A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica decorrente de retorno anormal do conteúdo gástrico para o esôfago. Além de provocar sintomas incômodos que interferem significativamente na qualidade de vida, a DRGE pode evoluir com lesões da mucosa e complicações estruturais quando negligenciada.
O diagnóstico se fundamenta na entrevista médica detalhada, combinada, nos casos pertinentes, aos achados da endoscopia digestiva alta e testes esofágicos funcionais.
As orientações sobre mudanças do estilo de vida são prioritárias, mas devem ser individualizadas. A terapia medicamentosa com inibidores de bomba de prótons (IBPs) é a primeira linha na maioria dos casos, embora os bloqueadores ácidos competitivos de potássio (PCABs) tenham ganhado cada vez mais espaço. A abordagem cirúrgica e endoscópica minimamente invasiva completam o arsenal terapêutico em casos cuidadosamente selecionados.

Fisiopatologia e o refluxo patológico
O mecanismo fisiopatológico central envolve a falha da barreira antirrefluxo, composta principalmente pelo esfíncter esofágico inferior, pelo componente crural do diafragma e pela angulação da junção esofagogástrica. Os principais elementos envolvidos na fisiopatologia da DRGE incluem:
- Relaxamentos transitórios do esfíncter esofágico inferior (EEI): principal mecanismo em pacientes sem hérnia hiatal, desencadeados por distensão gástrica, ingestão de gordura, chocolate, bebidas alcoólicas e tabagismo;
- Hérnia de hiato: compromete a barreira antirrefluxo, facilita formação de bolsão ácido e prejudica o clareamento esofágico
- Exposição ácida prolongada: presença de ácido, pepsina e sais biliares provoca lesão mucosa quando os mecanismos de defesa (saliva, peristaltismo, resistência epitelial) são insuficientes.
A magnitude e a duração da exposição ácida, combinadas à sensibilidade individual da mucosa, determinam a gravidade das manifestações clínicas e o risco de complicações.
Cabe ressaltar que episódios esporádicos de refluxo gastroesofágico fazem parte da fisiologia digestiva normal, ocorrendo especialmente após refeições volumosas ou durante o decúbito, sem provocar sintomas significativos ou lesões teciduais.
A transição para doença se estabelece quando:
- Os sintomas interferem na rotina do paciente, com frequência mínima de duas vezes por semana;
- A endoscopia identifica esofagite erosiva, especialmente a partir do grau B da Classificação de Los Angeles;
- Sintomas típicos com resposta terapêutica consistente à terapia de supressão ácida.
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Manifestações clínicas da DRGE
Os sintomas cardinais da DRGE, ou sintomas típicos, incluem a tríade de:
| Pirose | Sensação de queimação retroesternal ascendente, da região epigástrica até a fúrcula esternal; intensifica após refeições, ao deitar ou inclinar o tronco; pode despertar o paciente durante a noite e ser acompanhada por sialorreia. |
| Regurgitação | Retorno de conteúdo gástrico ácido ou amargo para a orofaringe; pode ocorrer sem esforço. |
| Dor torácica esofágica | Exige diferenciação com causas coronarianas; padrão temporal relacionado à alimentação ou decúbito auxilia na distinção, embora possa ser desencadeada ao esforço físico, sobretudo se implicar em contração da musculatura abdominal. |
Uma dica prática importante: em conformidade com a literatura médica atual, somente sintomas típicos, desde que afastados sinais de alarme, devem desencadear um trial de terapia antiácida empírica por 4-8 semanas, na ausência de investigação adicional.
| DRGE: Sinais de alarme |
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Manifestações extraesofágicas:
As manifestações extraesofágicas envolvem microaspirações de material refluído ou reflexo vagal desencadeado pela acidificação esofágica distal, com impacto sobre vias aéreas superiores e inferiores:
- Tosse crônica;
- Eructação;
- Pigarro e sensação de corpo estranho na garganta;
- Sibilância torácica e/ou exacerbação de asma preexistente.
Já as manifestações atípicas, como rouquidão, globus faríngeo, náuseas, dor abdominal e dispepsia, na ausência de sintomas típicos, tem baixa probabilidade de relação fisiopatológica com a DRGE. Logo, não sustentam a prescrição de terapia empírica de supressão ácida, o que contrasta com condutas práticas corriqueiras. O diagnóstico da DRGE como causa de sintomas extraesofágicos exige maior rigor investigativo, dada a sobreposição com outras etiologias e menor taxa de resposta ao tratamento supressor ácido.
