Após os 50 anos de idade, os seres humanos perdem 10% de sua massa muscular por década. Quando a perda de massa e força muscular se torna grave e debilitante, ela é denominada sarcopenia – condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Essa síndrome é clinicamente reconhecida com critérios diagnósticos bem estabelecidos e um código específico na Classificação Internacional de Doenças (CID)-10 (M62.84), atribuído em 2016. A sarcopenia reduz a mobilidade, leva a quedas e fraturas e aumenta a morbimortalidade dos indivíduos.
Esse é um artigo de revisão, publicado em setembro de 2026 na revista Nature Reviews Drug Discovery, que aborda os avanços recentes na identificação dos fatores determinantes da sarcopenia e no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para aumentar a força muscular em idosos e promover um envelhecimento saudável.
Atualmente, não existem terapias aprovadas para a síndrome. A crescente compreensão dos mecanismos celulares, metabólicos e moleculares que impulsionam a perda de massa muscular com o envelhecimento está orientando intervenções farmacológicas para aumentar a força muscular por meio da promoção da função mitocondrial (moléculas relacionadas ao NAD+, urolitina A), da restauração da autofagia comprometida (inibidores de mTORC1), do estímulo à sinalização anabólica (inibidores de miostatina), da atuação como moduladores seletivos dos receptores de andrógenos, da manutenção da vascularização (VEGF, apelina), da redução do inflammaging (inibidores da sinalização de citocinas) e da restauração da inervação, do anabolismo e da regeneração (inibidores da gerozima 15-PGDH).
O recente aumento de ensaios clínicos que combinam terapias com agonistas do receptor de GLP-1 (GLP1RA) — que induzem a perda de peso — com fármacos que preservam o tecido muscular sugere que tratamentos capazes de promover tanto o período de vida saudável quanto a longevidade total — ou seja, o “envelhecimento saudável” — estão no horizonte.
Quais terapias emergentes podem atuar contra a sarcopenia?
Estratégias terapêuticas emergentes para a sarcopenia visam mecanismos musculares e sistêmicos para retardar o início da condição, reduzir a velocidade da perda de massa muscular e aplicar nosso conhecimento molecular da fisiologia muscular para aumentar a massa muscular ou promover a reparação endógena.
Tais estratégias podem incluir: nutracêuticos e peptídeos, ativadores da saúde mitocondrial, restauradores dos níveis musculares de NAD+, polifenol (Oleuropeína), peptídeos (Elamipretida e MOTS-c), inibidores de mTOR, antagonismo da sinalização de miostatina-activina, aumento da sinalização de PGE2 pela inibição da gerozima 15-PGDH e andrógenos; entre outros.
Ainda existem desafios significativos para a transposição dessas terapias para a prática clínica, mas resultados preliminares de estudos pré-clínicos e de fases iniciais de ensaios clínicos apontam para um futuro próximo no qual a fragilidade associada ao envelhecimento poderá deixar de ser inevitável.
Tratamentos para sarcopenia ainda enfrentam desafios clínicos
O reconhecimento de que a perda de massa muscular é impulsionada por uma rede complexa de disfunções metabólicas, regenerativas, neuromusculares e inflamatórias deslocou o paradigma terapêutico. Como resultado, existe um portfólio de candidatos terapêuticos em desenvolvimento clínico, incluindo precursores de NAD+, inibidores da via da miostatina, moduladores de mTOR e inibidores de gerozimas.
No entanto, persistem desafios, uma vez que ganhos de massa muscular frequentemente não se traduzem em ganhos de força. A identificação de biomarcadores moleculares para o diagnóstico da sarcopenia representaria um avanço significativo.
Autoria

Letícia Japiassú
Conteudista médica na Afya. Graduação em medicina Unirio. Pós Graduação em Endocrinnologia PUC-RJ. Especialista em Clínica Médica, Nutrologia e Terapia Nutricional Parenteral e Enteral.
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