Pesquisadores do Hospital Popular de HuLunBuir, na China, identificaram alterações na microbiota intestinal e no metabolismo lipídico de pacientes com câncer de esôfago. O artigo saiu em 29 de setembro de 2026 na Scientific Reports como Article in Press, uma versão antecipada.
Com metabolômica fecal e sequenciamento do gene 16S rRNA, os autores encontraram uma desregulação lipídica que oferece nova base para compreender a doença. A amostra reuniu 34 pacientes comcâncer de esôfago e 29 controles, pareados por idade, sexo e dieta. Os pacientes, recrutados em 2024, iam do estádio TNM I ao IV. SCC, CYFRA21-1 e CA72-4 séricos diferiram entre os grupos, ao contrário de CEA e CA19-9.

Metabolismo lipídico concentra parte dos 792 metabólitos alterados
A metabolômica detectou 792 metabólitos desregulados, ligados a ácidos graxos, aminoácidos e ácidos nucleicos. Com esse perfil, os modelos PCA e OPLS-DA separaram nitidamente pacientes e controles na amostra analisada.
O enriquecimento destacou transporte de ácidos graxos, metabolismo do ácido linoleico e regulação lipídica via PPARA. O PICRUSt2 apontou 30 vias KEGG bacterianas diferenciais, como biossíntese de esteroides e de ácidos graxos. Os autores alertam que essa predição pode conter vieses.
Saiba mais: Resposta patológica completa é tudo ou precisamos saber mais
Quais diferenças na microbiota foram observadas?
O sequenciamento mostrou diferenças na diversidade beta e em parte dos índices de diversidade alfa. Akkermansia, Prevotella e Dialister estavam enriquecidos nos pacientes, enquanto Bacteroides e Faecalibacterium predominaram nos controles.
Na análise exploratória por estádio, Prevotella e Alistipes foram mais abundantes nos grupos avançados. Os autores consideram o achado preliminar, pois o número de pacientes em cada estádio é pequeno.
Saiba mais: Papel da microbiota intestinal em tumores e seu tratamento
Desenho transversal limita conclusões sobre a disbiose intestinal
Os autores reconhecem que o desenho retrospectivo e transversal restringe as conclusões. A amostra pequena e o tratamento antitumoral paliativo prévio também podem ter afetado microbiota e metabolismo. O 16S rRNA também costuma classificar bactérias só até o gênero.
A dieta também não teve controle padronizado. Com a disfagia progressiva, a troca de sólidos por líquidos ou suporte nutricional pode explicar parte das alterações.
Saiba mais: Impacto da microbiota intestinal no tratamento com inibidores de checkpoint imune
A equipe planeja ampliar a amostra e validar os achados com metagenômica. Eles defendem estudos prospectivos amplos para definir se os padrões da microbiota intestinal refletem a biologia do câncer de esôfago ou fatores clínicos.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
Autoria
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.