Como é feito o diagnóstico da DRGE
O diagnóstico de DRGE em pacientes com sintomas típicos, na ausência de sinais de alarme e com idade inferior a 60 anos, fundamenta-se na entrevista clínica detalhada, dispensa investigação endoscópica inicial e autoriza um trial de terapia de supressão ácida empírica.
Critérios clínicos para diagnóstico presuntivo:
- Presença de pirose e/ou regurgitação
- Frequência mínima de duas vezes por semana
- Duração superior a algumas semanas
- Padrão temporal relacionado à alimentação e decúbito
A resposta sintomática ao tratamento empírico com IBPs ou PCABs durante 4 a 8 semanas reforça o diagnóstico. No contexto da DRGE, a vonoprazana tem sido empregada especialmente para casos mais graves de DRGE erosiva (grau C e D) e sintomas refratários aos IBPs.
Entretanto, o uso prolongado de PCABs associa-se à hipergastrinemia mais pronunciada, de forma que os dados segurança a longo prazo ainda não estão bem estabelecidos.
Ausência de melhora impõe reavaliação diagnóstica, considerando:
- Refratariedade verdadeira;
- Má adesão terapêutica;
- Presença de refluxo fracamente ácido;
- Diagnósticos alternativos (lesões estruturais inflamatórias e malignas, distúrbios motores esofágicos, dispepsia funcional, transtornos de ansiedade com somatização digestiva).
Quando indicar endoscopia digestiva alta
A endoscopia digestiva alta (EDA), a ser realizada após a suspensão do IBP por pelo menos 2-4 semanas nos casos não confirmados de DRGE, está indicada nas seguintes situações:
| Indicação | Objetivo |
| Sintomas de alarme (qualquer idade) | Excluir neoplasia esofagogástrica e esofagite eosinofílica, identificar complicações (estenose péptica e esôfago de Barrett) |
| Idade ≥ 60 anos com sintomas recentes | Rastreamento de neoplasia |
| Sintomas refratários a IBP otimizado | Confirmar esofagite, investigar complicações (estenose, úlcera, esôfago de Barrett) |
| Fatores de risco para esôfago de Barrett | História familiar de esôfago de Barrett ou adenocarcinoma esofágico; DRGE mais fator de risco adicional (≥ 50 anos, sexo masculino, etnia branca, tabagismo e obesidade); e em pacientes submetidos a gastrectomia vertical (em 3 anos de pós-operatório e, na sequência, a cada 5 anos) e na sequência de miotomia endoscópica transoral (POEM). |
| Avaliação pré-operatória | Documentar refluxo patológico, estratificar gravidade |
A presença de esofagite erosiva, contemplada nas categorias B, C e D dos critérios de Los Angeles, bem como a evidência de complicações (esôfago de Barrett confirmado por biópsia; e estenose péptica esofágica), confirmam o diagnóstico.
A ausência de lesões endoscópicas em pacientes sintomáticos define a categoria de DRGE não erosiva, que representa a maioria dos casos e demanda abordagem terapêutica similar à da esofagite leve, embora a resposta à terapia de supressão ácida seja mais tênue. Deve-se ter atenção à possibilidade de transtornos esofágicos funcionais, sobretudo em pacientes com exposição ácida normal, conforme explicitados no Consenso de ROMA V, sejam os dolorosos (doença do refluxo não erosiva, hipersensibilidade ao refluxo e pirose funcional) ou aqueles com predomínio de disfagia (dor torácica, globus e disfagia funcional).
Testes esofágicos funcionais
pHmetria esofágica e impedância-pHmetria:
Reservam-se para situações clínicas específicas:
- Sintomas atípicos ou refratários;
- Candidatos à cirurgia antirrefluxo ou procedimentos invasivos endoscópicos que necessitam confirmação objetiva do refluxo patológico;
- Manifestações extraesofágicas em que a relação causal com refluxo permanece incerta.
A impedância-pHmetria, realizada na ausência de terapia antissecretória e com duração prolongada (96h), detecta episódios de refluxo independentemente do pH, identificando refluxo fracamente ácido ou alcalino, e permite correlacionar temporalmente os sintomas com eventos de refluxo registrados. Esse exame amplia a acurácia diagnóstica em pacientes com DRGE não erosiva refratária.
