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Endocrinologia29 agosto 2025

Trajetória de perda de peso após interrupção das medicações antiobesidade

Estudo analisou os efeitos a longo prazo da perda peso quando o paciente precisa interromper o tratamento farmacológico antiobesidade
Por Juliane Braziliano

Globalmente, a obesidade vem emergindo como grande preocupação na saúde pública, visto que está associada a diversas comorbidades, principalmente à doenças cardiovasculares.  

Há um grande receio entre os pacientes com sobrepeso/obesidade e que usam medicações antiobesidade quanto ao reganho de peso ou “efeito rebote” após a interrupção delas. 

Baseado na relevância do tema, recentemente foi publicado um artigo que visou abordar justamente essa questão. Vamos verificar o que ele nos trouxe de informações. 

Por se tratar de uma condição clínica relevante a nível mundial, o estudo da obesidade vem ganhando destaque no mundo científico. 

Atualmente, temos poucas opções terapêuticas para tratamento de obesidade, sendo muitas delas de custo elevado para os pacientes, o que dificulta o tratamento da condição. 

Dada a fisiologia da doença, o tratamento deveria ser de caráter crônico, visto que a obesidade é uma condição que pelos seus mecanismos tende a ser recidivante. Com intuito de tentar entender o reganho de peso após a descontinuação das medicações, recentemente foi lançado um estudo que visou analisar os efeitos a longo prazo da perda peso quando o paciente precisa interromper o tratamento farmacológico. 

Veja mais: Medicamentos para obesidade

Metodologia 

Em base de dados eletrônicas, foram pesquisados estudos datados até 08 de março de 2024. Os critérios de inclusão foram: ensaios clínicos randomizados (ECR) que compararam medicações antiobesidade com placebo, ECR que compararam entre si as medicações antiobesidade, estudos nos quais o tratamento durou ≥ 4 semanas e o tempo de seguimento também foi ≥ 4 semanas e estudos que avaliaram as mudanças de peso no início, durante e após descontinuação do tratamento. 

Já os critérios de exclusão foram estudos com foco em crianças, adolescentes e gestantes; estudos com duração inferior a 24 semanas e estudos que não relataram a mudança no peso após interrupção do tratamento farmacológico. 

O desfecho primário analisado foi a mudança no peso após descontinuação do tratamento e as variáveis analisadas foram em relação a IMC > ou < que 35 kg/m2, presença de outras comorbidades como DM2, quais medicações geraram mais ou menos reganho após descontinuação, presença de medidas de mudança de estilo de vida. 

Resultados 

Foram então selecionados 11 estudos. De um modo geral, alguns deles mostraram que pacientes que utilizaram medicações antiobesidade apresentaram maior reganho de peso do que aqueles que utilizaram placebo. Tal reganho foi mais significativo após 8 semanas de interrupção, se elevando até 20 semanas e então estabilizando até 52 semanas. 

De um modo contraditório aos demais estudos sobre esse assunto, o presente artigo mostrou que pacientes que estavam adotando mudança de estilo de vida, também tiveram maior reganho do que os que não estavam adotando tais medidas. 

Discussão 

O presente artigo mostrou que os pacientes que utilizaram medicações para perda ponderal e precisaram interromper, apresentaram reganho de peso após 8 semanas de interrupção, podendo persistir até 52 semanas. No presente estudo, foram avaliadas apenas as medidas farmacológicas, sem análise de estratégias invasivas como balão gástrico e cirurgia bariátrica. 

Uma das mensagens do artigo é de que a perda ponderal gradual é muito mais benéfica e favorável para evitar o reganho de peso após descontinuação das medicações antiobesidade. Além disso, pacientes com perda de peso maior, também foram mais susceptíveis a um maior reganho de peso. 

Há inúmeros fatores que contribuem para o reganho de peso. As mudanças hormonais a nível intestinal, acabam elevando hormônios da fome e reduzindo hormônios da saciedade. Além disso, a perda de peso está associada à redução do gasto energético em repouso, o que é chamado de adaptação metabólica e tal mecanismo também favorece o reganho de peso. 

Adoção de mudança de estilo de vida é fundamental para sustentação do peso perdido com prática regular de atividade física e acompanhamento nutricional com alimentação equilibrada. 

Como qualquer estudo, esse também contou com algumas limitações. A primeira delas é que foram incluídos poucos estudos, o que pôde comprometer a veracidade dos achados. Em segundo lugar, os ensaios clínicos foram muito heterogêneos tanto em duração, quanto em características basais e dos medicamentos anti-obesidade. Além disso, medidas invasivas como balão gástrico e cirurgia bariátrica também não entraram na análise, bem como alguns estudos não tiveram a perda de peso como desfecho primário. 

Conclusão e mensagem prática 

Após a descontinuação das medicações antiobesidade, ocorreu reganho de peso significativo após oito semanas que foi sustentado até 20 semanas, podendo persistir por até 52 semanas. Diferentes padrões de reganho foram observados em pacientes com características clínicas distintas. 

O estudo trouxe luz para um assunto importante no tratamento do sobrepeso/obesidade que é o reganho de peso após interrupção das medicações. 

No entanto, são necessários mais estudos, principalmente os de longo prazo, para avaliar quais são os principais fatores que contribuem para o reganho após a cessação da terapia farmacológica antiobesidade. 

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Referências bibliográficas

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