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Endocrinologia13 janeiro 2022

Aprovada nova associação medicamentosa para tratamento de obesidade no Brasil

A Anvisa aprovou no final de 2021 uma nova associação medicamentosa para o tratamento de obesidade no país. Saiba mais.

Por Úrsula Neves

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou no final de 2021 uma nova associação medicamentosa para o tratamento de obesidade no país. Trata-se da combinação de duas substâncias de ação prolongada no mesmo comprimido: o cloridrato de bupropiona e o cloridrato de naltrexona, sob o nome comercial de Contrave®, da Merck. 

Segundo especialistas da área, essa aprovação veio tardiamente, após sete anos da liberação dessa associação farmacológica nos mercados americano e europeu. Por outro lado, isso nos deixa com um bom grau de segurança, uma vez que a substância já foi utilizada em diversos perfis de pacientes pelo mundo. 

“Nós sempre recebemos com uma expectativa muito boa qualquer aprovação de medicamento, ainda mais que possa tratar de uma doença tão complexa, crônica e recidivante, como a obesidade, e com tão poucas opções de tratamento no mercado brasilieiro  E, particularmente, um medicamento que já tem um corpo de estudos clínicos mostrando sua eficácia e segurança, já sendo comercializado nos Estados Unidos e na Europa já há alguns anos”, celebrou a presidente da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), a endocrinologista Cintia Cercato.  

Os cloridratos de bupropiona e naltrexona possuem poucos efeitos no peso corporal se utilizados isoladamente, mas juntos conseguiram promover perdas de peso próximas a 7% nos seus diferentes estudos da fase 3, graças a um mecanismo de ação em nível de neurotransmissores cerebrais, que reduzem o apetite e aumentam a sensação de saciedade. 

obesidade

Indicações para o tratamento

  • Indivíduos com índice de massa corporal maior ou igual a 27 kg/m2, com doenças associadas, como diabetes, hipertensão arterial ou colesterol e triglicérides elevados;  
  • Indivíduos com índice de massa corporal maior ou igual a 30 kg/m2, mesmo sem comorbidades.

A medicação poderá ser utilizada no Brasil somente mediante prescrição médica a partir do segundo semestre de 2022. 

Orientações sobre o Contrave® 

Naltrexona é um antagonista opioide para o tratamento da dependência de álcool e opioides, enquanto a Bupropiona é inibidora da recaptação de norepinefrina/dopamina, utilizada comumente para tratamento da depressão e tabagismo. 

Em 2014, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou nos Estados Unidos o Contrave (cloridrato de naltrexona + cloridrato de bupropiona) como opção de tratamento para o controle crônico de peso corporal, associado a uma dieta reduzida em calorias e atividades físicas regulares. adversos severos. 

A naltrexona já era aprovada para o tratamento da dependência de álcool e de opiáceos, e a bupropiona para tratar a depressão e o transtorno afetivo sazonal (conhecida como depressão de inverno) e para ajudar no tratamento para largar o cigarro. 

Vale ressaltar que o Contrave® pode causar convulsões e não deve ser utilizado em pacientes que têm distúrbios convulsivos. O medicamento deve ser interrompido e não reiniciado em pacientes que tenham sofrido uma convulsão durante o tratamento.

Leia também: Uso do balão intragástrico (BIA) ajustável para o tratamento da obesidade

O Contrave® também pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca e não deve ser utilizado em pacientes com pressão arterial alta não controlada. O significado clínico dos aumentos na pressão arterial e na frequência cardíaca observados com o tratamento com o medicamento não está claro, especialmente para pacientes com problemas cardíacos e doenças cerebrovasculares, uma vez que pacientes com histórico de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral nos seis meses anteriores, arritmias com risco de vida ou insuficiência cardíaca congestiva foram excluídas dos ensaios clínicos. 

Pressão arterial e pulso devem ser medidos antes do início da medicação e devem ser monitorados em intervalos regulares, especialmente entre pacientes com a pressão arterial elevada controlada antes do tratamento.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED 

Referências bibliográficas:

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