Dois parâmetros principais são analisados: tempo de exposição ácida (TEA) e a correlação entre sintomas e refluxo. Dessa forma, TEA < 4%, na ausência de associação sintoma-refluxo, exclui DRGE.
A hipersensibilidade ao refluxo é definida por TEA < 4%, mas com associação sintoma-refluxo. Por outro lado, TEA > 6% por 2 ou mais dias é diagnóstico de DRGE e embasa o tratamento.
Em relação ao número de episódios de refluxo por dia: < 40 aponta para ausência de DRGE patológica; entre 40-80, é uma evidência isolada inconclusiva; e acima de 80 é uma evidência objetiva de DRGE. Na vigência de terapia antissecretória, a combinação de TEP > 4% e episódios diários de refluxo >80 apontam para DRGE refratária.
Já em relação à impedância basal, quando < 1.500 ohms apoia o diagnóstico de DRGE, sendo indicativa de lesão mucosa e significativa disfunção da barreira que aumenta a condutividade elétrica; e > 2.500 ohms (impedância basal preservada) é uma evidência contrária ao diagnóstico de DRGE patológica, sendo indicativa de integridade da barreira mucosa.
Manometria esofágica de alta resolução:
Não diagnostica DRGE, mas avalia a função motora esofágica e a competência do EEI. Oferece informações relevantes no contexto pré-operatório para identificar dismotilidade grave que possa contraindicar fundoplicatura total ou exigir modificação da técnica cirúrgica.
Estratégias práticas de manejo não farmacológico da DGRE
Medidas comportamentais e de estilo de vida integram o tratamento da DRGE, atuando de forma complementar à terapia farmacológica:
| Estratégia | Mecanismo de Ação | Indicação |
| Perda de peso | Reduz pressão intra-abdominal, diminui relaxamentos transitórios do EEI | Pacientes com sobrepeso ou obesidade |
| Evitar refeições volumosas 3h antes do decúbito | Reduz distensão gástrica e exposição esofágica noturna | Todos os pacientes, especialmente com sintomas noturnos |
| Elevação da cabeceira da cama (15-20 cm) | Favorece clareamento esofágico por gravidade | Sintomas noturnos |
| Suspensão do tabagismo | Reduz relaxamentos transitórios do EEI, melhora produção salivar, diminui inflamação mucosa | Todos os pacientes tabagistas |
| Moderação no consumo de álcool | Evita irritação direta da mucosa e relaxamento esfincteriano adicional | Especialmente bebidas de alta graduação |
- Deve-se orientar refeições pequenas e fracionadas, visando menor distensão da câmara gástrica; bem como mastigação adequada e ingestão cadenciada. Evitar listas rígidas de alimentos proibidos, mas com atenção àqueles com maior propensão para desencadear sintomas da DRGE: chocolate, café, alimentos gordurosos, cítricos, tomate, menta e condimentos picantes. A fase inicial do sono em decúbito lateral esquerdo favorece o clareamento esofágico, e deve ser recomendada. Atenção especial deve ser dedicada aos medicamentos que reduzem o tônus do EEI, como os bloqueadores de canal de cálcio, nitratos, teofilina e benzodiazepínicos.
Tratamento medicamentoso da DRGE
Os IBPs constituem a base farmacológica do tratamento da DRGE, promovendo supressão potente e prolongada da secreção ácida gástrica ao bloquear irreversivelmente a bomba H⁺/K⁺-ATPase nas células parietais.
Eficácia dos IBP:
- Superioridade em relação aos antagonistas H2 na cicatrização da esofagite e controle sintomático;
- Taxas de resposta superiores a 80% em pacientes com sintomas típicos;
- Ausência de diferenças significativas entre os vários IBPs (omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol, esomeprazol e dexlanzoprazol)
Em uma metanálise com mais de 15.000 pacientes, que não incluiu o dexlanzoprazol, observou-se que, em 8 semanas, a taxa de cicatrização da mucosa na esofagite erosiva foi 5% maior com esomeprazol, resultando em uma redução absoluta do risco de 4% e número necessário para tratar de 25, o que é marginal do ponto de vista clínico. Em relação ao dexlanzoprazol, uma vantagem farmacocinética é a dupla absorção, que se dá no duodeno e íleo, e a ausência de interferência com o jejum.
