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Gastroenterologia29 outubro 2026

Diretriz da ESGE orienta sedação em endoscopia gastrointestinal

Sedação em endoscopia gastrointestinal abrange avaliação prévia ao procedimento, escolha de sedativos, monitorização e alta
Por Leandro Lima

A sedação em endoscopia gastrointestinal tem papel primordial para a qualidade do exame, bem como conforto e segurança do paciente, sobretudo em um momento em que os procedimentos endoscópicos ampliam em volume, duração e complexidade.

A nova diretriz conjunta da European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) e European Society of Gastroenterology and Endoscopy Nurses and Associates (ESGENA), publicada em outubro de 2026, abordou o tema de forma estruturada, desde a avaliação pré-anestésica até a recuperação e alta do paciente, com foco na individualização de condutas conforme o risco clínico e a complexidade do procedimento.

Sedação em endoscopia gastrointestinal abrange avaliação prévia ao procedimento, escolha de sedativos, monitorização e alta

A maioria das recomendações tem baixa certeza da evidência

A diretriz atualizou as recomendações de 2015 da ESGE e ESGENA por meio do sistema GRADE, a partir da elaboração de perguntas PICO e buscas sistemáticas sequenciais na literatura, com prioridade em metanálises, estudos prospectivos e ensaios clínicos randomizados publicados entre 2021 e 2026.

Muitas recomendações são fortes, mas sustentadas por evidência de certeza muito baixa, uma distinção que deve ser considerada ao interpretar sua aplicabilidade.

Quais pacientes exigem avaliação pré-anestésica?

Na avaliação pré-anestéstica, é fundamental a identificação de grupos de risco para complicações: ASA III e IV; Mallampati III e IV; idade avançada, IMC ≥ 35 kg/m² e comorbidades sistêmicas relevantes, especialmente as cardiorrespiratórias, apneia obstrutiva do sono, doença renal crônica e cirrose hepática.

Por outro lado, além das características do paciente, deve-se considerar a duração e a invasividade do procedimento, norteadores do plano de sedação e da intensidade da monitorização requerida.

Saiba mais: Caso clínico: Vômitos durante colonoscopia em paciente diabético

A diretriz organiza o manejo periendoscópico

Recomendou-se que o consentimento para a endoscopia digestiva inclua a modalidade de sedação, e que pacientes de maior risco recebam avaliação prévia, regime sedativo específico e reforço da monitorização periprocedimento.

Para colonoscopia e endoscopia digestiva alta diagnósticas, pode-se oferecer a opção de realização dos exames sem sedação, conforme preferência do paciente e do endoscopista, em recomendação condicional com certeza muito baixa.

Quando houver sedação, a diretriz recomenda que um profissional de saúde dedicado, treinado para administrar sedativos e atento à monitorização do paciente (oximetria de pulso, pressão não invasive e cardioscopia), seja responsável por essa função, em recomendação forte com certeza muito baixa.

Propofol é recomendado como primeira linha conforme recursos humanos, estrutura do serviço e legislação do país, enquanto Midazolam é recomendado para sedação procedural, associado a opioides, a exemplo do Fentanil, quando houver necessidade de analgesia. Para idosos e pacientes com comorbidades cardiovasculares ou respiratórias, sugere-se Remimazolam, um benzodiazepínico de ação ultracurta, com baixa certeza da evidência. A combinação de sedativos e analgésicos exige cautela pelo potencial de intensificação dos efeitos respiratórios depressores.

Agonistas de GLP-1 exigem decisão individualizada sobre sedação

Em usuários de agonistas do receptor de GLP-1 (Liraglutida, Semaglutida, Tirzepatida e Retratutida), o manejo da sedação deve ser individualizado por decisão compartilhada e multidisciplinar, considerando a presença de sintomas gastrointestinais altos indicativos de esvaziamento gástrico retardo (náuseas, vômitos, saciedade precoce, plenitude pós-prandial e distensão abdominal), sendo essa uma recomendação condicional com certeza muito baixa.

A capnografia permanece indicada para maior risco de hipoxemia

A diretriz sugere capnografia para pacientes com maior risco de hipoxemia durante endoscopia com sedação, em recomendação condicional com certeza muito baixa. Agentes de reversão, como o Naloxone e Flumazenil, devem ser reservados para eventos adversos relacionados à sedação e analgesia que não melhorem com medidas não farmacológicas, em recomendação forte com certeza muito baixa.

A maior parte das decisões na endoscopia de emergência depende do risco clínico

Na endoscopia de emergência, a diretriz recomenda sedação moderada para pacientes hemodinamicamente estáveis e admite procedimento sem sedação em pacientes cooperativos. Pacientes com maior risco de aspiração, instabilidade hemodinâmica ou comorbidades relevantes devem receber sedação por especialista em anestesiologia, enquanto, para gestantes, recomenda-se consulta às equipes anestésica e obstétrica.

Recuperação após sedação exige monitorização até as condições basais

Após o procedimento, recomenda-se monitorização por equipe treinada em área de recuperação até o retorno às condições basais, incluindo sinais vitais, oferta de oxigênio suplementar na presença de dessaturação e manejo de eventos cardiorrespiratórios intercorrentes. A diretriz recomendou o treinamento estruturado e periódico em estratégias de sedação e princípios de manejo da via aérea aos profissionais dedicados.

Sistemas de pontuação e checklists padronizados para avaliar a prontidão para alta podem ser considerados para documentar sinais vitais, dor e desempenho psicomotor, e o paciente deve receber orientações orais e escritas após o procedimento e, obrigatoriamente, ter acompanhante no momento da alta.

Saiba mais: Endoscopia: Cuidados necessários na vigência de agonistas de GLP-1

A decisão clínica varia conforme o risco individual

  • O manejo pré-endoscópico e anestésico começa pela estratificação de risco do paciente e do procedimento e segue com escolha do regime de sedoanalgesia e definição da monitorização requerida;
  • A escolha entre Propofol e outros regimes deve respeitar recursos humanos, estrutura do serviço e legislação brasileira com destaque para a Resolução n° 2.471/2026 do CFM, que corroborou que o médico endoscopista não pode administrar simultaneamente a sedação e nem assumir a monitorização clínica enquanto realiza o procedimento endoscópico, sendo necessária a presença de um segundo médico anestesiologista;
  • A segurança na sedação inclui documentação da recuperação, critérios de alta da sala de recuperação e plano de enfrentamento de eventos adversos.

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão de médicos.

Autoria

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Leandro Lima

Editor médico na Afya. Médico pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Residência em Clínica Médica e Gastroenterologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG - 2018). Endoscopia digestiva pela UFJF (2019). Preceptor do Serviço de Medicina Interna do Hospital Universitário da UFJF (HU-UFJF) e membro do corpo clínico do Hospital Monte Sinai desde 2019.

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