O hipercortisolismo pode causar hiperglicemia e piorar a resistência à insulina, mas sua prevalência entre pessoas com diabetes mal controlado é incerta. Em um estudo recente publicado na revista Diabetes Care, chefiado pelo reconhecido Ralph DeFronzo, os pesquisadores realizaram testes de supressão de dexametasona (DSTs) em baixa dose em 1000 adultos com diabetes tipo 2 “de difícil controle”, definido pelos autores como tendo uma hemoglobina A1c entre 7,5% e 11,5%, apesar de terem recebido múltiplas terapias padrão de cuidado. Os pacientes foram recrutados de clínicas especializadas em diabetes, e cerca de 40% deles tomavam quatro ou mais medicamentos para redução de glicose.
Veja também: Bomba de insulina em pacientes com diabetes tipo 2 – Portal Afya
Principais achados:
– A prevalência de hipercortisolismo (definido como um nível de cortisol pós-DST >1,8 μg/dl) foi de 24% no geral e 37% entre os participantes que tomavam três ou mais medicamentos para hipertensão.
– Participantes com hipercortisolismo tiveram maior probabilidade de apresentar doença arterial coronariana, fibrilação atrial e insuficiência cardíaca congestiva.
– 35% dos pacientes com hipercortisolismo apresentaram anomalias de imagem adrenal; entre eles, dois terços tinham nódulos unilaterais.
Os dados apresentados não nos permitem definir se o hipercortisolismo contribui para o controle glicêmico inadequado, ou, por outro lado, se o diabetes mal controlado pode às vezes causar cortisol não supressível. No entanto, considerando a alta prevalência demonstrada, talvez a avaliação do cortisol para pacientes selecionados possa ser considerada, especialmente aqueles com controle glicêmico inadequado, apesar de múltiplas terapias ou hipertensão não controlada.
Os mesmos pesquisadores realizaram um estudo de acompanhamento mostrando que a terapia médica para hipercortisolismo pode ser útil para esses pacientes, entretanto como elevada taxa de eventos adversos e sem demonstração na redução de desfechos micro ou macrovasculares. Assim, ainda existe incerteza, e o tratamento nesses casos deve ser guiado por um endocrinologista com experiência na área.
Autoria

Luciano de França Albuquerque
Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro – BA • Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE • Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia • Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa
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