Esquema terapêutico recomendado:
| Fase | Posologia | Duração | Observações |
| Indução | IBP dose padrão 1x/dia, 30-60 min antes da primeira refeição | 4-8 semanas (sintomas típicos sem esofagite) a 8-12 semanas (esofagite erosiva) | Dose dobrada ou fracionada em 2x/dia para esofagite moderada/grave ou sintomas noturnos |
| Manutenção individualizada | Menor dose efetiva, uso sob demanda ou manutenção contínua | Conforme resposta e gravidade | Descalonamento em sintomas leves; manutenção contínua em esofagite grave (grau C/D), Barrett, estenose péptica ou recidiva precoce |
Diante de casos refratários, os ajustes referentes aos IBPs incluem o respeito ao jejum de 30-60 minutos; aumento da dose do IBP; e o uso em duas tomadas diárias.
O risco de recidiva de DRGE é elevado em alguns cenários, que demandam a consideração de utilização dos IBPs por longo prazo, a exemplo da DRGE grau C e D de Los Angeles; esôfago de Barrett; úlcera esofágica; e estenose esofágica péptica.
O uso prolongado dos IBPs deve ser mais cauteloso entre idosos e imunossuprimidos, em virtude da maior propensão a quadros de diarreia aguda infecciosa, incluindo por Clostridioides difficile; e aqueles com risco elevado de doença óssea e renal, com atenção periódica às medidas da cinética do ferro, vitamina D, vitamina B12 e magnésio.
PCABs
Os PCABs têm ganhado destaque por sua maior potência em aumentar o pH intragástrico, com papel crescente na esofagite moderada a grave e DRGE refratária. Vale ressaltar que não há diferenças relativas aos eventos adversos quando comparados com os IBPs, embora exista carência de dados de longo prazo, o que desencoraja o seu uso enquanto terapia de manutenção. A vonoprazana é administrada na dose de 10 ou 20 mg/dia, por um período de 4-8 semanas. Entre os pacientes com esofagite erosiva, a taxa de cicatrização da mucosa aumenta entre 8-19,3% (IC 95%: 4,5 – 27,6%) em relação aos IBPs.
Antagonistas de receptores H2:
Ocupam papel secundário, reservando-se a:
- Intolerância aos IBP;
- Controle adicional de sintomas noturnos quando associados aos IBP;
- Uso transitório em contextos clínicos específicos.
A eficácia inferior limita seu uso como monoterapia.
Individualização terapêutica:
Diretrizes atuais (American College of Gastroenterology, Consenso Brasileiro de DRGE) preconizam:
- Individualização baseada na gravidade dos sintomas, achados endoscópicos e resposta ao tratamento
- Evitar uso prolongado desnecessário de IBP em altas doses sem reavaliação periódica
- Ponderar benefícios sintomáticos contra riscos potenciais (deficiência de micronutrientes, aumento discreto do risco de infecções entéricas, fraturas ósseas);
- Ausência de indicação do uso rotineiro de procinéticos para o manejo de DRGE, como a bromoprida, domperidona e metoclopramida, que devem ser reservados para o tratamento da dispepsia do tipo desconforto pós-prandial ou gastroparesia. O único procinético que demonstrava benefício comprovado na DRGE, a cisaprida, foi retirado do mercado em função de cardiotoxicidade;
- O baclofeno, um relaxante muscular que estimula os receptores GABA B, reduz o número de eventos de refluxo ácido e não ácido no período pós-prandial, e pode ser considerado em casos refratários após a otimização da terapia antissecretória, em que pese o perfil de eventos adversos desfavorável, incluindo sonolência;
- O refluxo não ácido pode ainda ser abordado com alginato (especialmente útil como medicação de resgate para suplantar o mecanismo da bolsa ácida pós-prandial) e buspirona.
Complicações relacionadas à DRGE
A exposição ácida crônica da mucosa esofágica pode resultar em complicações estruturais:
| Complicação | Manifestação Clínica | Manejo |
| Estenose péptica | Disfagia progressiva para sólidos; fibrose submucosa | Dilatação endoscópica (múltiplas sessões) + IBP otimizado |
| Esôfago de Barrett | Substituição do epitélio escamoso por colunar intestinalizado; risco de adenocarcinoma | Confirmação histológica + vigilância endoscópica periódica; avaliação de terapias ablativas diante de displasia de alto grau. |
| Úlcera esofágica | Lesões profundas da mucosa | IBP em altas doses |
| Complicações extraesofágicas | Laringite posterior crônica, tosse refratária, exacerbação de asma, erosões dentárias | Controle rigoroso do refluxo + abordagem multidisciplinar |
Quando pensar em cirurgia antirrefluxo?
