em casa

Os dados coletados também mostram a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) no cuidado com a população idosa, dois terços das pessoas com 60 anos ou mais têm o SUS como única fonte de atenção à saúde.

Hipertensão arterial sistêmica

O estudo mostrou que 34,4% dos idosos apresentam níveis de pressão arterial compatíveis com hipertensão (sem diferença significativa entre gêneros). São aproximadamente 11 milhões de hipertensos e a prevalência aumenta com a idade, indo de 31,9% entre pessoas com 60 a 69 anos, e chegando a 40,1% entre aqueles com 80 anos ou mais.

Dada a natureza da condição, os responsáveis pelo estudo destacaram a importância do rastreamento regular e da atenção primária para evitar subdiagnóstico e prevenir desfechos graves e complicações.

Leia também: Alvos pressóricos mais elevados são melhores para hipertensos idosos?

Autoria

Foto de Augusto Coutinho

Augusto Coutinho

Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Saúde