Devido ao aumento de casos de doença inflamatória intestinal (DII) em nosso país, tornam-se relevantes estudos epidemiológicos que classifiquem o perfil clínico desses pacientes. Com isso, o grupo de estudos de doenças inflamatórias intestinais no Brasil (GEDIIB) fez um estudo epidemiológico retrospectivo de pacientes com DII no Brasil.
Métodos
Trata-se de estudo observacional retrospectivo, utilizando dados obtidos através de prontuário ou diretamente com os pacientes. Nesse estudo, doença grave foi definida em pacientes com um ou mais dos achados: história de hospitalização ou cirurgia prévia e uso de imunobiológicos.
Resultados
Foram incluindos 1179 pacientes com DII, sendo 51% portadores de retocolite ulcerativa (RCU), 48% portadores de Doença de Crohn (DC) e 0,9% portadores de colite indeterminade, com idade média de 34 anos, sendo a maioria do sexo feminino, de etnia caucasiana e não tabagistas.
O sintoma inicial mais comum foi diarreia (42%), seguido por dor abdominal (38%) e perda ponderal (20%).
Na DC, em relação à Classificação de Montreal, os pacientes estavam distribuídos dessa forma:
Idade ao diagnóstico | Localização |
Comportamento |
Até 16 anos: 5% | Íleo terminal: 29,7% |
Luminal: 32% |
17-40 anos: 63% | Colon: 14,3% |
Estenosante: 26,7% |
Acima de 40 anos:32% | Ileo+colon: 41,2% |
Fistulizante: 11,3% |
|
Perianal: 15,5% |
Na RCU, os pacientes apresentavam o seguinte perfil, em relação à extensão da doença: 23,7% tinham doença limitada ao reto; 30% apresentavam colite esquerda e 46,3% apresentavam doença além da flexura esplênica (pancolite).
Outros dados estão sintetizados na tabela a seguir:
Perfil nutricional/metabólico | Tratamento |
Tratamento cirúrgico |
Desnutrição: 3,9% | Salicilatos: 67% |
Em 34,1%, sendo: |
Eutróficos:47,2% | Imunossupressores: 47,6% |
54% cirurgias eletivas |
Sobrepeso 30,9% | Imunobiológicos: 68% |
46% cirurgias de urgência |
Obesos 18% | Tofacitinibe: 0,8% |
80% cirurgias abertas |
Dentre o uso de imunobiológicos, o mais utilizado foi o infliximabe em 45%, seguido por adalimumabe em 29%. A manifestação extraintestinal mais frequente foi a rematológica.
Nesse estudo, foram identificados os seguintes fatores de riscos associados a DII mais grave: presença de doença de Crohn; presença de pancolite na RCU; idade jovem ao diagnóstico (menor que 20 anos) e associação com manifestações reumatológicas.
Mensagens práticas
Com o aumento dos casos de DII no Brasil, torna-se muito importante conhecer o perfil epidemiológico dos nossos pacientes, a fim de identificar precocemente os fatores de mal prognóstico e poder atuar na janela de oportunidade, evitando danos e sequelas aos pacientes.
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