A cirurgia antirrefluxo (classicamente fundoplicatura laparoscópica) representa alternativa terapêutica em:
- Pacientes com DRGE objetivamente comprovada e controle sintomático insatisfatório apesar de tratamento clínico otimizado;
- Intolerância ou contraindicação ao uso prolongado de IBP;
- Preferência pessoal por tratamento definitivo em detrimento de terapia farmacológica contínua.
Seleção de candidatos à cirurgia:
Candidatos ideais:
- Pacientes jovens, com sintomas típicos e com boa resposta a IBP;
- Esofagite confirmada, sobretudo grave (graus C e D de Los Angeles);
- Hérnias hiatais sintomáticas > 5 cm;
- Desejo de evitar terapia medicamentosa vitalícia, principalmente na presença de eventos adversos ou refratariedade à terapia antissecretória;
- Taxas de sucesso cirúrgico superiores a 80% em centros experientes
Avaliação pré-operatória obrigatória:
- Confirmação objetiva de refluxo patológico (endoscopia com esofagite ou monitorização de pH com exposição ácida anormal)
- Avaliação da motilidade esofágica por manometria (identificar dismotilidade grave, que possa precipitar agravamento de disfagia no pós-operatório)
- Exclusão de distúrbios funcionais que mimetizam refluxo e de condições associadas que tenham tratamento clínico, como a esofagite eosinofílica.
Técnicas endoscópicas minimamente invasivas (radiofrequência, a exemplo do procedimento de STRETTA; e sutura endoluminal com fundoplicatura transoral) têm sido investigadas, mas oferecem eficácia inferior e duração de resposta menos previsível que a fundoplicatura, limitando seu uso a protocolos de pesquisa e sendo consideradas ainda controversas e inaplicáveis diante de hérnias hiatais > 2 cm.
Manejo em contextos especiais
DRGE na gravidez:
- Decorre de alterações hormonais e elevação da pressão intra-abdominal
- Maior frequência no segundo e terceiro trimestres
- Tratamento prioriza medidas comportamentais e antiácidos (Mylanta Plus ®, por exemplo);
- Bloqueadores H2 e IBP reservados para casos refratários, após avaliação risco-benefício
DRGE infantil:
- Diferenciação entre refluxo fisiológico em lactentes e doença clinicamente relevante
- Sintomas de alarme: recusa alimentar, ganho ponderal insuficiente, irritabilidade excessiva, sintomas respiratórios recorrentes, pneumonia de repetição, sangramento gastrointestinal e anemia inexplicada.
- Investigação e tratamento envolvendo pediatra ou gastropediatra
DRGE em idosos:
- Maior prevalência de complicações;
- Polifarmácia, comorbidades, risco aumentado de interações medicamentosas e eventos adversos;
- Limiar mais baixo para investigação endoscópica inicial;
- Acompanhamento com revisão periódica da necessidade de manutenção da terapia supressora de ácido.
Conclusão
A DRGE representa condição crônica prevalente, com impacto relevante na qualidade de vida e potencial para complicações quando inadequadamente controlada. O diagnóstico fundamenta-se na entrevista clínica em pacientes com sintomas típicos, reservando-se a endoscopia e exames funcionais para situações específicas, como presença de sinais de alarme, refratariedade terapêutica ou avaliação pré-operatória.
O tratamento com IBPs ou PCABs, associado a medidas comportamentais individualizadas, controla os sintomas na maioria dos casos, enquanto a cirurgia antirrefluxo constitui alternativa eficaz em pacientes selecionados. O papel dos procedimentos endoscópicos minimamente invasivos segue indefinido.
A educação continuada de profissionais de saúde, o fortalecimento da relação médico-paciente e a integração de diretrizes baseadas em evidências à prática clínica brasileira otimizam o manejo da DRGE e reduzem sua carga sobre indivíduos e sistemas de saúde.
Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Leandro Lima
Editor de Clínica Médica da Afya ⦁ Residência em Clínica Médica (2016) e Gastroenterologia (2018) pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) ⦁ Residência em Endoscopia digestiva pelo HU-UFJF (2019) ⦁ Preceptor do Serviço de Medicina Interna do HU-UFJF (2019) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
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