O câncer de tireoide é uma neoplasia que vem elevando sua incidência devido à maior taxa de diagnóstico nos últimos tempos com rastreio por ultrassonografia (USG) de tireoide.
Dada a relevância do tema, a JAMA recentemente lançou uma revisão abordando desde a fisiopatologia até o tratamento. Segue abaixo um breve resumo da mesma.
O câncer de tireoide é o nono câncer mais comum no mundo, sendo mais frequente no sexo feminino em adolescentes e adultas com idade inferior a 40 anos. Aproximadamente 1.2% da população norte-americana será diagnosticada com câncer de tireoide em algum momento da vida. Tal incidência aumentou em 313% nas últimas 4 décadas devido ao aumento da realização de USG de tireoide e consequentemente de punção aspirativa por agulha fina (PAAF).
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O carcinoma papilífero de tireoide conta com aproximadamente 84% dos casos, sendo seguido pelo folicular, oncocítico e os menos comuns como o anaplásico e o carcinoma medular de tireoide.
Acredita-se que entre os fatores de risco, os mais relevantes são a exposição à radiação na infância e histórico familiar positivo.
O diagnóstico é feito por exame físico ou de modo incidental ao se realizar USG de tireoide.
As recomendações de PAAF dependem das características ultrassonográficas e algumas são mais preditoras de malignidade, sendo elas: hipoecogenicidade, margens irregulares, hipervascularização, altura maior que largura, presença de microcalcificaçõese tamanho (>1 cm). Em casos de PAAF com citologia indeterminada (Bethesda III ou IV), testes moleculares podem ser úteis para o diagnóstico. Para nódulos menores que 1 cm ou menores que 1,5 cm com características suspeitas, recomenda-se vigilância ativa com realização de USG de tireoide de forma periódica.
Em relação à clínica, os pacientes na maioria das vezes são assintomáticos e quando apresentam sintomas esses podem ser: massa cervical palpável, disfagia, sensação de globus e rouquidão em casos mais avançados.
A forma de tratamento para o câncer de tireoide é cirúrgica, sendo a lobectomia preferida em caso de nódulos menores que 4 cm e a tireoidectomia total reservada para nódulos maiores.
Após a cirurgia, os pacientes devem ser estratificados (em relação a tamanho tumoral, invasão local e presença de metástases locais ou à distância) para avaliação de tratamento adjuvante e dos níveis recomendados de TSH. A terapia adjuvante com iodo pode ser utilizada em casos de doença persistente ou com alto risco de recidiva.
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Após o tratamento, os pacientes devem ser monitorados com USG de região cervical e loja tireoidiana ,dosagem de função tireoidiana e níveis de tireo e antitireoglobulina para acompanhamento de recidiva.
Inibidores antiangiogênicos de multiquinase e terapias direcionadas a mutações genéticas que dão origem ao câncer de tireoide são cada vez mais usados no tratamento de doenças metastáticas, revelando-se terapias promissoras para o tratamento da doença avançada.
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