O ácido zoledrônico é um dos bisfosfonatos mais utilizados no tratamento da osteoporose. O esquema de 5 mg por via intravenosa uma vez ao ano tornou-se o mais conhecido na prática clínica.
Mas, nos últimos anos, estudos com intervalos maiores entre as infusões têm trazido novas possibilidades para seu uso.
O que explica a longa duração de ação?
Esse interesse está relacionado à farmacologia dos bisfosfonatos. Após sua administração, eles se ligam à superfície óssea e podem permanecer no esqueleto por anos.
O ácido zoledrônico se destaca pela potência e pela longa duração de ação.
Seus efeitos sobre remodelação óssea e densidade mineral óssea (DMO) permanecem mesmo depois do período de um ano entre as infusões usado no esquema tradicional.
O esquema anual foi comparado a intervalos maiores?
O intervalo anual não foi definido a partir de uma comparação que demonstrasse superioridade em relação a intervalos maiores.
Nos estudos iniciais, diferentes doses administradas em intervalos de 3 a 12 meses apresentaram resultados semelhantes sobre marcadores de remodelação óssea e DMO.
Para os estudos de fase 3, foi escolhida a dose de 5 mg uma vez ao ano.
Esse regime reduziu o risco de fraturas vertebrais em 70%, fraturas não vertebrais em 25% e fraturas de quadril em 41%.
O que mostram os dados após suspensão ou dose única?
Também há dados com administração a cada 18 meses em mulheres com osteopenia acima de 65 anos. Esse esquema reduziu fraturas durante seis anos, com resultados comparáveis aos observados nos estudos de fase 3 em osteoporose. O benefício permaneceu por algum tempo após o fim das infusões. A última dose ocorreu após 4,5 anos e as taxas de fratura permaneceram estáveis até aproximadamente o oitavo ano, quando começaram a aumentar. A partir desses dados, os autores consideram que doses de manutenção a cada três ou quatro anos podem ser suficientes após um período inicial de tratamento mais frequente.
Para mulheres mais jovens e com menor risco de fratura, existem estudos com intervalos ainda maiores. Mulheres entre 50 e 60 anos, com T-score entre 0 e −2,5, foram acompanhadas durante dez anos após receberem placebo, uma única dose de 5 mg ou uma dose de 5 mg a cada cinco anos. Tanto uma única infusão quanto o esquema a cada cinco anos reduziram fraturas. Não houve diferença significativa na eficácia entre os dois regimes, embora a repetição da dose no quinto ano tenha produzido maior efeito sobre DMO e marcadores de remodelação óssea.
Os intervalos muito prolongados precisam ser aplicados de acordo com o perfil do paciente. A revisão sugere, para mulheres mais velhas com risco aumentado, quatro doses de 5 mg em intervalos de 18 meses, seguidas por doses menos frequentes. Para prevenção da perda óssea em mulheres de menor risco, são considerados intervalos de 5 a 10 anos.
Mensagem prática
Os dados apresentados nessa revisão abrem espaço para discutir esquemas mais espaçados de ácido zoledrônico, considerando idade, risco de fratura e objetivo do tratamento. É importante destacar, que as propostas apresentadas são a interpretação dos autores de um artigo de revisão, e não recomendações formais de uma diretriz. Embora existam estudos que sustentem intervalos maiores entre as infusões, ainda faltam comparações diretas entre alguns desses esquemas, especialmente em pacientes de alto risco.
Autoria

Ícaro Sampaio
Redator em Endopapers. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UFCG). Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA. Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Médico Assistente e Preceptor no Serviço de Endocrinologia do Hospital das Clínicas da UFPE.
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