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Endocrinologia14 maio 2026

ATTAIN-2: orforglipron na obesidade com diabetes tipo 2

ATTAIN-2 mostra redução significativa de peso e HbA1c com orforglipron oral em pacientes com diabetes tipo 2.

Orforglipron é um agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP1 RA) de moléculas pequenas, desenvolvido para uso oral. Diversos estudos vêm trazendo resultados promissores na reducão do peso e da HbA1c. O estudo ACHIEVE-1 demonstrou redução de 1,48% na HbA1c com a dose máxima de 36mg. O estudo ATTAIN-1 avaliou pacientes com obesidade sem diabetes, demonstrando perda de 11,2% do peso corporal com a mesma dose. Ambos foram publicados em 2025. 

O estudo ATTAIN-2 teve como objetivo avaliar a segurança e eficácia do orforglipron no tratamento da obesidade, desta vez em indivíduos com diabetes tipo 2. 

Veja também: Quão comum é o hipercortisolismo no diabetes tipo 2?

orforglipron diabetes tipo 2

Métodos 

O ATTAIN-2 foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, de fase 3, conduzido em onze países. Foram incluídos adultos (idade ≥18 anos) com índice de massa corporal (IMC) ≥27kg/m2 e histórico prévio de insucesso terapêutico com tratamento dietético. Todos os pacientes recrutados apresentavam diabetes tipo 2, com HbA1c entre 7 e 10%. Foram selecionados pacientes tanto em tratamento não-farmacológico como farmacológico. Neste caso, utilizavam até 3 medicamentos de qualquer natureza, exceto aqueles que atuam sobre o sistema incretina. Foram recrutados no total 1613 pacientes, que foram randomizados para receber placebo ou orforglipron nas doses de 6 mg, 12 mg e 36 mg. O tempo de seguimento foi de 72 semanas. O desfecho primário foi a mudança percentual do peso na semana 72 em relação à linha de base. Foram avaliados como desfechos secundários mudança da HbA1c e de outros parâmetros metabólicos durante o seguimento. 

Resultados preliminares 

A redução percentual do peso foi de 5,5% com orforglipron 6 mg, 7,8% com 12 mg, 10,5% com 36 mg  e 2,5% com placebo. A proporção de pacientes que atingiram perda ≥10% do peso corporal foi de 23,9%, 35,5%, 50,1% e 7,0% nos braços 6 mg, 12 mg, 36 mg e placebo, respectivamente. Já a proporção de indivíduos apresentando perda de peso ≥15% em cada grupo foi de 7,3%, 17,7%, 28,4% e 1,9%, respectivamente. 

A redução de HbA1c foi de 1,3% com orforglipron 6 mg, 1,6% com 12 mg, 1,8% com 36 mg e 0,1% com placebo. Mais de 70% dos pacientes atingiram a meta de HbA1c < 7% com orforglipron, enquanto este desfecho ocorreu em apenas 23% daqueles no grupo placebo. 

O perfil de segurança foi consistente com os demais GLP-1 RA. Eventos adversos gastrointestinais foram os mais frequentes. A taxa de interrupção do tratamento por eventos adversos chegou a 10,6% nos grupos utilizando maiores doses de orforglipron. No placebo esta proporção foi de 4,6%. 

Conclusões 

O tratamento com orforglipron oral parece proporcionar reduções de peso e HbA1c significativas e clinicamente relevantes em adultos com obesidade e diabetes tipo 2. A porcentagem de peso perdido foi comparável aos efeitos do mesmo fármaco em indivíduos sem diabetes. Deste modo, o orforglipron parece ser uma opção promissora para o tratamento conjunto destas duas condições, que frequentemente ocorrem em associação. 

Entretanto, é importante ressaltar que estes são resultados preliminares. Além disso, estudos futuros de segurança cardiovascular são necessários para a tomada de decisões clínicas uma vez que o orforglipron seja liberado para uso clínico pelas entidades regulatórias. 

Autoria

Foto de Fernando Giuffrida

Fernando Giuffrida

Graduação em Medicina (1999) - Universidade Federal de São Paulo; Residência Médica em Clínica Médica e Endocrinologia (2002) - Universidade Federal de São Paulo; Titulo de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia-SBEM (2002); Doutorado em Ciências (2008) - Universidade Federal de São Paulo; Pós-Doutorado no Joslin Diabetes Center/Harvard Medical School (2017-2019).VÍNCULOS ATUAIS: Preceptor do Programa de Residência Médica em Endocrinologia do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (CEDEBA), Salvador-BA; Professor Adjunto da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGFARMA) da mesma instituição; Professor do Curso de Medicina do Centro Universitário Dom Pedro II (UNIDOMPEDRO), Salvador-BA; Professor do Curso de Medicina da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), Salvador-BA; Professor Colaborador e Orientador do Programa de Pós-Graduação em Endocrinologia da UNIFESP.

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