A osteoporose é uma condição caracterizada pela redução da massa óssea e pela deterioração de sua microarquitetura, o que leva a um aumento significativo no risco de fraturas.¹˒² As fraturas aumentam a frequência de limitação funcional e constituem um dos principais fatores responsáveis por hospitalizações.¹˒² As diretrizes atuais indicam o tratamento com agentes anabólicos para pacientes de muito alto risco. Essa definição inclui indivíduos com múltiplas fraturas, maior risco de queda e menor densidade óssea à densitometria.³˒⁴
Considerando que a maioria das fraturas vertebrais é assintomática, a busca ativa torna-se uma ferramenta essencial. Em pacientes de alto risco, além da densitometria, recomenda-se a utilização da radiografia de coluna ou da ferramenta VFA (vertebral fracture assessment) para uma estratificação adequada e para a indicação do tratamento mais apropriado nos casos graves.⁴,11 Além disso, a ferramenta FRAX® também pode classificar pacientes como de risco muito elevado para fraturas, sugerindo a necessidade de terapias mais eficazes.2,⁵
Nesses pacientes de muito alto risco, os agentes anabólicos são recomendados como primeira linha, considerando a urgência de reduzir rapidamente o risco de fratura iminente. 3,⁴ Entre eles, o romosozumabe — um anticorpo monoclonal antiesclerostina — destaca-se por sua ação dupla, aumentando a formação óssea e inibindo a reabsorção. Administrado em doses subcutâneas mensais, o romosozumabe demonstrou reduções significativas no risco de fraturas vertebrais (37%) e não vertebrais (26%) após 12 meses de tratamento, em comparação com o tratamento antirreabsortivo com bisfosfonatos.3
A osteoporose é uma condição crônica e, como tal, requer tratamento continuado por prazo indefinido.12 Após o ciclo com agente anabólico, o tratamento sequencial com um agente antirreabsortivo torna-se necessário para consolidar os benefícios alcançados.1,³˒⁴,6 O uso prolongado de bisfosfonatos, entretanto, está associado a potenciais efeitos adversos.¹,2,⁴ Queixas relacionadas ao trato gastrointestinal superior são frequentes em agentes administrados por via oral.1 Outros efeitos agudos e transitórios podem incluir desconforto musculoesquelético e dor óssea. Certos efeitos adversos raros, mas graves, parecem ocorrer após exposição prolongada e em altas doses. O receio da rara osteonecrose da mandíbula pode comprometer a adesão terapêutica. Outro efeito adverso pouco frequente, mas cada vez mais reconhecido, é a ocorrência de fratura femoral atípica em tratamentos longo prazo.1,7
Nesse contexto, o denosumabe pode surgir como uma opção de maior tolerabilidade. Trata-se de um anticorpo monoclonal anti-RANKL, que reduz a reabsorção óssea pela inibição da maturação e da atividade osteoclástica.1 Estudos clínicos, incluindo a análise do FRAME,8 demonstraram que a sequência romosozumabe seguido por denosumabe mantém e amplia os ganhos de massa óssea,9 reduzindo de forma sustentada o risco de fraturas vertebrais e não vertebrais em longo prazo.10 Esse regime sequencial mostra-se particularmente eficaz em pacientes com osteoporose grave e alto risco de fraturas, constituindo uma estratégia robusta e fundamentada em evidências para otimizar os resultados clínicos.³˒⁴
O denosumabe apresenta ainda a vantagem de poder ser utilizado por períodos prolongados.10 Sua farmacocinética diferenciada, com ação reversível e ausência de incorporação à matriz óssea, permite manter a eficácia ao longo dos anos, com um perfil de segurança consistente observado em extensões de estudos clínicos de até 10 anos — ainda em acompanhamento.9,10 Ao combinar maior tolerabilidade, menor incidência de eventos adversos, comodidade posológica pela administração semestral e, sobretudo, ganhos superiores de massa óssea do que a teriparatida e redução da incidência de fraturas, o denosumabe é uma opção recomendada no tratamento sequencial após o uso de agentes anabólicos.4,9˒¹0
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BRA-785-25-80053. Novembro/2025.
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Autoria

Luciano de França Albuquerque
Redator em Endopapers. Mestre em Neurociências UFPE. Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Editor associado do livro Endocrinologia Clínica 7a edição 2020. Preceptor da residência em endocrinologia do HC – UFPE.
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